HAITI

Covid-19 no Haiti pode levar à fome e milhares de mortes, segundo autoridades do país

A falta de leitos, respiradores, hospitais e testes são parte das condições precárias que se encontram o sistema de saúde haitiano, são apenas 90 leitos de UTI para 10 milhões de habitantes

quarta-feira 6 de maio| Edição do dia

Desde o primeiro caso do novo coronavírus no Haiti já foram registradas 12 mortes e 101 casos confirmados, se comparados a números de países que adentram alguns meses no combate à epidemia ou de epicentros, são números ainda iniciais. As autoridades do país e organizações comunitárias já alertam para a recessão econômica, o número elevado de mortes e a fome, como os graves problemas que o desenvolvimento da pandemia na ilha pode gerar.

A falta de leitos, respiradores, hospitais e testes são parte das condições precárias que se encontram o sistema de saúde haitiano, são apenas 90 leitos de UTI para 10 milhões de habitantes, uma crise sanitária e do sistema de saúde que vem antes da pandemia e vai causar impactos profundos para os trabalhadores e a população pobre. O país tenta se recuperar do terremoto em 2010 que matou 136 mil pessoas e deixou 1,5 milhão desabrigadas; seu sistema de saúde precário aponta para uma situação terrivel do povo haitiano frente a crise do coronavírus.

A recessão econômica caminhava desde o ano passado, com essa crise que se avizinha potencializada pela pandemia, o setor agrícola deve desmoronar, segundo o primeiro-ministro Joseph Jouthe. A agricultura representa 21% do PIB do Haiti e concentra a maioria dos empregos no país o que significa milhões de trabalhadores que podem perder seus empregos e não vão ter o que comer durante a pandemia. O governo de Porto Príncipe vem impondo medidas autoritárias como a restrição das atividades econômicas durante 3 dias, protestos surgiram na cidade contra tal medida que na prática impõe aos trabalhadores duas “escolhas”, ou morrer de fome ou de coronavírus.

A grave crise que se avizinha no Haiti pode ser entendida a partir das marcas profundas deixadas pelo imperialismo e o racismo sobre a primeira república de negros ex-escravizados. Recentemente, Trump e os EUA tentaram roubar, literalmente, os médicos haitianos para atenderem as demandas do sistema de saúde norte americano, assim como fizeram com os respeiradores que vinham para o Brasil. O racismo e machismo têm sido uma arma fundamental para os capitalistas na crise do coronavírus para descontar nos negros e negras a conta dessa crise. Entre eles, mas também entre os latinos, estão o maior número de infectados e mortos, o imperialismo e governos como de Jovenel Moise querem fazer o Haiti sangrar ainda mais, mas a força para impor uma reconversão da produção para suprir as necessidades da crise, como o combate a fome, e para impor uma testagem massiva da população, recai num povo que tem em seu passado a linda história de ter posto fim à escravidão.




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