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Correios fecha 1800 agências do Banco Postal "porque não dão lucro"

sexta-feira 29 de setembro| Edição do dia

O serviço do Banco Postal será "descontinuado" porque os Correios, segundo sua assessoria de imprensa, não têm condições de arcar com os custos para atendimento de decisões judiciais de várias cidades brasileiras.

A tendência, conforme fontes, é que essas decisões judiciais se alastrem por mais cidades. A intenção dos Correios era repassar essa despesa para o Banco do Brasil, que tem contrato para operar com o Banco Postal, o que não deu certo.

Com a decisão dos Correios, o Banco do Brasil terá que transferir o pagamento de 81,2 mil beneficiários para outros bancos. Outras 56,7 mil passarão a receber o benefício nas agências do banco estatal.

Esta migração de agências devido à sede de lucro de Guilherme Campos, presidente dos Correios, vai prejudicar 137 mil aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Serviço Social (INSS), que terão de se dirigir a outros municípios para receber o benefício.

A falta de dinheiro no orçamento dos correios não vem a toa, após quase nove meses da implementação da PEC 55, que institui o teto de gastos para gastos primários, as empresas públicas tem sofrendo duros golpes, não a toa a estratégia privatista fundamental: precarizar serviços para justificar a privatização.

Em audiência pública no Senado, Guilherme Campos disse que tem consciência de que fechar o Banco Postal "afeta de maneira profunda" vários municípios em que não há agências bancárias. Sabendo do ataque, revela que "Não temos condições de subsidiar o Banco Postal em localidade que não seja lucrativa."

Além de atacar os trabalhadores, terceirizando e preparando a privatização dos Correios, Campos admite às claras que seu objetivo é o lucro acima dos direitos de centenas de milhares de pessoas.

Além disso, Guilherme Campos e Temer buscam precarizar ainda mais as condições de trabalho e privatizar essa grande empresa para entregá-la aos monopólios imperialistas como DHL, Fedex, UPS. Para isso, contam com a ajuda do TST, que acabou de declarar a greve como abusiva.

Veja também: 300 trabalhadores dos Correios fazem ato pelo centro de Campinas

Os trabalhadores seguem em greve, e deverão nos próximos dias organizar um ato em Brasília. São estes trabalhadores os que defendem a melhoria do serviço dos Correios, e que se dirija à população e não ao lucro.

O Esquerda Diário expressa sua solidariedade à mobilização, e mantém o portal aberto para o recebimento de fotos, notas e denúncias para ajudar a divulgar essa luta que é do conjunto dos trabalhadores brasileiros. As centrais sindicais deveriam imediatamente construir uma grande campanha contra a privatização dos Correios, organizando um fundo de greve nacional para os lutadores.

Natália Mantovan, atendente dos Correios em Campinas e militante do Movimento Nossa Classe


Manifestação dos trabalhadores dos Correios em greve, na cidade de Campinas




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