Mundo Operário

CRÔNICA

Crônica Real de um desempregado em BH!

O telefone toca e ao ver um numero desconhecido ou oculto já se tem uma euforia com a possibilidade de ser uma entrevista. Já são 16:30 e a confirmação, a moça com a voz formal que as empresas exigem dos funcionários de RH, fala "amanhã tem entrevista as 07:00 e por favor não atrase".

segunda-feira 23 de maio de 2016| Edição do dia

A alegria imediata logo é contida com a preocupação do valor de passagem, nesse caso dei sorte, eram apenas um ônibus de ida e outro de volta que custa absurdos 5 reais e 15 centavos ou seja 10,30 gastos para fazer uma entrevista sem garantia de nada.
O outro dia começa muito cedo pois os ônibus demoram e as voltas para atingir mais passageiros são longas, ônibus cheio e a viagem de aproximadamente 55 minutos se dá em pé, no ônibus um misto de cansaço entre os trabalhadores com suas longas jornadas e vários jovens com pastinhas na mão, provavelmente currículos a serem distribuídos. Ao chegar em frente ao local uma fila de aproximadamente 500 pessoas para umas 5 vagas, os rostos são de diversos formatos a cor predominante é negra e o semblante generalizado é de uma angústia com desconfiança, a cada minuto chega novas pessoas na enorme fila, nos carros e ônibus olhares para fila, um misto de dó e espanto pelo tamanho.
As conversas são frias, afinal as empresas jogam os trabalhadores um contra os outros, e infelizmente existe um clima de rivalidade no ar. Logo chega um jovem com folhas, está vendendo guias com endereços de agências de toda a cidade, a maioria cata moedas e compra a folha, que têm o valor de 50 centavos.
Logo um segurança de cara fechada chega falando alto e gritando, acompanhantes devem se retirar da fila imediatamente e quem não tiver ficha na empresa favor não atrapalhar, aqui não é fila de caridade é processo seletivo.
A fila logo anda e um a um vão sentando no auditório da empresa, após testes de todo tipo é anunciada o fim da entrevista, já são 11 horas da manhã, a fome é grande e no trajeto de volta a casa uma só certeza me domina, a classe trabalhadora não merece passar por isso e esse sistema capitalista não deve existir mais.




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