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Cursos Unicamp paralisam contra a prisão de Lula, as punições, por Marielle e cobram DCE e UNE

Nesta quinta, 12, estudantes dos cursos de humanidades e de artes da Unicamp promovem paralisação das aulas e mobilização contra a prisão de Lula e em repúdio ao assassinato de Marielle Franco, em combate às punições da reitoria, exigindo que o DCE e a UNE mobilizem os estudantes contra o avanço do golpe nas universidades.

quinta-feira 12 de abril| Edição do dia

(à esquerda, assembleia do curso de Ciências Sociais e História, e à direita dos cursos de Artes)

Em assembleias realizadas no dia 10 de abril, estudantes dos cursos de Ciências Sociais, História e Artes da Unicamp votaram paralisar nesta quinta. Os estudantes do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas e do Instituto de Artes se unificaram no chamado “Contra a continuidade do golpe e a prisão arbitrária do Lula. Pelo direito do povo decidir em quem votar. Por uma investigação independente do caso de Marielle. Que o DCE e a UNE organizem um plano de lutas contra os ataques dos golpistas e da reitoria. Contra as punições e por permanência.”.

Os estudantes de artes incluem na sua mobilização contra os ataques à arte, expressos hoje concretamente na ADPF aprovada no STF pela ministra Carmen Lucia, que visa atacar seus direitos trabalhistas e reduz a compreensão de "atividade artística" a quase um "hobbie" e não uma atividade profissional. Este ataque deve ameaçar inclusive o financiamento e a existência de cursos artísticos, já bastante negligenciados.

Também o curso de Pedagogia realizou assembleia no dia 11, na qual os estudantes votaram se incorporar à paralisação, pedindo justiça ao caso de Marielle e Anderson, com repúdio à Intervenção Federal, exigência de bolsas e moradia estudantil, além de serem contra o Clube DCE. Este trata-se de uma tentativa da direção do DCE, composta por membros da UJS e Apenas Alunos, de fazer negócios com as empresas próximos à universidade, até mesmo o McDonald’s, uma clara ameaça a independência política da entidade dos estudantes.

(Assembleia dos estudantes de Pedagogia)

As atividades desse dia de paralisação começaram cedo na Unicamp, substituindo as aulas por rodas de conversa, Mesas de debates sobre a conjuntura nacional e na universidade, ações artísticas e em atividades em memória de Marielle. Os cursos Programa de Formação Interdisciplinar (ProFIS) e de Economia paralisaram nesta quinta, além de diversos outros que devem se incorporar às atividades ao longo do dia.

(Assembleia dos estudantes de Economia)

Os estudantes debatem como a atual conjuntura do país influencia diretamente em suas vidas, na universidade e fora dela. Com o último episódio do golpe institucional que teve início em 2016 e agora se aprofunda com a prisão arbitrária de Lula, o assassinato de Marielle e Anderson, bem como a Intervenção no Rio de Janeiro, mostram que existe um terreno fértil de ataques aos direitos democráticos por parte do Judiciário e dos capitalistas que buscam fazer com que os trabalhadores, a população pobre e a juventude paguem pela crise que eles criaram, a partir de suas reformas e emendas que atacam os direitos democráticos mais elementares, como os trabalhistas e a aposentadoria, assim como a medida autoritária de prisão de Lula é para impedir o direito da população votar em quem quiser e conta com o aval das forças armadas e da Globo golpista.

Diante desse cenário de ataques, a reitoria da universidade encontra espaço para atacar os direitos mais elementares dos estudantes, como fez aumentando em 50% o preço das refeições no bandejão. A reitoria que Alckmin escolheu e que está perseguindo estudantes com medidas disciplinares porque realizaram a greve de 2016, assim como negligencia os direitos conquistados nessa greve. Faltam bolsas para muitos estudantes que precisam, falta moradia e o Teatro dos estudantes de Artes está com suas obras paradas, e agora a burocracia da reitoria quer impor critérios meritocráticos para concessão de bolsas de auxílio social, e que ainda contem contrapartidas aos beneficiados. Os ataques afetam a universidade de conjunto, como mostra a ameaça de fechamento da biblioteca do Instituto de Estudos da Linguagem por falta de funcionários, uma realidade presente em diversos institutos e faculdades de não contratação e uso de estudantes bolsistas para tapar os buracos precariamente.

Mesmo diante de toda a agitação e ataques que se dá dentro e fora da universidade o Diretório Central dos Estudantes da Unicamp e a União Nacional dos Estudantes, ao qual é filiado, seguem imóveis, somente empenhados em seus acordos com os empresários de Barão Geraldo que se reflete no Clube DCE e na ausência de independência política e financeira que querem impor aos estudantes. Foi preciso os estudantes exigir a realização de uma assembleia geral e insistirem que é preciso organizar um plano de lutas para responderem a tantos ataques. Um plano real e não medidas midiáticas eleitorais que querem levar a revolta passivamente para as disputas de votos em outubro, como os membros da UNE, pela via da UJS/PCdoB e PT fazem a nível nacional. É preciso que assembleias de cursos sejam construídas com fortes medidas de discussão, conscientização e mobilização, organizadas de maneira democrática e ampla. Assim como será fundamental a aliança mais profunda com os trabalhadores de dentro e fora da universidade, que estão também na mira da reitoria e dos golpistas. A mais ampla unidade de ação e um forte combate dos trabalhadores e jovens, superando a paralisia das entidades estudantis e sindicais é o único caminho para vencermos, como mostraram os professores municipais de São Paulo, que derrotaram a Reforma da Previdência do Dória com sua greve nas ruas.




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