Cultura

INCÊNDIO MUSEU NACIONAL

Crivella dá show de ignorância sobre a memória perdida no Museu Nacional

Em mensagem sobre a catástrofe que ocorreu no Museu Nacional do Rio de Janeiro, o prefeito da cidade, Marcelo Crivella, afirma que é preciso "reconstruir o museu". Crivella se refere à parte que sobrou: manter eterna a "lembrança da família imperial". O acervo de 20 milhões de peças irrecuperáveis não abalou o pastor e prefeito da cidade carioca, que tentou corrigir a nota após fúria de internautas.

segunda-feira 3 de setembro| Edição do dia

Crivella em passagem pelo Museu Nacional. Foto: Márcio Alves

O atual prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, se manifestou sobre o incêndio que destruiu o Museu Nacional e dizimou o rico acervo de 20 milhões de peças. No Facebook, Crivella afirmou que é preciso "reconstruí-lo das cinzas". A intenção do prefeito, que na primeira postagem antes de receber uma chuva de críticas, era "recompor cada detalhe eternizado em pinturas e fotos e ainda que não seja o original continuará a ser para sempre a lembrança da família imperial que nos deu a independência, o império, a primeira constituição e a unidade nacional".

O incêndio apagou a história de milhares de anos: Luzia, o esqueleto mais antigo encontrado na América latina, o maior acervo de taxidermia, o Maxakalisaurus topai, um herbívoro de 9 toneladas e 13 metros de comprimento, também se perdeu no incêndio. Diante desta perda descomunal de patrimônio histórico e cultura da humanidade, Crivella tensiona-se em reconstruir o museu para manter vivo o símbolo de colonização no Brasil.

Usuários da rede social se indignaram diante da publicação do prefeito, afirmando que a perda do acervo não tem como ser reconstruída. Em uma falha tentativa de se explicar, após a fúria dos internautas, Crivella confirmou que de fato não se referia a construir o acervo, e sim, reconstruir o que sobrou: a arquitetura do museu, que ressalta o período de colônia do Brasil.

A ignorância de Crivella, e de parte da direita reacionária frente à perda incalculável do material histórico e cultura que existia dentro desde museu é revoltante. O descaso dos governos, que com uma dura agenda de cortes deixaram às traças o museu com o 5º maior acervo do mundo, levando à esta tragédia brutal.

Leia também: Onze segundos pagando a dívida pública é equivalente a orçamento anual do Museu Nacional




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