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TRIBUNA ABERTA

Correa denuncia hackeio e toma partido da disputa entre Clinton e Trump

O presidente do Equador, Rafael Correa, assegurou nesta segunda, em sua conta no Twittter, que o grupo ciberativista Anonimous tentou atacar os sistemas informáticos do poder executivo.O ataque seria uma resposta à recente decisão do governo equatoriano de cortar o fornecimento de internet do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, quem há mais de cinco anos goza de asilo político na embaixada equatoriana de Londres.

quarta-feira 26 de outubro| Edição do dia

"Anonimous hackeou os sistemas da presidência, de acordo com eles, por ter "suspendido" a internet de Assange. Temo que, ..."

Dias atrás, o WikiLeaks filtrou uma série de e-mails da candidata democrata, Hillary Clinton, que afetam seu caminho na carreira presidencial contra o magnata republicano Donald Trump. Estes documentos contém supostas transcrições de discursos pronunciados por Clinton para os banqueiros de Wall Street em 2013, onde elogia a atividade financeira, se declara a favor do livre comércio e das fronteiras abertas e afirma que seu ponto de vista sobre o conflito na Síria é “intervir de forma encoberta quando for possível”. A candidata recebeu 225 mil dólares por dar esta conferência diante da banca de investidores do Goldman Sachs.

"... Contrário ao que canta Silvio Rodríguez, eles não terão sabido assumir ao inimigo. Feliz semana e ... Até a vitória, sempre!"

Além disso, no fim de maio, o WikiLeaks divulgou centenas de correios eletrônicos pessoais sobre assuntos de segurança nacional pertencentes a Hillary Clinton durante suas funções como Secretária de Estado no primeiro governo de Obama.

Clinton declarou que o ciberataque foi cometido pela Rússia, quem teria entregado esses e-mails ao WikiLeaks. No início de outubro, os Estados Unidos acusaram formalmente a Rússia de intervir na campanha eleitoral, colocando mais lenha na fogueira do confronto entre Washington e Moscou pela situação na Síria.

A situação do governo do Equador era de se esperar, já que Estados unidos é um de seus principais parceiros comerciais: a eles se dirigem a maioria de suas exportações, principalmente as de petróleo. A atitude de Assange com certeza poderia comprometer a atual e futura relação bilateral entre os ambos países.

“ Gostaria que Hillary Clinton ganhasse, conheço-a pessoalmente e a aprecio muitíssimo”, enfatizou Correa, e deixou claro quais são seus desejos políticos.

Durante o ano de 2015 o Equador exportou 7.200 milhões de dólares aos Estados Unidos e importou deles 5.400 milhões, o que representa uma balança comercial favorável ao país sul-americano. Além disso, a economia equatoriana se encontra “dolarizada” há mais de 18 anos, e nem as crises “neoliberais” nem a saída “populista” de Correa foram motores para estabelecer uma nova moeda nacional.

Por trás das acusações da semana passada, onde o WikiLeaks responsabilizou a embaixada equatoriana em Londres de deixar a Julian Assange sem internet justo após a divulgação dos documentos que afetaram Clinton, o porta-voz do Departamento de Estado Estadunidense, John Kirby, assegurou que Estados Unidos não tiveram nenhum tipo de responsabilidade na decisão.

"Podemos confirmar que o Equador cortou o acesso à internet do Assange no sábado, às 17h, logo após a publicação do discurso de Clinton no Goldman Sachs."

Dias depois, um documento emitido pela Chancelaria do Equador nega rotundamente que o país tenha “cedido a pressões de outros Estados”, e afirmou que a decisão de cortar temporariamente a conexão de Assange foi realizada por respeito a “não intervenção nos assuntos políticos e eleitorais de outros países. De toda forma, a chancelaria apontou que seguirá outorgando asilo político ao fundador do WikiLeaks.

Assim, Rafael Correa trata de conter as revelações de Assange e colaborar dando uma mãozinha à sua “apreciada” Hillary Clinton.

Tradução: Zuca Falcão




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