Gênero e sexualidade

LEGALIZA O ABORTO

Corpo de jovem morta por aborto clandestino é levado de seu velório pela polícia

Diana Assunção

São Paulo | @dianaassuncaoED

sexta-feira 9 de dezembro de 2016| Edição do dia

A Jovem Aline Franco, de 26 anos, foi mais uma vítima de aborto clandestino. Morreu nesta terça-feira (06) depois de realizar o procedimento em Porto Murtinho, a 443 quilômetros de Campo Grande, onde morava. Como se não bastasse a violência do Estado que criminaliza o aborto colocando as mulheres em situações de alto risco como essa, no meio do velório, a polícia sequestrou o corpo para investigar o suposto “crime” da vítima.

Aline morreu porque o abordo é ilegal, por responsabilidade do Estado e da Igreja que criminalizam e moralizam o debate. Não só porque foi forçada a se submeter a um procedimento clandestino arriscado, mas porque, além disso, quando precisou de socorro médico, sua amiga, por medo da criminalização, disse ao hospital que ela estava passando mal por conta do calor, escondendo a situação real de Aline, que não teve tempo de receber o tratamento adequado e faleceu na ambulância, a caminho de um hospital da capital.

O velório de Aline em Campo Grande foi absurdamente interrompido pela polícia, que retirou o corpo para ser submetido a exame necroscópico diante da suspeita de aborto. A polícia e o Estado não se preocuparam com a saúde e segurança de Aline em nenhum momento, pelo contrário, são responsáveis pela criminalização do aborto que permite que existam clínicas desse tipo, onde milhares de mulheres são mutiladas ou mortas todos os dias.

Em meio a um grande debate nacional sobre a questão do aborto, reaberto diante da votação no STF que decidiu pela não criminalização em um caso específico em Duque de Caxias, que abre um precedente e pode servir como ponto de apoio para uma forte luta em defesa da legalização do aborto, o triste caso de Aline como também outros emblemáticos como de Jandira, demonstra mais uma vez, que a legalização do aborto e sua garantia pelo Estado de forma gratuita na rede de saúde é uma necessidade pública para a saúde e vida das mulheres.

Precisamos nos mobilizar contra os políticos reacionários das bancadas fundamentalistas que querem atacar nossos direitos, retomar o escandaloso Estatuto do Nascituro e retroceder até mesmo nos pontos de apoio mais elementares como o precedente que abre a votação do STF. Sem nenhuma confiança no judiciário cheio de privilégios que não pode decidir sobre nossas corpos e vidas, é preciso levantar ainda mais alto a bandeira da legalização do aborto em nome da vida de Alines, Jandiras e todas as mulheres.

Basta de mulheres mortes por aborto clandestino!

Pelo direito pleno ao aborto, já! Educação sexual para prevenir, contraceptivos para não abortar, aborto legal, seguro e gratuito para não morrer!




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