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ESPECIAL BRUMADINHO

Cúmplices da Vale: um ano de conivência de Bolsonaro e Zema com o crime em Brumadinho

Há um ano, quando se rompeu a barragem do córrego do Feijão, embora os governos Bolsonaro e Zema estivessem apenas no seu 25º dia, já haviam elementos suficientes para ligar a política que defendem ao crime da Vale. Hoje podemos acusá-los de cúmplices.

Flavia Valle

Professora, Minas Gerais

segunda-feira 27 de janeiro| Edição do dia

Ontem se completou um ano do crime da Vale em Brumadinho. 259 mortos, 11 desaparecidos, doenças fisiológicas e psicológicas, impunidade, degradação ambiental dentre outras absurdidades são os saldos. Há um ano que Bolsonaro e Zema não moveram uma palha para que a Vale de fato pagasse por seu crime, sendo coniventes com as indenizações de miséria e os esforços “para inglês ver”, ou fazendo propostas paliativas que não colocam em xeque a gigante da mineração. Não apenas: neste ano, os governos federal e do estado de MG aprofundaram os laços com as mineradoras, afrouxaram os laços com as fiscalizações ambientais e fizeram muita demagogia.

Bolsonaro fez sua campanha dizendo que no seu governo os indígenas não teriam um palmo de terra, disse que era muito difícil ser patrão no Brasil e fez-nos rir com a grande mentira de que o Brasil é o país que mais preserva o meio ambiente. Zema, poucos dias antes do crime, comemorou a ampliação da exploração da mineração no estado.

Como havíamos denunciado na declaração do Movimento Revolucionário de Trabalhadores “Zema manteve em seu governo o Secretário do Meio Ambiente que foi responsável por reduzir etapas do licenciamento ambiental nos anos de governo do PT, e o vice-presidente do seu Partido Novo em MG saiu a defender a Vale nas redes sociais após o novo crime da empresa em Brumadinho. No governo Bolsonaro há a entrada de representantes das mineradora, aprofundando o que já vinha acontecendo no governo golpista de Temer, como Leonardo Quintão, ex-deputado federal do MDB de MG, que declaradamente era um parlamentar financiado pelas mineradoras e hoje integra a equipe da Casa Civil de Bolsonaro, chefiada por Onyx Lorenzoni (que declarou que “não haverá qualquer tipo de intervenção do governo na Vale”); e o general Franklimberg Freitas, que era do conselho da mineradora Belo Sun e reassumiu no governo Bolsonaro o comando da Funai.” Além de ter aprofundado sua política racista contra as populações indígenas e a destruição dos rios, matas e florestas, com a defesa da mineração em suas terras.

Zema e Bolsonaro choraram lágrimas de crocodilo após o rompimento da barragem em Brumadinho, mas por pouco tempo. Não demorou até Zema - que já tinha demonstrado sua sensibilidade de empresário dizendo, poucas horas após o rompimento, que só seriam encontrados corpos – classificar enorme tragédia anunciada como incidente. Em setembro, deu um sinal verde à construção de uma megabarragem de uma mineradora chinesa no norte em uma das regiões mais precárias do estado. Em outubro, há poucos dias de se completarem 4 anos do crime da Vale em Mariana, seus órgãos com representação no Conselho Estadual de Política Ambiental de Minas Gerais concederam à mineradora o direito de voltar a operar no mesmo lugar que mal reconstruíram.

Bolsonaro, embora tente culpar os indígenas, as ONGs e o Leonardo Di Caprio, já tem na sua conta em um ano de presidência a queima da maior floresta tropical do mundo, com importância ambiental e climática global. Os incêndios criminosos na Amazônia se tornaram um tema internacional e um motivo de instabilidade para o governo que mal se resolveu quando explodiu outro escândalo: o derramamento de grandes quantidades de óleo nas praias do Nordeste, não apenas poluindo o meio ambiente, mas acabando com a fonte de renda de famílias inteiras que dependem da pesca e adoecendo a população, que, na falta de políticas públicas de contenção do avanço do óleo, se organizou para removê-lo com os próprios braços. Isto não impediu o presidente de avançar na maior privatização do pré-sal da história do país, mesmo as histórias de Brumadinho e Mariana sendo a prova de que o controle da exploração de recursos naturais não pode ficar nas mãos de empresários.

Há um ano de Brumadinho, relembramos cada uma das vítimas e atingidos, e seguimos denunciando: foi mais um crime da Vale assassina, o judiciário e os governos, atuais e os anteriores como o de Fernando Pimentel do PT, também são culpados. Enfrentar a ganância capitalista e buscar justiça contra a Vale também significa combater seus representantes políticos, que hoje são, mais do que nunca, Jair Bolsonaro e Romeu Zema.




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