Educação

CRIVELLA ATACA PROFESSORES

Crivella ataca para retomar aulas : "por que um professor de 20, 30 anos não pode trabalhar?"

Desde o dia 20 de julho, Crivella tentou forçar o retorno às aulas no Rio de Janeiro. Em mais uma de suas declarações que demonstram de que lado está, atacou os professores e o sindicato.

quarta-feira 19 de agosto| Edição do dia

Imagem: Brenno Carvalho / Agência O Globo

Crivella, inclusive, comparou suas condições de trabalho com as dos profissionais da educação:

"Eu sou grupo de risco. Eu parei de trabalhar um dia?", o prefeito perguntou à secretária Municipal de Educação, Talma Suane, e ao vereador Felipe Michel (Progressista), que o acompanhavam na live de segunda feira, dia 17 de agosto, em sua página pessoal. E completou com mais uma declaração que é um demonstrativo de sua absoluta ignorância da realidade escolar:

"Então, por que um professor de 20, 30 anos sem comorbidade não pode trabalhar? Ou uma merendeira de 20, 30 anos não pode trabalhar?"

O prefeito também atacou o sindicato da categoria e a volta dos refeitórios:

"O sindicato não pensa na criança. Ele tá pensando no voto que vai ter no professor para se manter no poder (...) Infelizmente, o Ministério Público, o sindicato, a Justiça, fecharam os refeitórios das nossas criancinhas, como a gente sabe",

Seria possível realizar a distribuição de alimentos para as crianças mediante cestas básicas, sem precisar abrir os refeitórios e expor as crianças. Se o contágio da Covid-19 está caindo no Rio, por outro lado, o número de mortes ainda continua alto. São em torno de 30 a 40 mortes por dia no estado e não está descartado que haja uma segunda onda, como a que vem tomando o Amazonas, que, coincidentemente, fez o retorno antecipado das aulas presenciais. Crivella aprofunda, para forçar a reabertura das escolas, sua postura negacionista frente à pandemia, ignorando os cuidados necessários para evitar o contágio.

Em escolas que falta sabão, que as descargas dos banheiros não funcionam, como o Prefeito espera realizar um protocolo que garanta a vida da comunidade escolar e os familiares? Não há condições sanitárias mínimas nas escolas, nem distribuição de EPIs e muito menos testagem sistemática da população. Crivella fala de retornar aulas presenciais, ataca professores, mas as escolas continuam sucateadas.
Ele reivindica ensino remoto, por meio de apps, enquanto grande parte dos alunos não tem nem mesmo internet em casa. Uma medida que é excludente, se não garante acesso à rede de forma igualitária.

A Greve pela vida que está sendo construída pelos professores, através do SEPE, desde o dia 1º está correta. Nossa é batalha é para que se expandir para os outros setores que compõe a comunidade escolar, como os alunos, pais e profissionais da educação. São esses setores que serão os diretamente afetados, que deveriam decidir como e quando retornar as aulas.

Não há só professores de 20 e 30 anos nas escolas, Crivella. As escolas não são feitas só desses. Há os alunos, que podem se infectar e passar para os parentes em casa. Também as merendeiras, as trabalhadoras da limpeza, os funcionários administrativos. Isso sem contar o transporte público, que coloca em exposição a todos, pelo menos duas vezes por dia. Até mesmo os que têm essa faixa etária possuem familiares em casa que podem ser grupo de risco.

Infelizmente, a direção do sindicato não permite o elementar direito do amplo debate da proposta de greve, que veio de cima. A assembleia de greve que foi aprovada pela categoria, veio em forma de referendo de “sim” ou “não”. É preciso amplo debate mais amplo que envolva todos os setores para fortalecer a greve. Por isso, é preciso fortalecer a auto-organização nas escolas, para que cada comunidade escolar possa decidir como e quando retomar.




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