Educação

CRISE UNIVERSITÁRIA

Crise nas universidades federais faz cortes atingirem trabalhadores terceirizados

A terceirização é uma forma de trabalho precário que não se deve reivindicar e, mesmo dentro das universidades públicas, ainda assim mesmo esse trabalho precário é o primeiro a ser tirado das mãos dos trabalhadores deixando-os na rua. Mais uma vez, em meio a crise, os primeiros a serem atingidos são os negros.

quinta-feira 3 de agosto| Edição do dia

Foto: Júlio Viana

A Universidade Federal do Espírito Santo está usando detentos para limpar o campus, a da Paraíba está com 42 obras paradas e a de Santa Maria demitiu 43% de seus seguranças. O Sindicato Nacional dos Docentes (Andes), diz que as verbas das universidades vão durar apenas até setembro. Os cortes foram impostos pelo Ministério da Educação (MEC).

Os custos das universidades são com contas de luz, água, manutenção e pagamento de funcionários terceirizados. A lei, contudo, não obriga o governo a arcar com esses custos, o que faz com que os cortes atinjam diretamente essas demandas. No total foram cortados 15% do orçamento das universidades.

O contingenciamento foi anunciado pelo governo golpista de Temer em março e afetou R$ 3,6 bilhões de despesas diretas do Ministério da Educação. O corte fez com que as universidades e institutos diminuíssem ainda mais os seus gastos, que já eram menor que os de 2016. Ou seja, duas diminuições, a do orçamento em si e a do corte.

As universidades encontram-se em estado de caos e inviáveis para circulação. Jacob Paiva, secretário do sindicato diz que “Em muitos lugares os funcionários terceirizados foram demitidos e as universidades estão quase inviáveis. Como funcionar sem ter alguém que faça a limpeza ou que faça a segurança?”.

Sobre as críticas em relação à má gestão das universidades, Paiva diz que “Há um controle da gestão, sempre dá para aprimorar, mas o problema é a diminuição de recursos em um contexto de expansão. Há precarização e diminuição da qualidade do trabalho". O sindicato defende que para aumentar o orçamento, seja aplicado 10% do PIB para educação, pois economizar nessas pequenas coisas não resolve o problema de falta de recursos.

A UnB já demitiu 34 trabalhadores da limpeza, 14 jardineiros, 37 da manutenção, 22 da garagem, 32 vigilantes, 62 das portarias e 8 da copa. Na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), dos 129 vigilantes da instituição, 56 já foram demitidos. Já a reitoria da Universidade Federal de Pelotas demitiu 50 funcionários e extinguiu 30% das bolsas de pesquisa e de extensão.

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) afirma em nota que: “Logramos redução significativa em gastos com limpeza e segurança, mas ainda não conseguimos reduzir a nossa maior conta, o gasto com energia elétrica”. Hoje o grande escândalo foi o corte de bolsas da CNPq na UFRJ. O pró-reitor das Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes, Anilton Salles, também firmou parceria com a secretaria estadual de justiça para que 150 presos atuem na limpeza do campus.

Veja também: Temer corta as bolsas CNPq da UFRJ depois de gastar 3 bi na compra de votos de deputados

Na Universidade Federal do Piauí (UFPI) já há reclamação por falta de insumos nos laboratórios da graduação. Na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), o reitor Pedro Rodrigues Curi Hallal afirma: "Afora a absoluta insuficiência da verba de capital, estamos tendo dificuldades quanto ao pagamento das contas regulares da universidade, especialmente as que dizem respeito aos serviços terceirizados e às despesas com energia elétrica, água e telefone", disse.

Essa crise é uma falácia, pois todo esse caos visto nas universidades colocam a conta nos míseros salários das terceirizadas enquanto não questiona em nenhuma instância os super salários de professores que fizeram carreira e dos reitores. Ainda assim, há dinheiro para aumentar ainda mais os salários dos políticos e comprar votos dos deputados, como sempre, mas não há dinheiro para bolsas e pesquisas e para a mínima manutenção. A crise capitalista está sendo jogada nas costas da juventude e dos trabalhadores e isso não pode ser permitido. As vidas dos grandes capitalistas não estão sendo prejudicadas e por isso devem ser os capitalistas a pagarem pela crise que criaram. A educação vale mais do que os lucros deles.




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