BRASÍLIA

DF: Sob forte cerco policial, ato contra Bolsonaro rivaliza com bolsonaristas na Esplanada

Centenas de manifestantes de organizações de esquerda, movimentos sociais e torcidas antifa protagonizaram mais um importante ato em Brasília, mesmo com o enorme contingente policial coagindo o ato enquanto fazia a segurança dos bolsonaristas do outro lado da Esplanada.

domingo 21 de junho| Edição do dia

O ato contra o governo Bolsonaro começou por volta das 10 da manhã e reuniu cerca de 600 manifestantes de diferentes partidos de esquerda, de movimentos sociais como o MST e de torcidas antifascistas.

Já desde o início, a polícia tentou coagir os manifestantes dizendo-lhes onde deveriam realizar o ato. A preocupação da polícia o tempo todo era de proteger os bolsonaristas, que lançavam provocações e xingamentos de ódio contra a esquerda, além de seguirem pedindo intervenção militar, fechamento do congresso e todo tipo de golpismo de extrema-direita.

Com a Esplanada dividida em duas, a tensão foi aumentando durante a manhã, chegando ao final com repressão policial, agressões físicas, revistas e detenções contra o ato de esquerda. Enquanto reprimiam o ato contra o governo, ao mesmo tempo os policiais faziam a segurança dos bolsonaristas, inclusive do acampamento do grupo da fascista Sara Winter, escancarando seu caráter de classe e de que lado estão.

Os militantes da Juventude Faísca e do Quilombo Vermelho estiveram no ato desde o começo denunciando a repressão policial, que não só reprime atos de esquerda, mas também reprime os trabalhadores e a juventude pobre e negra, chegando a assassinar um jovem negro a cada 23 minutos no Brasil.

Por isso nós do Esquerda Diário, junto à Juventude Faísca e ao Grupo de Negras e Negros Quilombo Vermelho, temos cotidianamente denunciado a violência policial, que é alimentada todos os dias pelo racismo escancarado de Bolsonaro, mas também pelo poder judiciário que há séculos encarcera os negros nesse país sem sequer direito a julgamento.

Também defendemos que contra esse governo de extrema-direita, é preciso colocar de pé uma forte mobilização pelo Fora Bolsonaro, Mourão e os milhares de militares que hoje ocupam o poder executivo. Nesse sentido, é fundamental que as maiores centrais sindicais do país, CUT e CTB, que hoje são dirigidas pelo PT e pelo PCdoB, rompam sua paralisia e organizem a luta de fato, ao invés de seguir na política de esperar até as eleições de 2022.

Combater esse governo racista e repleto de militares é uma tarefa para hoje, assim como combater todo esse regime apodrecido que ataca dia pós dia direitos elementares dos trabalhadores. E por isso defendemos que não basta só trocar os jogadores, é preciso mudar as regras do jogo, pois cada dia fica mais claro que além de Bolsonaro e Mourão, o STF, Congresso e o conjunto dos atores burgueses também são nossos inimigos. Somente com uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, que dê voz ao povo para que ele realmente discuta e decida os rumos do país, ao invés de só votar a cada 2 anos, que podemos enfrentar de fato o conjunto dos ataques.

O Esquerda Diário DF seguirá cobrindo todas as mobilizações contra o governo de Bolsonaro e Mourão, como também denunciando a violência policial e o descaso com a saúde dos milhões de trabalhadores que morrem aos montes hoje vítimas do COVID-19.





Comentários

Comentar