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RIO DE JANEIRO

Crivella não cumpre acordo e rede de saúde do Rio continua com os mesmo problemas

Em agosto de 2017 foi lançada nas redes sociais a campanha carioca "Nenhum serviço de saúde a menos" em defesa do SUS e contra o desmonte da saúde pública anunciado pelo prefeito Marcelo Crivella. De lá pra cá, foram intensas negociações entre os diversos serviços de saúde e a prefeitura. Todas alcançadas sob pressão dos servidores juntos a população usuária do sistema único de saúde com assembleias, plenárias, atos, greves de categorias, e intensas denúncias nas redes sociais e nos espaços dos serviços.

quinta-feira 11 de janeiro| Edição do dia

Foto: Alba Valéria Mendonça

O Estado do Rio gastou apenas 3,8% do orçamento do Estado na Saúde até julho de 2017, segundo estudo do Ministério Público estadual. De acordo com o órgão, em 2016, o percentual foi de 5,1%. Pela constituição, no entanto, o estado fluminense precisa gastar 12% no mínimo. Ou seja, Governo gastou apenas 3,8% do orçamento anual do Estado na Saúde em 2017, segundo MPRJ. A partir desses dados, o Secretário de Saúde do Rio se comprometeu no final do ano passado a assinar acordo para dar maior transparência aos gastos da pasta, teve 30 dias pra se manifestar, mas o prazo para a assinatura do termo, entretanto, se esgotou em 05/12, de acordo com o Ministério Público.

Em um ano de mandato, Crivella foi incapaz de apresentar à população um plano de gestão na Saúde pública. Todas as promessas de campanha do bispo prefeito na área não foram cumpridas (municipalização das UPAs, municipalização de hospitais federais, criação de políclinicas, criação do CER/ Centro Especializado em Reabilitação do Salgado Filho, Maternidade na Ilha do Governador).

No último dia 09, uma manifestação feita por servidores da Clínica da Família Zilda Arns, no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, interditou parcialmente a Linha Amarela com pedidos de melhores condições de trabalho.

Segundo a página "Nenhum serviço de saúde a menos" no Facebook (último dia 10), os medicamentos ainda estão incompletos na rede de saúde do Rio, os profissionais estão sem 13º integral, com salário de dezembro atrasado, sem vale alimentação, os serviços continuam com falta de pessoal e as OSs continuam transferindo a responsabilidade para a Prefeitura que agora dá como resposta que os pagamentos das OSs são efetuados de acordo com o Decreto 44.096 e a Resolução SMF 2918, tendo sua previsão para próximos pagamentos até meado de FEVEREIRO.

Em resposta, os servidores da rede de saúde do Rio convocaram uma plenária ampliada da rede de Saúde Mental pro dia 11/01, às 18 horas no SNMED/RJ (Sindicato dos Médicos do Rio Janeiro) Av. Churchill, 97 - 11º andar, e Paralisação Geral da rede de Saúde da Família e da rede de Saúde Mental pro dia 18/01 com atos nos bairros dos serviços e posteriormente concentração na prefeitura da cidade.

Reproduzimos abaixo a nota do sindicato:

"Cada vez mais se evidencia que o projeto do Crivella é destruir o SUS para atender a interesses ocultos, usar a saúde como moeda de troca.
Os trabalhadores cumpriram o acordo. Deram um crédito de confiança. Receberam o silêncio e o descompromisso.

Por isso,Quinta, dia 18 de janeiro, os trabalhadores das clínicas de família, unidades básicas de saúde, CAPS, CAPSAds, Unidades de Acolhimento Adulto, CAPS Infantil, enfim, os trabalhadores da saúde, vão PARAR, desde cedo, nos bairros de toda a cidade.

Vamos ganhar as ruas. Contamos com o APOIO dos outros trabalhadores - o pessoal das UPAs, dos Hospitais, os servidores municipais, estaduais e federais, os profissionais da saúde privada.

Contamos com o APOIO da população do Rio de Janeiro, para que esteja nas ruas conosco.

Nesse dia, 18 de janeiro, precisamos falar alto. Falar que a saúde não pode ficar silenciosamente sendo destruída, para que as epidemias, como a dengue, a hepatite A, a febre amarela, não voltem. Para que as pessoas tenham seus direitos garantidos.

Essa é a nossa tarefa, também, enquanto profissionais de saúde. Não tratamos os corpos ou os órgãos. NÓS TRATAMOS AS PESSOAS, e tratar as pessoas, cuidar da cidade, nessa hora, é SE MOBILIZAR.

18 DE JANEIRO. Se organize, COMPARTILHE, manifeste apoio, fale com todas as pessoas, vamos pra rua porque essa luta é por nós." (Publicou a página no Facebook).

Toda a solidariedade aos trabalhadores da Saúde e Saúde Mental do Rio!
Pelo pagamento imediato dos salários e repasse das verbas para funcionamento pleno das Unidades de Saúde!

Por um SUS público, gratuito e de qualidade! Nenhum Serviço de Saúde a Menos!




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