Política

DELAÇÃO DE FUNARO

Cunha, Temer e Alves roubaram 250 milhões da Caixa, segundo delação de Funaro

Funaro afirma que Temer e sua trupe de golpistas desviaram R$ 250 milhões da Caixa, empresas de Joesley também foram beneficiadas com a enorme fatura de R$3 Bilhões em troca de propinas.

sexta-feira 22 de setembro| Edição do dia

Em delação premiada, o doleiro Lúcio Bolonha Funaro afirmou que o grupo político formado pelo presidente Michel Temer e pelos ex-deputados Eduardo Cunha e Henrique Alves recebeu cerca de R$ 250 milhões em propinas decorrentes de créditos da Caixa Econômica Federal, repassados pelas vice-presidências de Pessoa Jurídica e Fundos de Governo e Loterias. Sendo as duas áreas controladas pelo PMDB e comandadas por Geddel Vieira Lima e Fábio Cleto.

A delação de Funaro trás a tona novas revelações acerca de Temer e sua trupe, resta saber como isso cairá ao "partido judiciário" com Raquel Dodge, aliada de Temer, na PGR. Ontem foi encaminhada a Câmara a denuncia a Temer após o STF ter decidido em 10 votos a 1 a decisão de não suspender o rito, o que está por trás disso é uma tentativa de tomar pra si novamente o protagonismo num momento de enfraquecimento de suas forças.

Operador financeiro do partido, Funaro disse que Cunha funcionava como um “banco de propina” para deputados e, depois, virava o “dono” dos mandatos de quem era beneficiado. Funaro não especificou quanto dinheiro estava com Cunha: “Mas sabe que este sempre distribuía parte da propina recebida com Henrique Eduardo Alves e Michel Temer, fora outros deputados aliados”.

O ex-ministro Geddel Vieira Lima, que recentemente envolveu-se em um escândalo com o aparecimento de uma mala de R$51 milhões de reais ocupou o cargo na Caixa entre 2011 e 2014. Segundo Funaro, apenas na área de Geddel o grupo liberou entre R$ 5 bilhões e R$ 8 bilhões para empresas em troca de vantagens. Um valor igual ou superior a este teria sido liberado pelo setor comandado por Cleto. Funaro disse que Geddel recebeu, sozinho, no mínimo R$ 20 milhões e continuou a operar mesmo depois de deixar o cargo, até fevereiro de 2015.

Para os capitalistas do Grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, foram liberados cerca de R$ 3,04 bilhões em troca de propinas. Foram R$ 1,35 bilhão para a holding J&F e o restante para empresas do grupo — R$ 200 milhões para a Vigor, R$ 250 milhões para a Flora e R$ 300 milhões em crédito para exportação para a Eldorado, além de R$ 940 milhões de debêntures adquiridas. É preciso expropriar a JBS e coloca-la a serviço dos trabalhadores. Os irmãos Batista só não teriam pagado o "pedágio" dos políticos, isto é, uma compensação financeira para assegurar seus lucros bilionários em todas as operações desejadas no empréstimo de R$ 2,7 bilhões feito para a compra da Alpargatas e outro R$ 1 bilhão tomado pela Seara — os dois feitos após Geddel deixar o cargo. Em uma única operação, de R$ 300 milhões para a holding J&F, o grupo político de Temer teria recebido R$ 9,75 milhões. O percentual das propinas, segundo o delator, variava de 2,7% a 3,4% da operação.

O grupo também recebeu propina de operações do FI-FGTS. Segundo Funaro, a indicação de Fábio Cleto para a área de fundos e loterias da Caixa foi feita por Eduardo Cunha e Henrique Alves que o indicaram a Antonio Palloci, que encaminhou o pleito ao ex-ministro Guido Mantega. Funaro disse que soube por Cunha que Temer “avalizou a indicação”.

A primeira operação ilícita do FI-FGTS, segundo ele, foi a liberação de valores para a Cibe, empresa do Grupo Bertin. Em novos escusos relacionamentos com outro grupo de capitalistas, a propina alcançou R$ 12 milhões — 4% do total da operação. Bertin também teria pagado propina por um crédito de R$ 2 bilhões dado à SPMar, concessionária do Rodoanel em São Paulo, outra empresa do grupo.

A propina teria igualmente beneficiado Cunha, Henrique Alves e Geddel e, segundo Funaro, os pagamentos foram feitos pela empresa Contern entre março de 2013 e fevereiro de 2015 por meio de notas fiscais fictícias.

Para entregar dinheiro em espécie, contou Funaro, Bertin teria usado a empresa Alambari Construções. Funaro disse que Silmar Bertin lhe contou que em 2010 saíram do caixa da empresa R$ 50 milhões para doações eleitorais por caixa 2. A SPMar afirmou, em nota, que os financiamentos ao Rodoanel e para empresas da família Bertin sempre seguiram o trâmite normal e as doações eleitorais se limitaram a recursos devidamente declarados.

Informações: Jornal O Globo
Fonte das Fotos: Jornal O Globo e Veja




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