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Coronavírus: Itália põe o país todo em quarentena e irrompem motins nas prisões

O primeiro ministro italiano Giuseppe Conte assinou um decreto que põe em quarentena 60 milhões de pessoas em todo o país. As restrições e a precária situação sanitária das penitenciárias geraram motins nas prisões que foram reprimidos, e durante os quais morreram ao menos sete pessoas.

terça-feira 10 de março| Edição do dia

Copiando a política chinesa de colocar em quarentena a população da cidade de Wuhan onde se originou o coronavírus, o governo italiano resolveu na segunda-feira adotar uma medida radical e decidiu colocar em isolamento. É um estado de sítio de fato, que na China se pode levar adiante a partir de uma brutal repressão aos habitantes e que na Itália pode ter efeitos explosivos.

Desta maneira, a Itália terminou essa segunda feira com toda sua população em quarentena, uma vez que se converteu no segundo país, atrás da China, em número de mortos pelo vírus.

A histeria causou além disso o esmoronamento da Bolsa de Milão, que fechou com uma queda de 11,17% e os juros primários, que medem o diferencial entre o bônus italiano a dez anos e o alemão do mesmo período, disparou até os 227,8 pontos, frente aos 178 em que fechou na sexta-feira. Dessa maneira se somou à segunda-feira negra vivida nos mercados do mundo sob a combinação dos efeitos econômicos do coronavírus e a baixa abrupta do petróleo pelas disputas entre Arábia Saudita e Rússia.

Segundo o últimos dados da Defesa Civil, o coronavírus já causou na Itália 463 mortos e 7985 pessoas estão atualmente contagiadas.

Motim nas prisões

Além da quarentena, o governo suspendeu de forma temporária as visitas às prisões por parte de familiares o que provocou uma reação imediata com motins de centenas de presos em trinta prisões por todo o país. A desculpa do governo é que apesar das prisões se encontrarem ou não nas zonas mais afetadas, as penitenciárias podem ser um foco de infecção, o que foi respondido pelos internos pedindo liberdade ou melhores condições para evitar o que poderia ser uma morte segura.

Durante esses motins e a repressão do governo já morreram ao menos sete pessoas.

Segundo a agência Efe, numa prisão de Foggia, em Apulia (região sul), os presos arrombaram a porta e saíram às ruas de forma massiva. As informações locais apontam que ao menos 50 teriam escapado e destes 38 teriam sido capturados e devolvidos a prisão, mas fontes do sindicato da polícia penitenciaria denunciaram que 300 teriam fugido e 70 haviam sido recapturados.

Na prisão de San Vittore de Milão, vários reclusos subiram ao telhado e atearam fogo em lençóis enquanto gritavam que queriam liberdade, e na prisão Ucciardone de Palermo houve uma tentativa de fuga com vários presos pulando o portão.

Protestos violentos aconteceram também nas prisões romanas de Rebibia e Regina Coeli, e nas cidades de Augusta, Bologna e Prato.

“Os detidos tem medo que numa situação de contagio o sistema esteja totalmente incapacitado. É como se dissessem: ’já nos custa as vezes conseguir um medicamento, veremos como podemos fazer frente a uma situação complexa’”, explicou à agência Efe o responsável a nível nacional dos direitos das pessoas detidas ou privadas de liberdade pessoal, Mauro Palma.

As ruas ao redor dessa prisões tem sido fechadas ao tráfico e rodeadas pela polícia e membros do corpo de policiais e anti-distúrbios.

O governo teve que dar conta da magnitude da crise e negociar ao menos algumas condições sanitárias básicas diante da situação calamitosa de reclusão. Enquanto o chefe da defesa civil, Angelo Borelli, desse que a partir de amanhã, terça-feira, de distribuiriam 100.000 máscaras nas instituições penitenciarias, onde instalaram 80 pontos de avaliação para a detecção do coronavírus, há uma proposta para que presos que estejam a ponto de cumprir sua pena possam completa-la em prisão domiciliar para evitar problemas de vacinação.

Os motins nas prisões são apenas a primeira expressão da crise que pode se estender a toda a Itália soba suspensão dos direitos civis básicos e o isolamento de fato de milhões e pessoas.




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