Mundo Operário

PRECARIZAÇÃO E SEGREGAÇÃO NA USP

DENÚNCIA: USP joga quilos de comida no lixo enquanto nega almoço aos terceirizados

Desde o dia 26 de março um setor inteiro do restaurante universitário foi terceirizado. De lá até hoje 7 trabalhadores terceirizados não podem se alimentar da comida que ajudam a produzir.

sexta-feira 20 de abril| Edição do dia

Trabalhadores efetivos fazem campanha contra a situação dos terceirizados do bandejão: Pelo direito de comer!

Todos os dias nos bandejões da USP são produzidas aproximadamente 10 mil refeições para estudantes da universidade. Entretanto, todos os dias, quilos de comida são jogados no lixo ou são doadas para instituições de caridade. NEnquanto isso os trabalhadores, que trabalham dentro do próprio bandejão são proibidos de comer a comida que ajudam a produzir.

A razão da USP não permitir que os terceirizados possam comer a comida produzida no bandejão, local onde trabalham, é muito simples: Não quer! Não há nenhum impedimento legal para que os terceirizados possam comer da comida que eles também produzem. O vice representante da Superintendência de Assistência Social (SAS) da USP, Hamilton Pedroso, teve que reconhecer que não há nenhuma lei e nem mesmo nenhuma cláusula do contrato feito com a empresa terceirizada que proíba que a USP forneça as refeições para os terceirizados que, em alguns casos chegaram ao absurdo de passar fome, mesmo trabalhando dentro de uma cozinha industrial.

Saiba mais: Centenas de pessoas no ato contra a segregação ao terceirizados no bandejão da USP

Um chamado aos trabalhadores efetivos para lutar ao lado dos terceirizados contra a segregação e precarização

Fome e trabalho absurdamente precário

Além de não poderem comer da comida que fazem, os terceirizados do bandejão enfrentam um enorme segregação e condições de trabalho brutalmente precárias. Eles sofrem com uma sobrecarga terrível de trabalho: lavando em um grupo de 7 pessoas, sendo 4 mulheres, milhares de bandejas e talheres que antes eram lavadas por 12 homens trabalhadores efetivos da universidade. Isso é assim porque a empresa terceirizada, com a conivência da USP, contrata o menor número possível de trabalhadores para aumentar cada vez mais os seus lucros. A USP também é parte dessa operação perversa na medida em que assina os contratos exigindo que o trabalho seja feito independentemente de um número mínimo de funcionários, o que deixa as empresas com as mãos livres para poder super-explorar os trabalhadores.

Os terceirizados estão tendo que fazer horas extras para dar conta de tanto trabalho. O trabalho nos bandejões já é absurdamente exaustivo, gerando muitos problemas de saúde e um rápido adoecimento dos trabalhadores em decorrência dos movimentos repetitivos, do peso excessivo, queimaduras, cortes e até quedas. Esse cenário provocou o adoecimento de mais de 60% do quadro de trabalhadores efetivos e agora, depois de arrancar a sua saúde, são substituídos por trabalhadores terceirizados que certamente vão adoecer ainda mais rapidamente.

Nesse cenário, os terceirizados tendem a sofrer ainda mais as consequências desse trabalho brutal em menor tempo. Efetivos relataram inclusive terem visto trabalhadoras chorando por não estarem suportando a carga e a situação de trabalho.

Terceirização: igual trabalho, menor salário

A Lei da terceirização aprovada pelo governo do golpista Temer, junto à reforma Trabalhista, está fazendo com que cenários como esse cresçam de maneira absurda no país. Os terceirizados, a quem são negados direitos básicos, e que durante os anos de governo do PT passaram de 4 para 12 milhões, fazem o mesmo trabalho que os efetivos, em piores condições, com menos direitos e um salário infinitamente menor. Dessa maneira os patrões conseguem dividir a classe trabalhadora, reduzindo o quadro de trabalhadores efetivos e substituindo-os por trabalhadores de "segunda categoria", que tem também maiores dificuldades de organização para poder lutar. Daí a necessidade urgente de que os sindicatos batalhem contra a terceirização mas em defesa dos terceirizados para poder unificar as fileiras da nossa classe.

Trabalhadores efetivos da USP, alunos e professores, conhecendo o tamanho absurdo dessa situação tem travado uma forte luta contra esses ataques, exigindo condições dignas de trabalho, além do direito de poder comer a comida que ajudam a produzir e o direito ao cartão BUSP (para uso do ônibus que circula dentro da universidade, garantido a todos os estudantes e trabalhadores efetivos).

É importante não perder de vista à serviço do que estão esses ataques do governo e dos capitalistas sobre os trabalhadores: aumentam seus lucros às custas do suor e sangue dos trabalhadores, principalmente das mulheres negras, que são quem formam majoritariamente a categoria dos terceirizados. A luta deve ser constante e sempre por mais, exigindo não só melhores condições, mas indo além: pela efetivação dos terceirizados.

Chega de trabalho precário!




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