Sociedade

ATAQUE A LIBERDADE DE EXPRESSÃO

"Cruzada” de Dória contra as pichações e por uma cidade cinza, inclui multa

Enquanto destrói o novo prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), destrói o maior mural de grafite da América Latina, ele ainda defendeu nesta segunda-feira, 23, uma lei que torne mais pesada a legislação contra pichação na cidade, aplicando multa aos autores. Sua cruzada contra a arte urbana, os grafites e pichações é parte de sua política higienista, e de cerceamento a livre expressão da população e principalmente a juventude.

terça-feira 24 de janeiro de 2017| Edição do dia

De acordo com o tucano, os pichadores que não se enquadrarem como muralistas ou grafiteiros serão penalizados “com a lei pública e a legislação que a Câmara Municipal de São Paulo vai colocar muito em breve, ampliando as multas para aqueles que estragarem e prejudicarem a cidade”, disse. “Ninguém gosta da pichação.” Assim ele quer enquadrar o que é arte dentro dos próprios padrões estéticos e sociais. Além de importa que a expressão por meio de grafites e pichações seja feita onde o tucano permitir.

Assim, seguindo o cinismo, Doria ressaltou que é absolutamente a favor da arte urbana, desde que feita por meio do grafite e de murais, e contra a pichação. “E contra os pichadores vamos agir com absoluta intransigência.”

São Paulo tem uma lei antipichação, de 2007, que não prevê multa. Em Curitiba, desde 2013, pichadores podem ser punidos com multas de até R$ 1,6 mil Na cidade gaúcha de Santa Maria, a punição pode chegar a R$ 5,4 mil.

Na sexta-feira, a Prefeitura informou que “as ações não serão feitas de forma indiscriminada” e “grafite e pichação receberão tratamentos diferenciados”. No fim de semana, pichações e também grafites foram pintados de tinta cinza na Avenida 23 de Maio, que há dois anos abrigava mais de 70 murais.

Quem teve uma obra apagada na via foi o grafiteiro Binho Ribeiro, de 45 anos, com grafites expostos em pelo menos 40 países, incluindo os Estados Unidos. Binho é curador da Bienal do Grafitti, do projeto da 23 de Maio e do Museu Aberto de Arte Urbana (pilastras na Avenida Cruzeiro do Sul, em Santana). Binho definiu a ação da Prefeitura como “massacre” e “ataque violento” a artistas.

Esse fato vem gerando grande revolta não só dos artistas, mas da população que esta vendo a cidade de São Paulo perder sua herança cultural e ser pintada de cinza. Seguindo a arbitrariedade “da vontade” de Dória, do que o mesmo considera arte, e o que não sendo arte e poderá ser punido, na realidade toda a juventude e artistas de rua estão sujeitos a serem repreendidos e multados caso estejam expressando sua liberdade nas paredes da cidade.

Nas três primeiras semanas de gestão, pelo menos um pichador foi detido a cada dois dias. Foram 13 pessoas conduzidas pela Guarda Civil Metropolitana por “vandalismo”, segundo a Prefeitura




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