Metrô de São Paulo

Corrupção das privatizações do Metrô escancarada em denúncia do Ministério Público de São Paulo

Nesta terça-feira foi noticiado por distinto meios a ação do Ministério Público do Estado de São Paulo pedindo o cancelamento da concessão da linha 5 lilás do Metrô (que liga Capão Redondo à Chácara Klabin) e afastamento do secretario de transportes de Dória, Alexandre Baldy, por improbidade administrativa.

quinta-feira 1º de agosto| Edição do dia

Na segunda feira o Ministério Público do Estado de São Paulo entrou com ação expedida pelo promotor Marcelo Milani, pedindo o cancelamento da concessão da linha 5 Lilás do Metrô e afastamento do secretário de transportes por improbidade administrativa.

A linha 5 lilás é hoje operada pela ViaMobilidade, empresa concessionária do grupo CCR e que por sua vez possui entre seus acionistas as empresas Andrade Gutierrez e a RuasInvest, empresa do grupo Ruas. Ainda segundo a matéria, ambas empresas acionistas do grupo CCR, estão em débito com a União – a Andrade Gutierrez se encontra em recuperação judicial e o Grupo Ruas deve mais de 2 bilhões aos cofres públicos – o que por sí já seria motivo para barrar a concessão à CCR. Milani argumenta que o governo teria recebido estas informações e que mesmo assim prosseguiu com a concessão, por isso então o pedido de afastamento de Baldy.

Ao mesmo tempo que precisamos acompanhar os desdobramentos desta denúncia, nós trabalhadores temos que ter claro que o problema da corrupção nas concessões das empresas públicas não está limitada à linha 5 do Metrô. É a própria CCR quem administra a linha 4 amarela, fato que nem de longe é colocado nesta denúncia. As empresas públicas são entregues para a administração privada que arca somente com o lucro, enquanto o Estado precisa ficar a cargo dos custos e inclusive de cobrir os lucros destas empresas quando não atingem o patamar esperado, uma das maneiras mais descaradas dos capitalistas parasitas - que são uma verdadeira máfia de colarinho branco - enriquecerem ainda mais as custas do povo trabalhador.

As e os trabalhadores metroviários conhecem bem os efeitos práticos da política de entrega das empresas públicas para o setor privado. As centenas de demissões nos últimos anos de metroviários, com critérios questionáveis, como avaliação de desempenho é uma clara mostra da adoção de modelos de gestão vinculadas ao setor privado. Vimos também no mês de julho a demissão sumária de 34 metroviários, todos com mais de 30 anos de serviço, onde a empresa se apoiou em uma PL que flexibiliza a demissão de funcionários contratados sem concurso público, expressão da política do governo Dória em seu projeto de privatização do Metrô.

Por isso somos nós quem devemos levantar as bandeiras contra a privatização, não somente pela reestatização de todas as linhas do Metrô com controle dos trabalhadores e da população, como também para barrar o projeto de Dória de entrega das linhas da CPTM, em vias de desenvolver a mobilidade urbana (ônibus, CPTM, Metrô) em prol de quem realmente necessita – o povo trabalhador e população das periferias -. Esta pode ser uma perspectiva para colocar os trabalhadores do transporte como linha de frente para enfrentar o projeto do golpismo que busca descarregar o custo da crise nas nossas costas, como veem fazendo com a aprovação da reforma da previdência de Bolsonaro, que passou em primeiro turno no congresso com o apoio dos governadores do PT do nordeste, apoiados também pela total inação da CUT, dirigida pelo PT e da CTB, dirigida pelo PC do B, as duas centrais que hoje são direção do Sindicato dos Metroviários.

Também neste sentido, nós do Esquerda Diário e Movimento Revolucionário de Trabalhadores estamos acompanhando as eleições do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, onde a chapa 4 – Nossa Classe Metroviários – está se apresentando como a alternativa dos trabalhadores que desde sempre se colocou contra o autoritarismo judiciário que sustentou e ainda sustenta o golpe institucional através da Lava Jato, colocando que tanto o impeachment quanto a prisão arbitrária de Lula eram parte de um mesmo projeto de país, que visava a entrega das riquezas nacionais ao mercado financeiro através da ilegítima dívida pública, para isso rifando ainda mais os direitos da classe trabalhadora, primeiro com a aprovação da Reforma Trabalhista e agora com a da Previdência.

As privatizações também são parte deste desmonte de direitos e por isso precisamos levantar em conjunto a luta pela reestatização com controle dos trabalhadores e da população e a luta contra o golpismo e ataques de Bolsonaro.




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