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BRUMADINHO

Crime em Brumadinho se torna o pior "acidente" de trabalho do Brasil

Segundo as últimas informações divulgadas já são 84 mortes confirmadas, outras 276 pessoas continuam desaparecidas. O crime trabalhista em Brumadinho superou o total de 69 trabalhadores que morreram no desabamento do pavilhão de exposições do Parque da Gameleira em Belo Horizonte no ano de 1971.

quarta-feira 30 de janeiro| Edição do dia

foto: UOL

Do ponto de vista jurídico, acidente de trabalho “é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho dos segurados”. Usando esse termo técnico é possível afirmar que o rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão em Brumadinho (MG) já é o maior “acidente” de trabalho da história do país ultrapassando o número de mortos do que é considerado o pior “acidente” de trabalho da construção civil brasileira. O caso de Brumadinho ainda tende a se agravar dado que as buscas continuam e o número de desaparecidos continua muito alto.


(foto: Arquivo O Cruzeiro/EM - 04/02/1971)

No episódio de 1971 mencionado, 69 operários foram soterrados após a obra do pavilhão desmoronar. Testemunhas na época disseram que as autoridades ignoraram os avisos dos trabalhadores sobre problemas na estrutura e continuaram apressando. Os governantes então se eximiram de qualquer responsabilidade, o pedido de indenização para vítimas e familiares foi ajuizado apenas quase 10 anos depois e somente 33 anos depois a indenização para parentes das vítimas e sobreviventes da tragédia foi concedida pela Justiça, por responsabilidade também do então governador do estado Aécio Neves (PSDB).

No entanto, em ambos os casos fica claro que o termo “acidente” não serve para descrever os crimes cometidos pelas empresas e governantes envolvidos até o pescoço em esquemas de corrupção, negligência e impunidade, sempre interessados nos lucros dos capitalistas, sejam empreiteiros ou mineradores, em detrimento da vida de dezenas e dezenas operários que acabam perdendo sua saúde e até mesmo morrendo quando se arriscam dia a dia para garantir os seus sustentos e de suas famílias.

Não bastasse o episódio de Mariana em 2015 quando o rompimento da barragem do Fundão matou 19 pessoas além de ser o maior desastre do país em termos ambientais, e que segue impune mas que poderia ter servido como lição, a Vale e os governos estaduais e federal sujam mais uma vez as mãos de sangue operário.

É preciso lutar pela re-estatização da Vale e de todos os serviços, sem nenhuma indenização a esses parasitas que lucram com as riquezas do país e mesmo sobre os nossos cadáveres continuam enriquecendo, colocando-a sob gestão de seus trabalhadores e especialistas do meio ambiente, com controle popular para garantir as mais seguras práticas de mineração e trabalho, para que as grandes fortunas do subsolo do país sirvam não mais aos interesses dos imperialistas, mas sim do povo brasileiro, garantindo saúde, educação, transporte e moradia a milhões de pessoas.




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