Economia

Da euforia à cautela: as reações do mercado à eleição de Bolsonaro

terça-feira 30 de outubro| Edição do dia

Uma euforia de curtíssima duração contagiou o mercado financeiro no primeiro dia após a vitória eleitoral de Jair Bolsonaro (PSL). Pela manhã, houve aumento de 3,1% do índice Ibovespa, que mede a valorização média das ações negociadas nesta Bolsa, superando em 59,33 pontos o antigo recorde de 88.317,83, registrado em fevereiro deste ano. Ao mesmo tempo, o dólar registrava queda de 1,3%, sendo cotado a R$ 3,58, o menor valor desde maio. Após o meio-dia, a porcentagem de queda já era de 0,35% em relação ao fim do dia anterior e, após as 14h, tornou-se um aumento de R$ 1,25, atingindo R$ 3,70, valor de R$ 0,40 a R$ 0,50 superior ao “ideal” calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Neste mesmo horário, a variação do Ibovespa no dia era de 1,25% negativo, a 84.825,94 pontos. Os sinais positivos dessa manhã de 29 de outubro refletem as expectativas que os capitalistas depositam no governo que venceu as eleições mais manipuladas da história recente do país. Por volta das 10h15, a agência de classificação Moody’s divulgou relatório em que se refere à diminuição dos gastos públicos e à reforma da previdência como “desafios para 2019 e além”. O relatório afirma ainda que, embora os investidores percebam que Bolsonaro buscará políticas pró-mercado, “sua capacidade de obter apoio no Congresso para aprovar reformas fiscais ainda não foi testada”]. Segundo analistas, essa incerteza explica porque a excitação durou tão pouco, por mais que o otimismo ainda seja a tendência do mercado financeiro, como tem sido desde antes do primeiro turno.

Na noite de ontem (28), Bolsonaro reafirmou seu compromisso com a responsabilidade fiscal, leia-se, com o pagamento da dívida pública. Seu guru econômico, Paulo Guedes, também alega que irá zerar o déficit público até 2019, o que é uma óbvia bravata mas dá dimensão aos ataques que pretende desferir contra os trabalhadores. Além do “controle” dos gastos do Estado, a panaceia deste corrupto empresário intitulado mestre em economia pela ultra-neoliberal Escola de Chicago envolve privatizações, “segurança” institucional para atrair capitais estrangeiros e a reforma da previdência, que será uma prioridade do novo governo.

Hoje, um dia depois dessas declarações, caiu de 207 para 200 o risco do CDS (Credit Default Swap), uma espécie de seguro contra calotes, do Estado brasileiro. Houve também uma pequena queda das taxas de juros dos títulos públicos. As ações que mais puxaram para cima o índice Ibovespa foram as do Itaú-Unibanco e do Bradesco, que valorizaram 2,05% e 2,32%, chegando a R$ 50,05 e R$ 34,91, respectivamente. Os papeis da Petrobras sem voto e com voto subiram 1,56% e 1,37%, a R$ 28,03 e R$ 30,41%, também respectivamente. A maior alta percentual foi da Sabesp: 6%, a R$ 29,38, seguida pelas Lojas Renner e Americanas. Já a expectativa de que Bolsonaro libere o porte de armas de fogo aumentou em 3,7% as ações da Taurus, vendidas hoje a R$ 11,70, e que já acumulam uma valorização de 400% nos últimos 12 meses.




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