Internacional

EUROPA EXTREMA-DIREITA

Cúpula da extrema-direita pelo “Brexit” e a “Europa das nações”

Marine Le Pen e outros líderes da extrema-direita europeia se reuniram em Viena na quinta-feira (16) para apoiar o brexit (saída do Reino Unido da União Europeia), a uma semana do referendo que decidirá sobre isso.

Josefina L. Martínez

Madrid | @josefinamar14

terça-feira 21 de junho de 2016| Edição do dia

Foto: EFE/Christian Bruna

Os dirigentes de 8 partidos da extrema-direita europeia lançaram na quinta-feira em Viena o que chamam de uma "primavera patriótica", com o objetivo de conseguir uma "Europa das nações”. Um discurso nacionalista profundamente reacionário e anti-imigrante.

A “cúpula” da extrema-direita em Viena acontece um dia depois do assassinato da deputada trabalhista britânica por um indivíduo com possíveis vinculações com organizações de extrema-direita neste país, pelo que se investiga. Um fato que comoveu a política britânica e de toda Europa.

O Partido Liberal da Áustria (FPÖ) foi o anfitrião, com o prestígio frente ao seus sócios de ter quase se tornado o primeiro partido de extrema-direita a ganhar a chefia do Estado em um país da União Europeia (UE). Há somente um mês, seu candidato obteve 49,7 % dos votos no segundo turno e perdeu por muito pouca diferença frente ao candidato dos verdes.

Junto à Frente Nacional e o FPÖ estiveram organizações da extrema-direita da Alemanha, Reino Unido, Itália, Bélgica, República Checa e Romênia.

Em declarações à imprensa em Viena, Le Pen qualificou a UE como "um erro" e disse que "colapsará" se não se reformar. "Deve haver uma primavera da Europa das nações", assegurou. "Precisamos de outro projeto, o respeito à vontade dos povos e não a competição exacerbada entre todos", assinalou.

Enquanto o debate sobre o brexit, que esta semana ocupou o centro do cenário político europeu, Le Pen chamou a apoiar a saída do Reino Unido da UE e assegurou que "um eventual ‘brexit’ seria o início de uma Europa ‘à la carte’. A UE deve mudar, deve mover-se. Se não se mover, se não se reformar, a UE vai colapsar”.

O dirigente do partido austríaco, Heinz Christian Strache, reconhecido por suas declarações racistas e xenofóbicas, disse que os partidos da extrema-direita “amam” a Europa, mas que querem salvá-la de um “suicídio”.

“Assim como age, a UE está cometendo um suicídio. Não se pode assistir a alguém se suicidar, se não se torna responsável. Queremos revitalizar a Europa, é nosso dever e nossa responsabilidade", disse Strache.

Racismo e xenofobia “à la carte”

A instrumentalização do medo gerado pelos atentados terroristas na Europa, a maior crise migratória das últimas décadas e sobretudo o plano de fundo da crise capitalista, serviram de caldo de cultura para que partidos e movimentos reacionários e de extrema-direita consigam uma crescente projeção eleitoral na Europa.

Se soma este coquetel explosivo a crise dos partidos do “extremo centro”, conservadores e socialdemocratas europeus, fortemente questionados por sua gestão da crise, pelas medidas antipopulares de seus governos, os escândalos de corrupção e sua assimilação completa aos interesses do capital financeiro.

Os partidos nacionalistas de extrema-direita, que com discursos populistas tentam consolidar sua influência entre setores médios empobrecidos pela crise e franjas de trabalhadores, são os embandeirados de uma ofensiva anti-imigrante e racista.

A campanha eleitoral do PFÖ – com a que seduziu quase 50% do eleitorado austríaco –, girava ao redor de consignas nacionalistas e xenofóbicas como "os austríacos primeiro", denunciando a “ameaça dos imigrantes” e o “perigo do islã”.

Na reunião de Viena, o dirigente do PFÖ voltou a afirmar, questionando a política europeia de “divisão de refugiados” nos países membros. “Não são refugiados, são imigrantes econômicos e vêm porque a senhora Merkel os convidou. Os demais países não temos porque aguentá-lo”, disse.

Nem “Europa das Nações” nem União Europeia do capital

A emergência crescente da extrema-direita na Europa é a contracara da construção da União Europeia do capital. Merkel, Cameron, Hollande, Renzi, Tsipras, Juncker e Schultz, aplicando cortes, ajustes e repressão, representam os interesses das multinacionais e do capital financeiro, da Troika e dos capitalistas, e com suas políticas anti-operárias e xenofóbicas abrem o caminho para a emergência da extrema-direita.

No referendo de 23 de junho no Reino Unido, nenhuma das opções em disputa, “sair” ou “ficar”, pode significar uma saída progressiva para milhões de trabalhadores, mulheres e imigrantes. A necessidade de difundir uma perspectiva independente, internacionalista e de classe frente à crise da União Europeia é um grande desafio da esquerda anticapitalista europeia.

Ler também: A extrema-direita perde por pequena margem nas presidenciais da Áustria

"Tradução Francisco Marques"




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