Sociedade

CRISE RIO DE JANEIRO

Crivella recusa assumir “calamidade” em hospitais do RJ e diz: "gastos com saúde são excessivos".

A Defensoria Pública da União recomendou, após uma fiscalização detectar os problemas estruturais no setor da saúde da cidade do Rio de Janeiro, que o prefeito Marcelo Crivella (PRB) decretasse estado de calamidade. Ele nega e diz que cortará mais do SUS.

Cássia Silva

estudante de Ciências Sociais na Unicamp e militante da Faísca

quarta-feira 24 de outubro| Edição do dia

A Defensoria Pública da União recomendou, após uma fiscalização detectar os problemas estruturais no setor da saúde da cidade do Rio de Janeiro, que o prefeito Marcelo Crivella (PRB) decretasse estado de calamidade. Essa calamidade se expressa em falta de pagamento dos salários dos servidores a falta de suprimentos nas unidades de saúde, em que algumas Unidades de Pronto Atendimento têm que acabar fechando, além das filas intermináveis.

A falta de investimento na atenção básica da saúde, de responsabilidade da prefeitura, provoca reflexos também em unidades estaduais e federais, causando superlotação. E é isso que Crivella nega, até porque rebateu a posição da Defensoria.

De encontro com o irritadiço Crivella, o Rio de Janeiro padece de atrasos nos salários da equipe de saúde. No início de outubro, ele mesmo anunciou que vai reduzir de 70% para 55% o número de Clínicas da Família com o objetivo de cortar gastos.

Para tentar responder a essa calamidade e abafar o caso, depois da recomendação, Crivella informou que vai liberar cerca de doze milhões de reais para o Hospital Albert Schweitzer. Os recursos vão ser utilizados para colocar em dia os salários dos funcionários e foram obtidos por meio do "Concilia Rio".

Na realidade, a gravidade é fatal e costumeira com falta de médicos, materiais e insumos. Os três hospitais visitados por uma investigação do jornal O Globo, Salgado Filho, no Méier, Albert Schweitzer, em Realengo, e Evandro Freire, na Ilha do Governador são grandes exemplos da tragédia da saúde no Rio, imposta à população pobre.

Na porta desses hospitais, pacientes esperam por horas nas filas e, por falta de leitos, corredores são usados como enfermarias, com doentes empilhados em macas e cadeiras. O Salgado Filho que poderia se distinguir dos demais porque será um dos poucos a não ter redução de verba em 2019, enfrenta absurda superlotação. O quadro do Albert Schweitzer é caótico: com funcionários sem salários, os atendimentos foram reduzidos à metade, o que levou ao fechamento de 20 leitos só na UTI, que já funcionava com parte do teto caído e fiação elétrica insalubre. Com repasses da prefeitura atrasados, o Hospital Evandro Freire também padece dessa catástrofe.

Enquanto uma idosa espera 40 minutos por cadeira de rodas, um adulto deixa o hospital sem ser atendido, assim como um bebê de 8 meses, Crivella facilita agendamentos para fiéis. Sua campanha bizarra que dizia que Crivella ia “cuidar de você” só escancara mais uma vez a quem ele serve: aos empresários e seus amigos fiés. Fazendo coro total com Bolsonaro, que disse considera "excessivos" os atuais gastos com saúde e que é preciso cortar gastos do SUS.




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