Internacional

Cresce a solidariedade com a capitã Carola Rackete, presa na Itália por resgatar imigrantes

A capitã do barco humanitário Sea Watch 3, Carola Rackete, será interrogada em um tribunal na Sicília depois de ser detida após atracar em Lampedusa com 40 migrantes a bordo.

segunda-feira 1º de julho| Edição do dia

A jovem alemã, de 31 anos, se encontra em prisão domiciliar desde a madrugada de sábado, quando ingressou com seu barco no porto da ilha italiana de Lampedusa. A capitã sabia o que enfrentava quando levantou âncoras e partiu para o porto. Mas a situação já era insustentável na embarcação, que se encontrava em alto mar depois de ter resgatado 40 imigrantes fazia 17 dias.

Uma vez em território italiano, a capitã foi presa pela polícia italiana, enquanto um pequeno grupo de extrema direita a gritava todo tipo de insultos racistas.
Rackete foi transladada para Agrigento (Sicília) onde a fiscalização do Estado italiano solicitará a validação da sua prisão. A acusam de desobedecer às ordens de embarcações de guerra italianas, e por entrar sem autorização em águas italianas, delitos que somam penas de 3 a 10 anos de prisão.

Matteo Salvini, ministro do interior italiano, é o principal promotor de seu encarceramento, com a intenção de manter uma política “exemplar” de criminalização contra todas aquelas organizações e pessoas solidárias que intentarem resgatar imigrantes de uma morte certa no Mediterrâneo. Neste domingo solicitou que se valide a prisão de Rackete e anunciou que, em caso de a capitã ser liberada em espera de julgamento, pedirá a expulsão imediata do país.

A detenção de Rackete tem gerado tensões na União Europeia. Os governos da Alemanha e França se pronunciaram contra a postura do governo italiano neste tema. O presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, disse que “quem salva vidas não pode ser criminalizado”, algo que foi rapidamente respondido por Salvini, que pediu que Steinmeier se ocupasse de seus próprios assuntos. Também o presidente da Siemens se pronunciou no Twitter contra a prisão de Rackete, afirmando que “as pessoas que salvam vidas não deveriam ser presas”.

O plano de fundo dessa polêmica é o papel da Itália como fronteira exterior da União Europeia e um dos principais pontos de chegada de migrantes. De conjunto, todos os países da EU fortaleceram as políticas de mão dura contra a imigração, erguendo cercas, acelerando deportações e mediante acordos com Turquia, Marrocos e Líbia para que atuem como custódios exteriores das fronteiras da Europa-fortaleza. Mas Salvini proclama políticas ainda mais duras e com estas ações de xenofobia institucional busca consolidar sua posição como a principal figura de extrema direita na Europa e ao interior do governo italiano.

A solidariedade internacional não se fez esperar. Em poucas horas, se arrecadou mais de meio milhão de euros em uma campanha online para ajudar a capitã alemã a cobrir seus gastos legais. Também tem se organizado protestos de forma urgente em frente aos consulados italianos em algumas cidades alemãs como Munique.

Rackete tem explicado que decidiu atracar o barco em Lampedusa desesperada porque não se resolvia a situação de bloqueio e descreve difíceis condições a bordo para os resgatados e a tripulação.

Nas redes sociais e em diferentes países se iniciou de forma imediata uma campanha para exigir a liberdade de Carol Rackete, que se transformou em um símbolo de solidariedade com os migrantes e contra as políticas de xenofobia e racismo que promove a extrema direita, assim como também uma denúncia contra as políticas da União Europeia que transformou o mar Mediterrâneo em uma tumba para milhares de pessoas que fogem da fome e da miséria.




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