Sociedade

CRISE DA SAÚDE NO RIO

Crivella é responsável: cortou 400 Mi da saúde em 2019 e hoje deve 350 Mi para as OSS

O prefeito cortou 400 milhões da saúde só esse ano e 800 milhões ao longo de seu governo. O que deve para as Organizações Sociais (OSS), epicentros da crise, corresponde a tesoura que passou esse ano na pasta.

segunda-feira 16 de dezembro de 2019| Edição do dia

Imagem: Adriano Machado/Reuters

Com Crivella, o orçamento da saúde vem despencando ano após ano. O prefeito que prometeu cuidar dos cariocas já cortou 716,41 milhões da pasta só nos dois primeiros anos de seu governo (2017 e 2018). Os dados são da Fincon, divulgado pelo Jornal O Dia.

A tragédia anunciada para 2019 na saúde no Rio de Janeiro vem desde o ano passado, quando o Projeto de Lei Orçamentária previu um corte de 725 milhões para a pasta e menos 1400 postos de trabalho para os profissionais. A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) denunciou na época o descaso do prefeito antecipando que 1,2 milhões de pessoas ficariam sem assistência médica primária neste ano.

Como para o prefeito a ciência não importa e muito menos a vida, em fevereiro desse ano, Crivella cortou 400 milhões do orçamento da saúde. À época, disse que se tratava de um contingenciamento que não chegaria a afetar os pacientes:

“Precisamos ver qual o ritmo de arrecadação para ver até onde poderemos gastar. Todos os municípios, e até o governo federal, fazem isso. Não vai afetar em nada o atendimento e os investimentos que planejamos fazer. Ao longo do ano, os recursos virão, vamos retirar o contingenciamento e executaremos o orçamento todo”.

No entanto, diferente do que afirmava o prefeito, esse dinheiro nunca retornou para a saúde. Os 400 milhões cortados em fevereiro são um montante próximo ao que a prefeitura deve as Organizações Sociais hoje. A dívida da prefeitura com OSS´s está em R$ 350 milhões, conforme afirma O Globo.

Paulo Pinheiro (PSOL), da Comissão de Saúde da Câmara, fez um levantamento dos cortes da prefeitura na saúde nos últimos anos:

"Nos últimos anos a execução do orçamento da saúde vem caindo muito. Em 2016, último ano de Eduardo Paes, foram gastos R$ 5,1 bilhões. Em 2018, esse valor caiu para R$ 4,7 bilhões. E, até ontem, a prefeitura só havia desembolsado R$ 4,3 bilhões em 2019."

Os dados confirmam a efetivação do corte de 400 milhões realizadas pelo prefeito (de 4,7 Bi para 4,3 Bi) esse ano, que foram determinantes para que a crise estourasse.

A Defensoria Pública do Estado e o Ministério Público foram autorizados pela 8ª Vara Cível do TJ do Rio a instalaram um gabinete de crise para a crise da saúde, pela falta de transparência nas contas da prefeitura. Não se sabe ao certo para onde está indo a abundancia de recursos cortados da saúde, em um momento que o estado bate recordes de royalties do Petróleo. Com certeza não está indo para beneficiar a população.

Os efeitos nefastos dos cortes de Crivella para a saúde

Um fato consumado, a despeito da pouca transparência da prefeitura, é que os cortes realizados por Crivella geraram o aprofundamento da crise da saúde, chegando a níveis extremos.

O número da fila para casos com classificação vermelha, a mais grave, chega a 18.825 pessoas, sendo o tempo de espera médio de 8 meses. Os dados foram divulgados pelo UOL em base os dados do Portal de Transparência do Sisreg (Sistema de Regulação).


Situação da crise da saúde é calamitosa/ Imagem: Yahoo

Desde o inicio da gestão Crivella, a fila na saúde da prefeitura mais que triplicou. Mais de 421 mil pessoas estavam na fila em novembro desse ano para exames e cirurgias. Em 2017, eram de mais de 132 mil pacientes. Em 2018, eram 214 mil cidadãos.

Desde 2017, Crivella extinguiu 176 equipes das Clinicas da Família e fez a população atendida cair de 71% para 61% com cortes de profissionais de 11.448 para 8.766 também na saúde familiar. O número de mortes por causas evitáveis também explodiu com Crivella e com a gestão Paes, eram 72,7 em 2012 passando para 79,5 e 77,5 em 2017. Em 17 de junho mais de mil leitos foram interditados pela falta de condições adequeadas, 355 deles nos hospitais municipais. Os dados são da Folha de São Paulo.

A situação da crise da saúde que deu um salto de qualidade de forma grave nesse fim de 2019, com a Gestão Crivella, é tão calamitosa que é difícil mensurar por números o sofrimento que vem causando aos trabalhadores e povo pobre carioca.

Casos como o do Gari comunitário, Paulo Roberto de Sousa, de 53 anos, que morreu após sofrer um infarto e ter de esperar por 5 horas até ser atendido no CER Leblon não são pontos fora da curva na trágica situação da saúde no Rio. De forma certeira seu filho afirmou: “Perdi meu pai por negligência do Estado”.

É notável que ao mesmo tempo em que Crivella ceifa a vida das pessoas que dependem da saúde pública dá isenções fiscais milionárias a igrejas. Em maio desse ano, Crivella isentou 426 templos do pagamento do IPTU, sem revelar quais, o que é contra a Lei da Transparência.

Greve da saúde resiste até que os salários sejam pagos

Crivella, que fugiu da justiça assim como fugiu, com medo, dos trabalhadores e trabalhadoras da saúde, foi à Brasília pedir socorro ao seu aliado, no que diz respeito ao ataque aos trabalhadores, o presidente Jair Bolsonaro. Foi atrás de uma dívida com a união, que já repassou 152 mi, em duas parcelas, 76 mi em dezembro e 76 mi em janeiro, longe do valor necessário para pagar os servidores.

Crivella que tenta manobrar e passar a perna na mobilização dos trabalhadores e trabalhadoras da saúde, sentiu a pressão da mobilização da saúde. Aunciou um pagamento parcelado, tentando dividir a categoria - e enquanto isso entra com inúmeras ações na justiça para impedir o arresto de contas, e não comparece e não apresenta as contas municipais exigidas nas intimações do TRT.


Trabalhadores em greve da saúde fazem manifestação contra Crivella

Em suas redes sociais, o prefeito chegou a afirmar que a crise da saúde é falsa e que é inventada pela Globo, uma absurdidade sem tamanho depois do desmonte que realizou.

Nós, do Esquerda Diário, prestamos apoio a esta luta, dispondo os recursos a disposição de divulgar e fortalecer a greve dos trabalhadores da saúde, de denunciar a realidade da saúde e chamamos a todos os trabalhadores da saúde e usuários a mandarem suas denúncias e depoimentos.




Tópicos relacionados

Greve na saúde do Rio   /    Saúde Pública   /    Marcelo Crivella   /    Crise no Rio de Janeiro   /    Sociedade   /    Saúde

Comentários

Comentar