Política

SEGUNDO TURNO RIO

Crivella em noite de demagogia e defesa do estado mínimo, Freixo morno contra a direita

O primeiro debate eleitoral do segundo turno entre Marcelo Freixo do PSOL, e o bispo Marcelo Crivella do PRB, aconteceu na noite dessa sexta-feira, com um clima morno. A discussão foi marcada por posturas para atrair o eleitorado mais ao centro do que o posicionamento que se esperaria de ambos os candidatos, frustrando a expectativa de muitos que esperavam um debate com diferenças claras.

sábado 8 de outubro| Edição do dia

O ponto de maior polarização não se deu em torno das propostas, mas das acusações de disseminação de boatos e calúnias contra Freixo por parte de aliados de Crivella, Silas Malafaia, que reivindicou nas redes sociais os boatos. Já o candidato do PRB disse que Freixo estaria aliado aos partidos envolvidos no “petrolão", em alusão ao PT e demais partidos aliados, e que teria um “Himalaia de diferenças com Freixo", já Freixo, apesar da extensa ficha de Crivella se limitou a denunciar que quem foi ministro do PT foi o candidato adversário. Este pequeno embate destoou da tônica geral do debate. Freixo que é apoiado pelo PT nesse segundo turno respondeu que nunca fez parte do governo Dilma. Crivella foi ministro da pesca naquele governo.

Mais ameno no tom, mas ainda assim um dos pontos de divergência entre os candidatos, foi o fato de Crivella se apresentar como defensor de “estado mínimo", e que cortará gastos públicos fechando secretarias. “O estado ajuda muito quando não atrapalha", afirmou Crivella, que questionou Freixo sobre os gastos públicos afirmando que esse busca aumentar o número das secretarias. Freixo respondeu colocando que não ampliará os gastos públicos por que acabará com os cargos comissionados, “que custam muito mais ao governo".

Na divisão de blocos os candidatos responderam questões enviadas por internautas, via twitter, e puderam também fazer perguntas entre si. Dentre os temas debatidos, foram tratadas as questões da segurança e saúde pública, educação, transporte e mobilidade urbana, desemprego e informalidade do trabalho dentre outros.

Sobre o tema de segurança pública houve uma defesa da UPP social por parte de Marcelo Crivella, e afirmou que o problema seriam as crianças que vivem abaixo da linha da pobreza, e que desenvolveria políticas públicas para a favela. “Se a gente cuidar dessas crianças, a gente vai estar cuidando da causa principal dessa violência”, afirmou. Carolina Cacau, colunista do Esquerda Diário e que concorreu recentemente à Câmara de Vereadores no Rio comentou essa passagem em seu twitter:

Já Marcelo Freixo afirmou que pelo salário dos policiais serem parcialmente pagos pela prefeitura, esta deveria exigir uma contrapartida sob a forma de um plano de responsabilidade, e que realizaria um diagnóstico da violência nos bairros. Nesta passagem do debate Crivella foi enfático na defesa de seu projeto conhecido como “Cimento Social” do qual sofre denúncias de enriquecimento e concluiu defendendo as UPPs. Freixo questionou a falta de investimento social nas favelas mas não questionou as UPPs.

Em relação ao tema da saúde ambos colocaram se tratar de um dos principais problemas da cidade. Freixo defendeu que funcionários indicados das OS recebem um salário superior e tem custos mais elevados que nos hospitais em que essas não existem. No entanto, não propôs acabar as OS agora, e defendeu ampliar a clínica da família. Marcelo Crivella centrou sua resposta afirmando que centraria em “mobilização para acabar com a hedionda fila dos hospitais”, e não tratou da questão das OS. Em outros termos propôs regularizar mas manter o status quo atual. Sobre isso Carolina Cacau comentou na mesma rede social:

No que se refere a mobilidade urbana e do transporte público, Crivella fez demagogia que seria independente das empresas. Freixo afirmou que diminuirá o valor da passagem, que deveria chegar a R$3,30 caso ele fosse eleito e que acabaria com a dupla função dos motoristas que também atuam como cobradores. Demandas como passe livre e estatização dos transportes que surgiram em junho de 2013 estiveram ausentes nas propostas.

Sobre o problema do desemprego no Rio de Janeiro, Crivella defendeu que irá ter políticas para favorecer os empresários, “que são os que criam os postos de trabalho”. Marcelo Freixo defendeu que haveria que favorecer os empreendedores das comunidades da cidade, e desenvolver as atividades econômicas dessas regiões.

A Educação também teve peso no debate. Freixo abordou o tema logo em suas considerações iniciais. Marcelo Crivella demagogicamente afirmou ser contrário à repressão sofrida pelos professores, e à deterioração das condições de trabalho de todos os funcionários das escolas, além de dizer que as escolas devem ser um “local de cultura”, muito embora defenda o projeto “escola sem partido”, o que escancara sua demagogia. Já Marcelo Freixo disse que a primeira medida que tomaria como prefeito caso fosse eleito seria convocar todos os funcionários das escolas e professores para discutir “que a escola seja um lugar de cultura.(...) que tenha plano de cargos e salários”.

Carolina Cacau, militante do MRT e candidata a vereadora pelo PSOL, afirmou que “O debate foi marcado por um excesso de diplomacia. As diferenças entre os candidatos, um bispo da Igreja Universal, e outro que se coloca como parte da esquerda deveriam ter sido mais claramente postas. Também não houve propostas que pudessem responder de maneira profunda vários dos problemas mais sentidos pelos trabalhadores e a juventude. Como por exemplo acabar com os privilégios dos políticos, fazendo com que ganhem o mesmo que uma professora. Ou a necessidade de estatizar os transportes sob controle dos trabalhadores e usuários, garantindo a gratuidade para os trabalhadores, juventude e povo pobre. Para se enfrentar com a direita e com os empresários é preciso um programa anticapitalista que contribua para organizar a classe trabalhadora a se enfrentar com a direita aqui, e que seja um ponto de apoio para a luta nacional contra os ajustes de Temer e isso esteve ausente no debate”.




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