Juventude

UFRN Contra o corte da Educação

DCE UFRN convoca hoje assembleia geral para amanhã (03)

A gestão do DCE – UFRN convoca Assembleia Geral em defesa da educação para o dia de amanhã (3/05), às 15h no setor 1, após o anúncio de corte de 30% do orçamento de todas as universidades e institutos federais do país.

quinta-feira 2 de maio| Edição do dia

Bolsonaro, junto ao novo m(s)inistro da Educação, Weintraub, retomaram a ofensiva contra a educação e ao movimento estudantil em nova escala, começando com uma ameaça sobre a existência dos cursos superiores públicos de sociologia e filosofia na última sexta-feira, em nome do obscurantismo e contra o pensamento crítico, mas sobretudo após o anúncio de que haverá um corte de 30% no orçamento das universidades e institutos federais de todo o país, afetando principalmente os recursos à permanência estudantil e a manutenção dos campi.

A UFF já declarou que o corte significará que mal terá dinheiro para pagar as contas. Um ataque que primeiro escolheu a dedo seus alvos: UFF, Ufba e UNB, não coincidentemente universidades onde foram e serão realizados eventos da UNE, a UFF foi censurada durante as eleições do ano passado por pendurar uma bandeira anti-fascista, na UNB começaram os cursos contra o Golpe Institucional de 2016 e são universidades recordistas em programas de cotas.

Hoje as universidades públicas são responsáveis por 95% das pesquisas científicas realizadas no país, cujas contribuições para a saúde da população, apesar de insuficientes pela fortemente sentida falta de verba e elitismo das instituições, aporta com descobertas e recursos inéditos.

Com um discurso demagógico de combate aos “privilégios” em prol do ensino básico, se valem de uma agenda de sucateamento, privatista, para retaliar o movimento estudantil e qualquer coisa que entendam por “balbúrdia e evento inútil”, fazendo alusão a eventos de caráter político. Uma demagogia tremenda de um governo que cortou R$ 5,8 bilhões da educação logo no início do seu governo, ou seja, agravando a precariedade também do ensino básico para ter dinheiro para pagar o lucro dos banqueiros internacionais via dívida pública.

Os planos para a juventude estão desenhados: precarização da vida com 25,2% desempregados, corte para inviabilizar o funcionamento já precários das instituições de ensino, trabalhar até morrer com a Reforma da Previdência e até mesmo uma Reforma Trabalhista extra para os jovens que ingressam no mercado de trabalho, com uma carteira verde amarela que efetivará as promessas de campanha de Bolsonaro, servo local de Trump, de que ou tem emprego sem nenhum direito, ou todos os direitos sem nenhum emprego.

Seus ataques à educação de conjunto são em favor dos privilégios dos capitalistas que mandam nesse país, que tem Bolsonaro como seu principal algoz, cuja principal tarefa é aprovar a Reforma da Previdência para tirar das aposentadorias e de novo pagar a ilegal, ilegítima e fraudulenta dívida pública. Ou seja, em vez de garantir o direito à educação, segue enriquecendo os bolsos dos banqueiros imperialistas, o que ocupou 74% do PIB em 2018.

Frente a isso não há outra saída que não a mobilização em cada curso, universidade e escola, de alunos, trabalhadores e professores, começando com assembleias que preparem uma forte paralisação nacional da educação. No próximo dia 15 de Maio está sendo chamado esse dia nacional de luta pela educação e contra a Reforma da Previdência, com professores da rede pública a frente dessa luta, mas também com outras categorias, como os metroviários de São Paulo, podendo se somar a essa luta, apesar da vontade da CUT e da CTB de isolarem a luta dos professores.

Esse dia poderá ser um momento privilegiado para os estudantes demonstrarem que sua força está na aliança com os trabalhadores no rechaço a Bolsonaro e Weintraub. Hoje (02), o DCE da UFRN convocou uma assembleia de caráter urgente para o dia de amanhã. Sem dúvida é urgente, já que já estamos no dia 02 de maio e apesar do anúncio de diversos ataques esta é a primeira assembleia convocada e é fundamental a participação de cada estudante, assim como os trabalhadores e professores na universidade. A primeira assembleia do ano ser chamada de um dia para o outro, apesar da urgência da resposta, não condiz com a necessidade de que sejam amplos os setores sejam convocados, com passagens em sala por parte do DCE, com uma construção consequente desses espaços. Ainda mais após as datas deliberadas como dias de luta no CONEB (Conselho de Entidades de Base da UNE), no começo deste ano, terem sido datas que não foram construídas desde as bases e seguirmos sem plano de luta pelo que se propõe a direção da UNE.

Por isso, entendemos que essa assembleia deva servir de preparativo para a convocação de uma nova data de assembleia geral, construída de fato desde as bases com indicativo de paralisação para o dia 15 de Maio, e de uma convocatória para que cada curso possa ter a sua assembleia, assim como atividades de debate unificadas e por setor, com o objetivos de nos somarmos à Paralisação Nacional da Educação no dia 15 de maio.

A gestão atual do DCE é composta por correntes que compõem a direção majoritária da UNE, como UJS, e juventudes do PT (Kizomba, Levante, Paratodos), e tem levado a frente da entidade a mesma política nacional do PT e o PCdoB: apostam todas as suas fichas no parlamento, repetindo a estratégia falida de conciliação de classes com o novo apelido de “resistência democrática”, com os governadores do Nordeste de ambos os partidos aceitando negociar a Reforma da Previdência de Bolsonaro em troca de ajuda fiscal aos estados. Enquanto isso, pela UNE, CUT E CTB convocam manifestações que não constroem desde as bases e só servem para encobrir sua política traidora, além de consequentemente desmoralizar a reduzida vanguarda que as acompanha. Para coroar, usam a desculpa de que a juventude e os trabalhadores não querem lutar, como se fosse possível para esses setores “negociar com seu patrão” uma licença do trabalho para participar de um dia de lutas ou de um Congresso da UNE.

Por isso também entendemos que esse debate deva ser organizado em todas as universidades do país, de modo que UNE deveria nesse momento mobilizar todas as suas ferramentas e recursos para que hajam assembleias e paralisações por todo o país. Ao mesmo tempo, está acontecendo o processo eleitoral de delegados e delegadas para o Conune, evento esse que foi transferido de um feriado para uma semana de dias úteis, já como uma medida que afasta a juventude trabalhadora, sobretudo das universidades privadas, da participação desse Congresso. Além disso, na UFRN, foi divulgado na terça-feira um edital convocando a eleição de delegados, estabelecendo prazo limite para formação de chapas para essa sexta-feira, na prática impossibilitando que os estudantes possam se organizar para disputar suas ideias nesse processo.

Precisamos centrar fogo para o dia 15 de Maio, para que possamos tomar as ruas junto às profissionais da educação, para demonstrar que podemos sim barrar o corte e a Reforma da Previdência. Chamamos todas, todos e todes que puderem comparecer a se somar à assembleia.




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