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Crianças imigrantes são medicadas a força nos centros de detenção dos EUA

O pesadelo dos menores imigrantes detidos pelo governos dos Estados Unidos inclui, além da separação de suas famílias, a aplicação forçada de medicamentos.

sexta-feira 22 de junho| Edição do dia

Imagem: U.S. Customs and Border Protection’s Rio Grande Valley Sector via AP

Segundo documentos legais citados pelo The Huffington Post, a Oficina de Assistência dos Refugiados (ORR) aplica de maneira forçada, doses de psicotrópicos em crianças imigrantes detidas. Clonazepam, Duloxetina, Geodon, Guanfacina, Olanzapina, Latuda e Divalproex são alguns dos medicamentos aplicados a força nos menores imigrantes identificados.

Alguns dias depois que a separação forçada de famílias imigrantes desatou um nível de escândalo internacional, que derivou no anúncio de uma nova ordem para manter “as famílias unidas” (detidas, porém juntas), a acusação de uso de medicamentos em menores é um novo capítulo do horror das politicas anti-imigrantes da administração de Donald Trump.

Os documentos citados pelo THP, que formam parte de uma demanda apresentada no dia 16 de abril em torno do acordo de Flores, recolhe testemunhos de menores que asseguram ter sido forçados a ingerir até nove pílulas de um medicamento pela manhã e mais sete pela tarde. Até cinco tipos de psicotrópicos distintos foram dados às crianças detidas. Ainda que a denúncia se fixa no Centro de Tratamento Residencial Shiloh, em Manvel, Texas (onde em 2014 um menor morreu fechado num armário, evidência da violência que acontece nestes centros), o problema é generalizado, denunciam os advogados.

O acordo de Flores, que data de 1997, rege as condições de detenção das crianças imigrantes. Os testemunhos dos menores não se reduzem, no entanto, a narrar a administração ilegal de pílulas, mas dão conta da violência, ameaças e enganos por parte das autoridades imigratórias para forçar as crianças a consumir os medicamentos, que também são injetados. As consequências registradas pela aplicação desses remédios são também brutais. Aumento brusco do peso e impossibilidade para caminhar são algumas delas.

A ORR recebe menores e os abriga até que apareça um “patrocinador” ou familiar. Ao não poder ser reassentados em sua totalidade (considerando a grande totalidade de menores que viajam sozinhos), ao menos 200 menores continuam sob a custódia do governo norte-americano. Alegando que muitos destes menores apresentam traumas e transtornos, como o de estresse pós-traumático, a ORR expõe a saúde das crianças imigrantes, em sintonia com a história dos centros residenciais, onde se constatou que o uso de psicotrópicos busca minar a vontade do sujeito e submetê-lo ao controle daqueles que detém sua custódia. Centros como o de Shiloh, revela o artigo citado, são casas de horror onde se tem denunciado casos de abusos sexual e físico contra crianças imigrantes.

Esta notícia revela mais um aspecto da brutalidade com que a política de “tolerância zero”, exacerbada pelo governo de Donald Trump, mas que registra seus princípios em governos anteriores ao republicano, tem impactado os milhares de trabalhadores que viajam para os Estados Unidos em busca de melhores condições de vida. Devemos exigir, com a força das organizações operárias, imigrantes e de direitos humanos de ambos os lados da fronteira, a liberação imediata de todos os imigrantes detidos, assim como o fechamento imediato dos 17 centros de detenção nos EUA.




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