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TRIBUNA ABERTA

Crise no Congresso: PC do B deve apoiar candidatura de Rodrigo Maia

Imbróglio afeta eleição para presidência da Câmara dos Deputados e, novamente, se firmará através de conchavos desligados dos interesses dos trabalhadores

segunda-feira 9 de janeiro| Edição do dia

(Arte: André Bontempo Garcia Lima)

Recentemente atacado pela tentativa, inconstitucional, de disputar reeleição para presidir a Câmara, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) há tempos vem costurando possíveis alianças para se firmar no cargo mesmo não declarando oficialmente o interesse. Maia é um dos políticos apoiadores do golpe institucional responsável pela queda do PT da presidência da República e também filho do ex-prefeito e atual vereador do Rio de Janeiro César Maia – conhecido pelo discurso enfático do militarismo e intervenções policiais pouco “humanitárias”.

Outros nomes possivelmente fortes aparecem na disputa: os deputados Jovair Arantes (PTB-GO), Rogério Rosso (PSD-DF) e André Figueiredo (PDT-CE). Jovair Arantes e Rosso estiveram do lado favorável ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. O primeiro, inclusive, foi relator do processo na Câmara. André Figueiredo é tentativa do PDT em formar um blocão da oposição e conseguir o apoio de PT, PC do B, PSOL e demais políticos de outras legendas contrários ao afastamento de Dilma.

O tal blocão, no entanto, pode acabar não vingando, pois há visível desinteresse por parte de parlamentares petistas e do PC do B em fecharem com a indicação de André Figueiredo. Segundo o jornal O Estado de São Paulo, o atual presidente da Casa foi defendido por vários colegas, entre eles Orlando Silva (PC do B-SP), ex-ministro de Dilma. Tal posição demonstra a maleabilidade do PC do B em garantir algum benefício em troca do apoio a Rodrigo Maia e permitir a perpetuação da atual política golpista e de ataques aos trabalhadores do presidente Michel Temer. O PT também tenciona ir por esse caminho. Mantém uma ala mais “radical” para fazer a oposição ao atual governo no Parlamento, mas enfraquece a luta nas ruas, universidades e sindicatos, onde possui grande influência e atuação, sem pressionar verdadeiramente contra a política de Temer.

Rodrigo Maia enfatizou o apoio recebido por parte da atual “oposição” para chegar ao comando da Casa e vislumbra repetir o feito para se estabelecer no cargo. Jovaír Arantes e Rogério Rosso, embora adversários na disputa, apenas estabelecem diferenças interpretativas quanto às normas regimentares do Congresso para emplacarem suas candidaturas. Na atuação política, carregam preceitos conservadores que podem representar retrocesso político no país, além de estarem empenhados quanto à agenda de reformas, cortes e – já vimos essa novela – precarização dos serviços públicos como saúde e educação. O PDT por enquanto tenta alçar a candidatura de oposição, mas enfrenta relutância dentro do próprio grupo que diz representar. Uma das intenções do partido, também, é dar visibilidade à legenda para a candidatura de Ciro Gomes ao cargo de presidente da República em 2018.

A priori estarão mantidas as velhas práticas de conchavos para obter o comando de uma Casa desacreditada por grande parte da população brasileira. As candidaturas não representam uma política real de enfrentamento às medidas do presidente Temer e buscam tirar proveito do atual quadro de crise para “abraçar” um governo federal com visíveis dificuldades de se comunicar com a população e acuado pelos joguinhos de poder. Michel Temer será peça fundamental nas discussões partidárias para determinar os próximos rumos do legislativo. Precisa manter sua base, mas também agradar a oposição para evitar maiores desgastes ao tumultuado cenário político em Brasília. A dita Ala Esquerda do Congresso, em sua maioria, também busca tirar proveito do atual momento para melhorarem sua imagem perante a população e fortalecer seus nomes para as próximas eleições. O verdadeiro combate à crise e à corrupção por uma via em prol dos interesses e necessidades da população parece, novamente, ter ficado de fora do script.




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