Educação

RETORNO ÀS AULAS EM SP

Covas quer reabertura em outubro, mesmo com inquérito apontando riscos se aulas voltarem

Hoje, 17, durante coletiva online de imprensa, Bruno Covas (PSDB) e seus secretários declararam reabertura de universidades e escolas municipais para atividades extra-curriculares a partir de 7 de outubro.

quinta-feira 17 de setembro| Edição do dia

Foto: reprodução

No início da tarde desta quinta-feira, 17, Bruno Covas (PSDB), prefeito da capital paulista, apresentou dados de um inquérito levantado através de testes sorológicos realizados em crianças, adolescentes (todos em idade escolar) e adultos. A coletiva contou com a presença também do secretário da educação estadual, Rossieli Soares, numa demonstração de sintonia entre os dois governantes do PSDB no que diz respeito a jogar com a vida da classe trabalhadora e da juventude; e ainda com a presença do seu secretário da educação, Bruno Caetano.

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Resultados do inquérito sorológico

Os resultados não foram nada longe do que já se vinha sendo anunciado. Os que mais sofreram e sofrem com a Covid são os negros, de baixa renda e que moram em regiões com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O total de alunos da rede particular que já foram infectados, é metade do valor dos alunos da rede municipal e metade dos alunos infectados da rede estadual. Além disso, o inquérito sorológico identificou que a maioria dos alunos é assintomática, demonstrando assim que crianças e jovens são vetores em potencial de transmissão.

Apesar dos resultados ainda preocupantes e inclusive do próprio prefeito ter expressado de que não há hoje condições para o retorno seguro, existindo o perigo de uma nova onda de contaminação, Covas optou sim pela reabertura irresponsável das universidades e das escolas municipais para atividade extra-curriculares, já a partir do dia 7 de outubro. Isso seria então uma tentativa de seu governo em ir pavimentando um caminho para uma possível reabertura ainda esse ano, que é exatamente o que o mercado e as escolas privadas querem – aos quais Covas, que governa pelo lucro destes, precisa responder.

Em nomes dos lucros dos patrões e donos das escolas particulares, Covas e Doria – também do PSDB – seguem jogando com a vida da classe trabalhadora. Enquanto fazem campanha eleitoral anunciando iniciativas de acolhimento psicossocial por um lado, pelo outro deixaram milhões de alunos do município e o estado sem auxílio-merenda desde o início da pandemia. Um auxílio que já era insuficiente meses atrás e que agora é ainda mais com a disparada dos preços dos alimentos básicos.


Foto: Rossieli Soares, secretário da educação do Estado, e Bruno Caetano, secretário da educação da capital (reprodução)

Retomada das aulas

Bruno Caetano anunciou, bem em formato de campanha eleitoral para Covas, que o ensino em 2021 será integral para garantir atividades de reforço de forma presencial nas escolas que tiverem espaço físico para isso e “híbrido” naquelas onde não for possível, prometendo distribuir aproximadamente 450 mil tablets para os alunos. Ora isso não tem nada a ver com a justa demanda de muitas famílias por Educação em tempo Integral, é na verdade um grande engodo.

Qualquer trabalhador, estudante ou familiar sabe que a grande maioria das escolas não possui estrutura para isso, e além do número de tablets não chegar a metade dos alunos da rede, o Ensino à distância não supre as necessidades educacionais dos alunos e significará um aumento ainda maior da jornada de trabalho dos professores. Logo, os reais beneficiados com esse ensino híbrido são os donos das empresas das plataformas online.

Covas e seu secretário de educação também falaram sobre a contratação de cerca de 3000 mil educadores para substituir aqueles maiores de 60 anos. O quadro de professores e sobretudo trabalhadores do apoio pedagógico das escolas é insuficiente hoje. Por isso é fundamental chamar todos os aprovados no concurso de ATEs por exemplo, assim como efetivar sem necessidade de concurso aqueles contratados que já exercem essas funções.

Pode interessar: Covas ataca ATE’s através de portaria que extingue a função em SME, DRE e órgãos centrais.

A decisão sobre quando e como as escolas devem ser reabertas deve ser tomada pela comunidade escolar junto com os trabalhadores da saúd. A retomada das atividades presenciais precisa estar sobre o controle desses trabalhadores, pois são eles quem conhecem as especificidades e necessidades de cada bairro e escola, e não Doria, Covas ou seus secretários do alto de seus gabinetes.

Veja aqui a Declaração do Movimento Nossa Classe Educação:
Não à reabertura das escolas! Por um plano emergencial imposto pelas comunidades escolares!




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