Sociedade

HORA EXTRA PARA CRIMINALIZAR CAMELÔS

Crivella quer R$ 20 por mês de lojistas para guarda reprimir vendedores ilegais nas folgas

A vida precária dos camelôs e vendedores de ônibus vai ser piorada sob constante vigilância dos guardas municipais. Ao alegar a crise e o alto desemprego, Crivella atesta a sua incapacidade de governo.

quinta-feira 24 de agosto| Edição do dia

No Rio de Janeiro é possível ver comerciantes pedindo permissão para motoristas de ônibus para venderem doces e balas e conseguirem alguma renda, sem dúvida alguma é miserável, já que o desemprego galopante impossibilita conseguir uma carteira assinada e um trabalho estável para milhares. Um trabalhador de rua não é rico e não vive bem. É um absurdo que se permita que esse tipo de trabalho exista, não porque atrapalha o comércio formal, mas porque esse tipo de trabalho é no mínimo bárbaro e a consequência direta da superexploração dos que estão empregados e da sede de lucro dos que demitem a rodo.

O prefeito Marcelo Crivella, do Partido Republicano Brasileiro (PRB), eleito sob o hipócrita lema de "cuidar das pessoas", acionou o Sindicato dos Lojistas do Comércio do Rio e a Federação do Comércio do Rio para custeio da compra das folgas de 800 Guardas Municipais. O valor é de R$ 20,00 por estabelecimento.

Com a medida, o ex-missionário evangélico da Igreja Universal do Reino de Deus pretende colocar os Guardas Municipais imediatamente nas calçadas para combater o comércio “ilegal”, como os camelôs e vendedores ambulantes. O dinheiro irá para um fundo de segurança municipal.

Segundo o prefeito: “Vamos dar conta dessa demanda extraordinária que nos acomete devido à crise do estado do Rio e do altíssimo desemprego”, admitindo que os ambulantes existem justamente pela miséria generalizada que os obriga a trabalhar assim. Além desse recurso, o prefeito pretende contar também com a ajuda da iniciativa privada.

Ora, os trabalhadores informais sequer são estatística, apesar de também movimentarem a economia. Essa medida visa reprimir ainda mais os trabalhadores que já vivem sem nenhuma segurança em seus trabalhos. Ao invés de aumentar o número de empregos, Crivella vai aumentar a repressão contra os trabalhadores informais.

Dessa maneira o prefeito emite o seu atestado de incapacidade. Como se não bastasse todo o imposto que nos é cobrado, ainda terceiriza a responsabilidade do estado e cobra dos lojistas o dinheiro que deveria vir do estado. Sem esquecer que esse dinheiro tem uma finalidade esdrúxula que é a de reprimir trabalhadores que querem apenas sobreviver.




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