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ANTI-IMPERIALISMO

Costa do Marfim. Revoltas contra a reeleição do presidente: polícia reprime e mata 4 manifestantes

Quinta-feira, 13 de agosto, manifestações eclodiram na Costa do Marfim para se opor à reeleição de Alassane Ouattara que está no comando do país desde 2010. Mas por trás da figura do presidente vendido ao imperialismo francês, é todo o regime de que o povo marfinense quer se livrar.

segunda-feira 17 de agosto| Edição do dia

Foto: AFP

Essa não é a primeira candidatura de Alassane Ouattara (ADO) que faz sublevar o povo. Já em 2010 uma crise durante o processo de eleição presidencial teve 3.000 pessoas mortas durante confrontos com a polícia. Depois, em 2015, em sua segunda candidatura, ADO era suspeito de fraude e havia aumentado muito o sistema policial e militar nas grandes cidades para reprimir protestos. Um artigo publicado no Revolução Permanente denuncia a estratégia econômica de Ouattara que serve aos interesses do imperialismo francês.

Se esse ano a candidatura foi julgada ilegal, como inconstitucional, essa não é a única razão pela qual o povo marfinense se manifesta. As condições sanitárias e as medidas tomadas pelo governo marfinense foram catastróficas. Nós escrevemos " O país dispõe de aproximadamente 80 respiradores artificiais dentro de todo o território e cerca de cinquenta vagas para cuidados intensivos com uma população de 25 milhões, segundo dados do Ministério da Saúde e Higiene Pública. Uma situação catastrófica, a qual sabe-se que, apenas entre a população urbana, 46% vive abaixo da linha da pobreza e não tem acesso a equipamentos de saúde e higiene. O distanciamento social também é impossível para os moradores de bairros populares, que vivem juntos em pequenas áreas."

Esses levantes são, portanto, o resultado de um crescente cansaço da população, que enfrenta o desprezo da classe política e do regime como um todo. E por boas razões, a Costa do Marfim é uma ex-colônia francesa com um governo cúmplice do imperialismo francês, que pilha riquezas enquanto deixa o povo marfinense na pobreza e mantém seu domínio através da repressão.

É por isso que quinta-feira, 13 de agosto, foi chamado um dia nacional de protestos. Antecipando-se, o governo proibiu todas as reuniões. Mas isso não impediu que a jornada de protestos se desse em várias cidades por centenas de pessoas, a maioria jovens. Em alguns bairros, forças de controle de manifestações foram fortemente implantadas. Vários confrontos estouraram, entre aqueles que tentaram paralisar grandes eixos de tráfego internacional, e a polícia. O número de mortos na repressão é de quatro mortos: um jovem em Bonova em confronto com a polícia e três outros em Daoukro durante confrontos entre apoiadores de Ouattara e manifestantes. Tal como acontece com os levantes por causa da crise de saúde, a única resposta do Estado é uma resposta muitíssimo autoritária.

Ao se opor ao regime e sua polícia, os manifestantes estão abrindo caminho para desafiar o imperialismo e seus interesses na região, tal como o Líbano e a Bielorrússia. Neste contexto, trata-se de denunciar os crimes do governo de Ouattara e do imperialismo francês. A solidariedade internacional é a nossa bandeira.




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