Internacional

Crianças imigrantes separadas de suas famílias nos EUA: horror nos campos de detenção

Após o início da política de "tolerância zero" com a imigração, vieram à tona vídeos e fotos que escancaram a brutalidade da situação. Nas últimas seis semanas, mais de 2000 crianças foram enviadas para abrigos e separadas dos seus pais, que foram presos. Essa medida é proposital e parte da "dissuasão" aos que planejam cruzar a fronteira.

terça-feira 19 de junho| Edição do dia

Foto: John Moore/Getty Images. Criança hondurenha durante captura de seus pais. 12 de junho de 2018.

O vídeo abaixo foi filmado na cidade de McAllen, no Texas, onde há um "local de recepção" dos imigrantes capturados tentando cruzar as fronteiras ilegalmente, montado onde antes era um armazém. São campos de detenção de imigrantes, a barbárie imperialista vista antes na Europa e no Mediterrâneo agora também se vê nos EUA. Os imigrantes estão separados por grades e muitas famílias estão separadas dos filhos:

Somente neste ano, 108.000 pessoas foram capturadas cruzando as fronteiras nesta área, do Rio Grande Valley, sendo 36% delas famílias. São uma maioria de latinos e negros, fugindo das condições de vida miseráveis de seus países, fruto do atraso imposto por outras nações e do saque feito por países imperialistas, como os próprios Estados Unidos.

Somente durante a triagem, a média de tempo que passam no abrigo é de 4 dias, com muitas famílias separadas de crianças de 4 até 12 anos. Após a triagem muitos são presos e as crianças são levadas para abrigos e tratadas como se tivessem entrado sozinhas no país, sem uma preocupação da administração para que as famílias se juntem ao final do processo.

Declaração de Donald Trump

Ontem Trump fez uma declaração recheada de absurdos, xenofobia e racismo, em que disse que "um país sem fronteiras não é um país de verdade" e que "morte e destruição [foram] causadas por pessoas que vieram a esse país sem passar por um processo". Talvez ele estivesse se referindo aos ingleses e europeus que ocuparam o território que hoje são os EUA a partir do século XVI e no século XIX promoveram um genocídio contra a população indígena nativa.


Foto: Loren Elliott/Getty Images. Mulheres imigrantes que acabavam de ser liberadas da detenção. 17 de junho de 2018.

Trump continuou com os absurdos, dizendo também que "eles [os imigrantes] podem ser assassinos, ladrões e muitas coisas mais", e que "os EUA não serão um campo de imigrantes, e não serão um local de recepção para refugiados".

Essa política é parte da estratégia de Trump de dividir os trabalhadores e o povo pobre apontando como um dos principais responsáveis pela situação do país os imigrantes, sem apontar as verdadeiras culpadas que são as grandes empresas que superexploram dentro e fora dos EUA, lucram bilhões e ditam as regras.

A hipocrisia imperialista é que enquanto fecham suas fronteiras para os imigrantes — e Trump prometia em sua campanha até a construção de um muro! — impõem que as fronteiras dos outros países estejam abertas a suas empresas, que exploram e roubam riquezas, e a suas políticas econômicas, como a austeridade fiscal e os cortes em saúde, educação e previdência para pagar a eterna dívida pública dos países da América Latina. Os EUA geram a pobreza e as guerras no mundo, e depois perseguem os que fogem delas.

As novas políticas de diferentes imperialismos, colocando à frente agressivamente seus interesses nacionais reacende não somente a possibilidade de guerras comerciais, como a que se desenha entre China e EUA, mas também de renovado roubo dos países pobres e semi-coloniais e da miséria da população, em especial os mais vulneráveis, como as crianças.

A barbárie das fotos, vídeos, relatos ecoa a barbárie vista na Europa em todos últimos anos. O imperialismo mostra a cara decadente e degradante do capitalismo, seu absoluto descaso e desprezo com os seres humanos, impondo sofrimento até mesmo às crianças.

Fontes: Los Angeles Times; HuffPost.




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