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Correios anuncia taxa de R$3 para entregas destinadas ao Rio de Janeiro

Os Correios anunciaram na última terça-feira (27) o aumento da taxação das encomendas direcionadas ao estado do Rio de Janeiro por causa da situação de violência. Segundo a empresa estatal, afirmam que o custo para entrega de mercadorias no estado sofreu “altíssimo impacto”.

quarta-feira 28 de fevereiro| Edição do dia

A cobrança emergencial estabelecida pela empresa é de R$ 3 para os envios destinados para a cidade do Rio de Janeiro. Os Correios também afirmaram que essa medida está vinculada para a “manutenção da integridade dos empregados, das encomendas e até das unidades dos Correios”. Ainda chegam a dar o exemplo de que este tipo de cobrança já é praticado por outras transportadoras, no caso privadas, desde março de 2017.

A realidade é que os trabalhadores dos Correios estão sujeitos a condições de trabalho bastante precárias, e este anúncio é mais um discurso demagógico em relação à integridade do trabalhador e condições de trabalho. No ano de 2017, os trabalhadores fizeram uma greve contra a retirada do direito ao convênio médico e contra a reforma trabalhista que começa a ser implementada na empresa. Neste mês, a direção da estatal anunciou o fim de cargos essenciais no setor de logística, como o operador de triagem e transbordo (OTT) e também proposta de mudanças de funções e “flexibilização” na jornada de trabalho. Todos esses ataques que vêm sofrendo os trabalhadores dos correios são parte de um plano maior que é a privatização da empresa, assim como uma série de empresas estatais estão ameaçadas a serem privatizadas pelo governo golpista e seus apoiadores, como o presidente dos Correios, Guilherme Campos, ex-deputado pelo PSD-SP.

O presidente da empresa já anunciou que deixará a presidência da empresa em abril, e sua justificativa é ajudar a articular a aprovação da Reforma da Previdência e preparar sua candidatura para deputado federal para as próximas eleições. Mais um sinal de que se trata de uma medida demagógica para se localizar diante da situação do Rio, sem de fato ajudar a resolver o problema. Os trabalhadores seguem enfrentando ataques na empresa, e têm indicativo de greve para o dia 12/03.

Houve já altos reajustes nos preços das postagens nacionais e internacionais. Além dessa nova taxa ser abusiva aos usuários dos correios a realidade é que em vários bairros do subúrbio da cidade já não chegam as encomendas pois são consideradas “áreas de risco”, ou seja, nunca houve anteriormente nenhuma preocupação com o serviço para a população das áreas mais pobres. Essa taxa só servirá para manter o lucro da empresa, e não resolverá em nada a situação de segurança dos trabalhadores, como os carteiros, que trabalham nas ruas.

Além disso, essa taxação, assim como as taxas que a ECT está aumentando para entrega de fretes, dão pano pra manga para campanhas de setores de direita como o MBL, em defesa da privatização dos Correios e ainda atacam os trabalhadores do Correios que trabalham em condições precárias e exaustivas nas suas redes sociais e enquetes.

A violência no Rio de Janeiro não será resolvida com mais repressão ao povo pobre, negro e trabalhador como quer o governo Temer golpista e o Estado com a intervenção federal. A violência é fruto da crise social, política e econômica que os capitalistas querem descarregar nas costas dos trabalhadores e do povo pobre, com a precarização cada vez maior dos serviços sociais como saúde, educação, transporte e retirar nossos direitos. A saída para a situação de violência no Rio é um plano de luta que as Centrais sindicais levem adiante e os sindicatos contra a intervenção federal no Rio e pela revogação da reforma trabalhista que começa a ser aplicada nos Correios e já está sendo implementada em vários locais, e seguir a luta contra a privatização dos Correios e melhores condições de trabalho.




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