Economia

CRASH SEM FIM

Crise econômica: para a OIT até 25 milhões de pessoas podem perder seus trabalhos

Enquanto as bolsas do mundo aprofundam seu colapso, a chanceler alemã Ángela Merkel advertiu que resolver o impacto desatado pelo coronavírus implicaria um desafio não visto desde a Segunda Guerra Mundial. A OIT (Organização Internacional do Trabalho) sustentou que por causa do coronavírus até 25 milhões de trabalhadores podem ficar desempregados.

quinta-feira 19 de março| Edição do dia

A crescente incerteza e instabilidade financeira sacude os “mercados” globais, que acumularam outra jornada de queda nesta quarta-feira, 18, superando os vermelhos do fechamento anterior. Enquanto a propagação do coronavírus continua, as quedas das bolsas europeias (3%), asiáticas (até 4%) e em Wall Street (6%) não encontram fim.

No Brasil o índice Bovespa que cotiza na bolsa de São Paulo retrocedia 7,45%, e na cidade de Buenos Aires, Argentina, o Merval se afundava em 5,22%.
O maior afundamento do dia foi para os preços do petróleo que chegou a um mínimo de 18 anos. O barril de petróleo West Texas Intermediate (WTI), chegou a 22%, e se comercializava a US$ 21,15. Por sua vez, o Brent, que cotiza no mercado eletrônico de Londres (ICE), fechou a US$ 24,93, cedendo quase 13%. A queda dos preços do petróleo por causa do coronavírus que implicou uma parada industrial na China, aprofunda a desaceleração do crescimento da economia mundial, imersa em uma crise de magnitude ainda incalculável.

Ángela Merkel, chanceler alemã, sustentou em uma mensagem televisiva que “desde a Segunda Guerra Mundial não havia um desafio para nosso país que dependa tanto de nossa ação conjunta e solidária”. Desde o instituto alemão Robert Koch, sustentaram que a pandemia pode se alargar durante dois anos e infectar até dez milhões de alemães no caso de não encontrar uma vacina.

Os Estados das principais economias do mundo como Estados Unidos, França, Reino Unido, entre outros, anunciaram somas milionárias de ajuda econômica para salvar as empresas. Isso não evitou a queda da bolsa na última quarta-feira, 18, ao mesmo tempo que se consolidam os efeitos sobre a economia de uma crise que não afeta só a saúde global.

Alerta: já não se trata somente de uma crise de saúde

As medidas sanitárias de isolamento social, combinadas com quarentenas generalizadas, em muitos países já implicam na paralisia de serviços e nos casos de maior gravidade e avanços do coronavírus, também da produção industrial. Ainda que algumas empresas optaram pela modalidade de home office, muitas atividades se encontram paralisadas. Essa situação terá efeitos concretos sobre o mercado de trabalho, desde a Organização Internacional do Trabalho (OIT) publicaram nesta quarta-feira um estudo que avalia os possíveis impactos do vírus no PIB mundial.

O informe da OIT que contempla distintos cenários, estima que poderá haver um aumento no desemprego global de entre 5,3 milhões de pessoas, em um cenário considerado como “baixo”, a até 24,7 milhões de pessoas, no pior cenário – desde um nível de base de 188 milhões em 2019. O efeito sobre o emprego da última crise global de 2008 deixou 22 milhões de pessoas sem emprego.

A OIT espera que essa contração do emprego mundial esteja acompanhada de um crescimento do subemprego em grande escala (pela redução da jornada laboral em tempos de coronavírus) e uma diminuição nos salários.

O informe estima que os ingressos laborais cairão em uma média de 860 e 4.440 bilhões de dólares. Em consequência, o consumo de bens e serviços será menor, “o que é prejudicial para a continuidade das empresas e para garantir que as economias sejam resistentes”, cita o comunicado.

Uma pesquisa realizada pela NPR / PBS NewsHour / Marist alguns dias atrás nos Estados Unidos mostrou que a pandemia já começou a afetar os domicílios estadounidenses, em que quase 1 a cada 5 casas passaram por uma demissão ou redução nas horas de trabalho.

Essas perspectivas laborais se dão sobre a base inicial de uma crise que já não é só sanitária, a expansão do coronavírus impactou em uma economia que já apresentava um débil crescimento com tendências recessivas. “Isso já não é só uma crise de saúde mundial, também é uma importante crise econômica e do mercado de trabalho que está tendo um grande impacto nas pessoas”, disse o Diretor Geral da OIT, Guy Ryder.

Pandemia, crise econômica global... e depois?

A pandemia que condena à morte as populações idosas, escancarando a decadência dos sistemas de saúde em países imperialistas, também golpeará através da crise desatada aos mais vulneráveis. Aqueles com empregos precários serão os primeiros a perder seus trabalhos antes da retração econômica.

Pensar uma saída integral à crise para que os custos não recaiam sobre os trabalhadores, implica, no imediato, em medidas de urgência necessárias, como a provisão de testes massivos gratuitos, a centralização de todo o sistema de saúde público e privado sob gestão pública e controle de trabalhadores e especialistas, proibição de demissões e licenças com garantia de salário 100% para todos os trabalhadores.

Mas isso não consegue evitar os efeitos econômicos de médio prazo. Nacionalizações, habilitação de hotéis para montar hospitais de emergências, ampliação dos gastos em saúde para a investigação científica, produção de escala de insumos médicos (álcool em gel e máscaras) que respondem a uma necessidade social. São somente amostras de medidas realizáveis, agora tomadas pelos Estados para evitar uma crise maior. A barbárie capitalista empurrou os trabalhadores italianos às ruas, exigindo a paralisação da produção. A resposta dos trabalhadores não irá esperar, eles têm em suas mãos a possibilidade de reorganizar a produção em função das necessidades sociais. Invertendo as prioridades, atacando o lucro capitalista. Para as grandes crises, são necessárias saídas profundas.

Publicado Originalmente em La Izquierda Diario.

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