TRIBUNA ABERTA

DENÚNCIA: Prefeitura no RN chama GM para dispersar fila de trabalhadores em busca de assistência

Publicamos a denúncia de uma estudante de teatro da UFRN sobre a situação desesperadora da população do Rio Grande do Norte, no município de Parnamirim. Buscando informações e atendimento na SEMAS - Secretaria Municipal de Assistência Social, Habitação e Regularização Fundiária, sobre sua assistência frente ao Coronavírus, formaram uma grande fila desde a madrugada, cuja resposta da prefeitura foi acionar a Guarda Municipal para reprimir.

Amanda Majuí

Estudante de teatro da UFRN

sexta-feira 10 de abril| Edição do dia

Não é novidade que o Covid-19 tem assolado o país, segundo a grande mídia já temos o percentual de 17,857 casos confirmados, já aqui o RN foram constatados 242, isso até o dia 05/04. Cada dia é mais alarmante e, apesar das medidas de contenção do governo do estado, lidamos com a convulsão genocida que assume o governo de Bolsonaro e as precariedades das políticas e de muitos órgãos públicos, como o caso da SEMAS- secretaria Municipal de Assistência Social, Habitação e Regularização Fundiária, de Parnamirim/RN.

Apesar do grande número de atendimento em períodos convencionais e da grande instabilidade que se coloca sobre a vida dos trabalhadores e das trabalhadoras, assim como os desempregados e demais assistidos pelos benefícios sociais do governo, a SEMAS não teve o trabalho de criar estratégias para consolidar o atendimento de forma segura garantido minimamente o diálogo para as pessoas que madrugaram em uma fila em busca de informações e atendimento. Foi o que eu e centenas de pessoas viveram no dia 06 de abril.

Chegando por volta das 06:30 da manhã encontrei uma fila de que percorria a quadra, idosos, mães com crianças de colo, desempregados e um exército de trabalhadores em busca de alguma resposta. Haviam pessoas que estavam na fila desde das 04 da manhã, outras que dormiram na calçada do órgão mesmo ele só abrindo às 07:30.

Após horas de espera em meio ao aglomerado de pessoas resolvemos, eu e outros, buscar informações mais a frente, saber se todos ali seriam atendidos e qual estratégia estava sendo tomada. Ao chegar próximo a entrada, o senhor que se intitulou como diretor, recheado de grosserias e gritos disse que uma hora falaria com o resto da fila. Voltamos ao nosso posto e por lá passavam mais pessoas indignadas com o trato e encaminhamento. Esperar ou voltar na outra semana, talvez ao meu ver, para uma nova aglomeração. Não demorou muito para a guarda municipal ser chamada, a força militarizada para conter trabalhadores cansados que aguardavam numa fila que percorria o quarteirão, ela passeava observando sempre segura do cacetete. Com a chegada da mídia televisiva a guarda municipal foi dispersada, reforçando a ideia de muitos que ela não estava ali preocupada com a proximidade das pessoas mas com a possibilidade da aglomeração gerar mais revolta.

De certo que muitos órgãos públicos sofrem com a precarização do trabalho que dificulta por vezes a intervenção e criação de estratégias de prestar os serviços, e é responsabilidade da gestão municipal pensar o trabalho de seus funcionários e repensar as formas que os serviços básicos necessitam ser efetivados. Mas não podemos esperar muito do PTN e PRP, partidos que estão aliados na administração da cidade que ainda se prendem a lógica coronelista misturada com a perspectiva cristã protestante. É precária a administração pública que reflete nas condições dos órgãos públicos.

Também não é novidade que seriam os mais pobres que pagariam o preço dessa crise, e nessa perspectiva, é urgente que nós, classe trabalhadora, se articule frente às demasiadas burocracias e limites do estado, nesta pandemia as cartas estão dadas, o patronato não vai sentir ⅓ do que sentimos, os cargos de gestão podem ficar até descredibilizados mas não faltará alimento em suas casas e de seus conchavos, os bancos socorrerão os empresários diante de uma gigantesca parcela de pessoas que mergulharão na miserabilidade.




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