Cultura

Crivella corta subsídios a escolas de Samba para Carnaval 2018 com demagogia sobre creches

Bernardo Aratu

Belo Horizonte

quinta-feira 15 de junho| Edição do dia

O prefeito do Rio de Janeiro Marcelo Crivella (PRB) anunciou em 2018 a Prefeitura do Rio cortará pela metade os subsídios de R$ 24 milhões às escolas de samba do carnaval carioca. Dirigentes das escolas afirmam que dessa forma não será possível realizar o tradicional desfile anual, ou ainda, ameaçam com o aumento do ingresso tornando a Sapucaí ainda mais elitizada.

A Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) disse que se "prevalecer a decisão" do prefeito Marcelo Crivella, "as apresentações das escolas de samba no carnaval de 2018 ficarão inviabilizadas". Crivella por sua vez, fez demagogia dizendo que o dinheiro iria para as creches conveniadas com a prefeitura. Só esqueceu de dizer que estas Creches são privadas e lucram com o fato da prefeitura não oferecer um serviço público para as famílias dos trabalhadores.

Crivella é bispo da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), que sempre condena os festejos do carnaval. Apesar disso, os dirigentes das principais agremiações da Liesa apoiaram a candidatura de Crivella no segundo turno das eleições do ano passado, quando o atual prefeito venceu Marcelo Freixo do PSOL.

Após a divulgação do comunicado da Liesa de não desfilar em 2018 diversos sambistas começaram a compartilhar um cartaz chamando a população para as ruas. O cartaz diz “Não deixe o samba morrer / Não deixe o samba acabar” em um fundo preto. O cartaz também faz chamado para as pessoas irem às ruas e segundo informações do jornal “Extra” pessoas ligadas ao carnaval carioca ainda convocam para uma “batucada” na porta da sede do governo municipal, neste sábado, a partir das 15h.

A iniciativa de Crivella vem acompanhada de um discurso populista de direita, que tenta jogar um direito da população trabalhadora contra o outro. Crivella diz que a população tem que escolher entre o direito ao lazer e à cultura da população trabalhadora, o qual tem no carnaval um de suas mais tradicionais manifestações populares, ou o direitos de ter creches para as crianças.

É conhecido também que os interesses das direções das escolas de samba (que são verdadeiras máfias) não é de garantir acesso à cultura e ao lazer para a maioria da população. Os dirigentes das escolas também tem seus interesses próprios. Por isso apoiaram Crivella nas últimas eleições.

Mas na realidade o que o governo de Crivella quer fazer é transferir e fazer os trabalhadores pagarem pela crise. Os capitalistas e os políticos que os representam não estão preocupados com o direito ao lazer e às creches. O Prefeito que tem seus salários de dezenas de milhares de reais, assim como todo tipo de privilégio, ao mesmo tempo oferece isenções fiscais milionárias aos empresários capitalistas ao mesmo tempo que os trabalhadores servidores estaduais recebem salários de 700 reais, com 2 meses de atraso, para viver todo o mês em uma das cidades mais caras do país, o Rio de Janeiro.

Para conseguir o dinheiro para o pagamento integral de todos os salários atrasados, para garantir o direito ao lazer, à cultura, para que o carnaval seja popular, com preço acessível a toda a população trabalhadora. E para garantir creches públicas e gratuitas a todas as crianças com idade necessária é preciso uma grande mobilização dos trabalhadores, superando a imobilidade dos sindicatos através de comitês de autoorganização e coordenação das categorias dos trabalhadores, tomando a greve geral do dia 30 de Junho em nossas mãos e como consequência de uma grande luta impor eleições para uma constituinte livre e soberana já.

Assim podemos anular o pagamento da dívida pública e colocar para fora todos políticos representantes dos capitalistas, com o fim dos privilégios dos políticos, que ganhem o mesmo salário que um trabalhador comum e que possam ser revogados de seus cargos a qualquer momento através do voto do conjunto da população.

FOTO: Bloco de Rua, verdadeira manifestação popular durante o Carnaval.




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