Educação

CORTE DE BOLSAS

Corte da CAPES: Mulheres somos maioria na pós e temos que ser linha de frente na defesa da Educação

Simone Ishibashi

Rio de Janeiro

sexta-feira 3 de agosto| Edição do dia

Imagem: acritica.com

No dia 1 de agosto a CAPES, a mais importante agência de fomento à pesquisa do país, publicou uma declaração na qual colocava que os cortes nos repasses feitos pelo governo golpista de Temer, que na prática ameaça a ciência no país, como discutimos aqui. Como vem sendo amplamente destacado, essa medida é a continuidade dos ataques contra a Educação, e deve suspender o pagamento de 93 mil bolsas para mestrandos, doutorandos e pós-graduandos de todo o país, além de acabar com 105 mil bolsas do PIBID afetando mais de 245 mil pesquisadores. Trata-se da consequência prática da PEC 55 aprovada pelos golpistas, e que congela os gastos sociais por 20 anos.

Essa é mais uma medida aberrante que ao lado das privatizações da Embraer e da Petrobras, que são ramos estratégicos que estão sendo desmantelados, deve levar a que o país seja ainda mais subserviente ao imperialismo, e aos interesses da classe dominante a ele associado. Afinal, para que ciência se o projeto de país que estão nos impondo dia é dia é retroceder termos uma inserção ainda mais semicolonial na divisão internacional do trabalho?

Enquanto isso trilhões são dados de presente aos banqueiros e monopólios nacionais e estrangeiros através da dívida pública. O valor destinado à Educação através do Projeto de Lei Orçamentária Anual baixará em cerca de 3 bilhões, enquanto os juízes que ganham mais de R$ 33 mil se articulam para pedir elevação de seus salários em 16%, o que custará exatamente 3 bilhões. Cada senador, por sua vez, pode chegar a custar R$ 174.489, 64 por mês! Enquanto isso pesquisadores que dedicam suas vidas para produzir ciência terão suas bolsas nos valores entre 1.500 e 2200 reis cortados.

Isso é ainda mais dramático se considerarmos que a maioria dos que estão na pós-graduação brasileira são mulheres. De acordo com a própria CAPES em 2015 teriam 175.419 mulheres matriculadas e tituladas em cursos de mestrado e doutorado, enquanto os homens somam 150.236, uma diferença de aproximadamente 15%. Apenas no mestrado acadêmico, as mulheres somaram 11 mil matrículas a mais que os homens e aproximadamente 6 mil títulos a mais foram concedidos a mulheres do nesse ano. Nos cursos de doutorado também remos um total de 54.491 mulheres e 10.141 tituladas, ao passo que os homens somaram 47.877 matrículas e 8.484 títulos naquele ano.

Mas apesar disso, as mulheres também no campo científico não têm igualdade. Muito pelo contrário. A exemplo do que ocorre em quase todos os demais setores também aí ganham menos e são menos reconhecidas. De acordo ainda com a nota da CAPES, o rendimento médio mensal real das mulheres é menor que os homens: R$ 1.480 para mulheres e R$ 1.987 para homens, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2014). Na comparação, as mulheres receberam em média 74,5% do rendimento de trabalho dos homens em 2014. Uma realidade que deve ser transformada, fazendo com que a luta em defesa das bolsas e contra os cortes do governo golpista, também coloquem a necessidade de equiparação salarial e de condições de trabalho e pesquisa para as mulheres.

Nós que estamos lutando pelo direito aos nossos corpos, combatendo o reacionarismo e o cinismo dos que em “defesa da vida” nos negam o direito ao aborto legal, seguro e gratuito, também precisamos estar na linha de frente da luta pela Educação de qualidade, pública e gratuita. E isso não se faz sem ciência e formação de docentes. Somos a maioria nas pós-graduação, e mais da metade da classe trabalhadora desse país. Temos que organizar uma resposta à altura, e exigir às burocracias da CUT, CTB e demais centrais sindicais que preparem esse combate, a começar pela UNE e ANPG em que estão o PCdoB e o PT. Em cada universidade os professores e estudantes, com as mulheres à frente, devem tomar essa tarefa e organizar ações contundentes contra mais esse ataque, abrindo caminho para que revoguemos a PEC 55, bem como a privatização da Petrobras, e impondo o não pagamento da dívida pública, para dessa forma financiar a ciência e a Educação no país.




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