Gênero e sexualidade

CENSURA

Crivella faz operação para impor censura e obscurantismo na Bienal do Livro

Fiscais da prefeitura do Rio de Janeiro foram à Bienal do Livro à mando de Crivella para intimidar público e autores de livros e HQ's que façam "ideologia de gênero".

sexta-feira 6 de setembro| Edição do dia

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella ordenou que fiscais da prefeitura interviessem na Bienal do Livro que está acontecendo no Rio de Janeiro. Trata-se de uma censura autoritária e LGBTfóbica que ameaça recolher livros. Coisa que não se via há muitos anos no país. Até o momento da publicação dessa nota não há confirmação do recolhimento de livros mas “somente” de intimidação por parte de fiscais.


Foto: Bruno Molinero/Folhapress

O alvo inicial da fúria LGBTfóbica de Crivella é uma HQ do universo Marvel. Mas a partir desse caso resolveu impor censura e intimidação em todo o mega-evento de venda de livros ocorrendo no Rio de Janeiro.

A Censura atacando setores LGBT é uma marca do reacionário prefeito. Em 2017 escandalizou ao proibir a mostra “Queermuseu”.

A escalada autoritária de hoje foi anunciada pelo prefeito no Twitter ontem:

A posição reacionária do prefeito, pastor evangélico, tem como alvo HQ’s em que personagens homossexuais se beijariam. Aos olhos do prefeito qualquer expressão de sexualidade que não heteronormativa e onde a mulher seja objeto de obrigações para a satisfação patriarcal (como interpretam a Bíblia algumas denominações) seria um atentado.

O Brasil é um dos campeões mundiais em feminicidios e em crimes homofóbicos. Isso não espanta e choca Crivella, muito pelo contrário. São os ataques verbais de políticos como ele, como Doria, como Bolsonaro, a proibição de livros, filmes, debates em sala de aula que incentivam mais ataques pois se sabe que contarão com renovado beneplácito não somente das forças policiais como dos governantes.

A censura de Crivella acontece ao mesmo tempo que Bolsonaro determinou que seja elaborada Lei para proibir qualquer aula que fale de gênero e sexualidade nas escolas que não da maneira patriarcal como ele defende. Acontece ao mesmo tempo que o prefeito de São Paulo, João Doria Jr mandou recolher material escolar porque continha frases que diferenciavam sexo biológico / gênero e orientação sexual. Esse mesmo obscurantismo recai sobre as artes como vimos nas intervenções de Bolsonaro na Cinearte e outros organismos.

A medida de Crivella está inserida nesse contexto e pode ser lida politicamente como uma tentativa de localizar o político evangélico na disputa eleitoral entre setores da extrema direita, mesmo movimento de Doria. Está em aberto como será a competição ou acordo eleitoral entre as igrejas evangélicas e o bolsonarismo na sucessão da prefeitura do Rio de Janeiro. E para não perder espaço o pastor-prefeito quer mostrar serviço em reacionarismo para rivalizar com Bolsonaro e Witzel.

No entanto, há mais do que interesses eleitorais reacionários em jogo. Em um país que a classe trabalhadora é crescentemente feminina, em que a juventude coloca-se mais em sintonia com fenômenos mundiais como o sustentado e fortíssimo movimento de mulheres e busca lutar pela livre expressão de sua sexualidade, impor o patriarcado e sua violência LGBTfóbica é funcional a necessidade de aprofundar a exploração da classe trabalhadora. Querem as mulheres, os negros, e a população LGBT cada vez mais oprimida para lucrarem cada vez mais.

A luta contra a censura à arte e até aos livros e HQ’s é parte de uma luta em defesa de todas demandas democráticas, contra o patriarcado e sua violência contra os LGBTs e ao mesmo tempo contra os capitalistas e seus governos que se apoiam no que há de mais atrasado para aprofundar a divisão da classe trabalhadora e sua exploração.




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