Gênero e sexualidade

FUTEBOL FEMININO

Cúpula da CBF discute extinção de seleção permanente de futebol feminino

Na contramão do grande apoio à equipe feminina, e todo discurso de "empoderamento" nessas Olimpíadas a cúpula da CBF propõe extinguir o financiamento de uma equipe de futebol feminina permanente. Negócios e patriarcado no futebol.

segunda-feira 22 de agosto| Edição do dia

Estas Olimpíadas apresentaram um diferencial dos últimos anos com um forte protagonismo feminino, empoderando milhares, ousando roubar a cena até de Usain Bolt , com mulheres negras batendo recordes históricos, manifestações “Fora Temer” e grande apoio nas redes sociais para a seleção feminina de futebol, mesmo após perder o bronze para o Canadá.

Representantes da CBF, no entanto, com grande influência na entidade vêm a público defender uma revisão do custeio de uma seleção permanente de futebol feminino, com a CBF pagando mensalmente as jogadoras. Logo, não tem sido interessante para eles pagarem salários para as jogadoras e não terem retornos financeiros, ficando apenas com uma alta conta para pagar no final das competições.

A cúpula CBF diz também que apesar dos esforços o futebol feminino não "pega" no Brasil - embora muita gente tenha se empolgado com o desempenho inicial da seleção feminina, especialmente enquanto a masculina sofria na primeira fase olímpica.

Será que o futebol feminino que não “pega” no Brasil, ou a própria CBF não está nem um pouco preocupada com o desenvolvimento do futebol feminino? Esta CBF que, diga-se de passagem, ainda mantém Marco Polo Del Nero, denunciado pelo FBI por ser um dos beneficiados do esquema de recebimento de propina na venda de direitos de torneios no país e no exterior, em dezembro de 2015 ( !).

Esta relação de desigualdade de gênero é vista também no futebol dos EUA e em outros países capitalistas, mas no Brasil, país do futebol (masculino), medalha de ouro no masculino, essa situação se apresenta como algo bem escandaloso.

Enquanto Neymar faz um colossal sucesso ao redor do mundo - o Barcelona pagou 57 milhões de euros para levá-lo para o clube - Marta luta nos últimos oito anos para se estabelecer, mesmo com título de melhor jogadora do mundo por cinco anos consecutivos e apresenta dificuldades na carreira se comparada com outros atletas.

Nestas Olimpíadas, Marta fez um pedido de apoio ao futebol feminino dizendo "enchemos os estádios, ganhamos muitos fãs, apesar do objetivo logicamente ser o pódio, mas ser aplaudida em todo lugar é que iremos levar o futebol feminino", falando pela seleção.

Este apoio é algo que se torna urgente e necessário diante desta possibilidade de extinção da seleção permanente de futebol feminino, uma faceta do machismo e dos interesses econômicos no esporte. Que a seleção feminina siga firme, com ainda mais Martas, Cristianes e Formigas. E viva todas as mulheres e gays que protagonizaram estas Olimpíadas, sobretudo no “terreno” da força moral, tão importante neste momento de crise profunda no país. Força moral é o que não podem ter os empresários, seus políticos e os corruptos e machistas cartolas da CBF.




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