Cultura

Cordel do Fogo encantado anuncia seu retorno

Dia 6 de abril será o lançamento do novo disco da banda, intitulado Viagem ao Coração do Sol, e pela primeira vez toda a produção da banda está disponível nas principais plataformas de streaming.

Gabriela Farrabrás

São Paulo | @gabriela_eagle

sexta-feira 23 de fevereiro| Edição do dia

Cordel do Fogo Encantado foi desde seu primeiro disco uma das bandas brasileiras mais atraentes por trazerem uma sonoridade única longe do ponto comum da nova MPB. Misturando a sonoridade do sertão brasileiro com uma roupagem rock, sem descaracterizar o que é esse som sertanejo, com a forte poesia de Lirinha, o violão marcante de Clayton e os tambores dos ogãs, Nego Henrique e Rafa Almeida. A banda formada por esses grandes músicos, anunciou o lançamento de seu quarto disco para o dia 6 de abril - e por aqui já estamos ansiosos pra fazer a análise desse disco.

Para além do retorno aos palcos, um novo disco, outra novidade é a disponibilização de seus três discos nas principais plataformas de streaming.

Cordel do Fogo Encantado surgiu em 1997 de um grupo cênico de Arcoverde, interior de Pernambuco, sertão do nordeste brasileiro; um grupo que misturava teatro, poesia oral e escrita, típica dos contadores de história sertanejos - que trazem até hoje no seu nome através do termo cordel -, e ritmos afro-indígenas.

Depois de muito correr o interior do Pernambuco com suas apresentações, em 1999 foi atração do festival de Recife Rec-Beat se alçando a nova promessa da música nacional, lançou seu primeiro disco em 2001 com a produção do grande Naná Vasconcelos, com o mesmo nome da banda, Cordel do Fogo Encantado, em 2003 lançou O palhaço do circo sem futuro, produzido por eles mesmos em parceria com Buguinha Dub e Ricardo Bolognine, e considerado pela crítica como um dos mais inventivos discos nacionais. O ultimo disco da banda, até então, foi o Transfiguração em 2006, produzido por Carlos Eduardo Miranda e Gustavo Lenza.

"A mística que envolve o Cordel se manteve suspensa durante esses anos. Inicialmente, éramos um grupo de teatro, o nome da banda era o título de um espetáculo sobre o fogo encantado. No nosso primeiro disco contamos este cordel, ou seja, esta história. Depois falamos de um palhaço de um circo sem futuro, uma metáfora da existência humana, e, por fim, na turnê do álbum Transfiguração, apresentamos um cenário que se recolhe para uma espécie de pausa, algo bem significativo para o momento em que se deu, mesmo não sendo planejado" - Lirinha

Depois de muitos outros trabalhos, como participações no filme Deus é Brasileiro, de cacá Diegues, a banda anunciou a paralisação de suas atividades, e volta agora, após 8 anos, com um novo projeto de turnê e um novo disco a ser lançado em abril.

O novo disco, intitulado Viagem ao Coração do Sol, terá produção de Fernando Catatau, e trará canções que estavam guardadas e outras produzidas exclusivamente para o disco em si. Um diferencial do Cordel do Fogo Encantado sempre foi suas turnês muito bem pensadas para serem um espetáculo dialogando profundamente com seus discos; se na turnê de Transfiguração apresentavam “um cenário que se recolhe para uma espécie de pausa, algo bem significativo para o momento em que se deu, mesmo não sendo planejado”, a turnê do novo disco será como uma continuação desse movimento, "agora é momento de sair para o sol, florescer, caminhar em direção à luz, sair de dentro da terra, rasgar o casulo", completa Lirinha. Na iluminação de palco, contam com um antigo parceiro da banda, o iluminador Jathyles Miranda, que acompanha o grupo desde o início.

"Fizemos uma opção estética de não sermos um grupo de releitura ou de glorificação do passado. As novas letras vão dialogar com os sentimentos humanos, com aquilo que nos cerca. Já musicalmente, o Cordel mantém a característica de sempre surpreender", - Lirinha.

Mas porque retornar depois de 8 anos? A paralisação da banda nunca foi por grandes problemas internos, Lirinha decidiu sair da banda para produzir e se dedicar a outras coisas: "Estava há 13 anos sem pausa no Cordel e senti uma necessidade pessoal de experimentar outras formas de compôr. Mas o fogo se manteve aceso, as pessoas que admiravam o trabalho não deixaram a chama se apagar". Por esse motivo o vocalista declara que o retorno foi muito natural. "Quando nos reencontramos, parecia que estávamos apenas continuando um assunto que tinha ficado no ar. Não teve nenhum estranhamento, somos como uma família, descobrimos muitas coisas juntos. Com certeza é uma retomada em um mundo bem diferente, nós também mudamos, mas a essência permaneceu"

Um fato decisivo para o retorno da banda foi a morte de Naná Vaconcelos em 2016: "Então, quando estávamos reunidos no dia em que ele faleceu, comentamos que tínhamos que voltar para cantar para Naná", relembra Lirinha. E completa: "Alguns momentos me deram muita saudade do Cordel, foi quase impossível não pensar neste retorno. Queria muito que Naná tivesse visto a volta, então, a morte dele mexeu comigo".

"Foi um pouco estranho ter que omitir sobre a volta e, ao mesmo tempo, estar no estúdio gravando. Tudo isso trouxe uma questão emocional que tive que lidar. E agora estou na expectativa de como vai ser, afinal, o mundo mudou bastante desde que anunciamos o fim da banda. Estou bastante curioso para ver o que vem por aí" - Clayton Barros

Outro fator importante para o retorno da banda foi a alta procura pelos seus discos, que não foram lançados em plataformas de streaming, até então, e nem tiveram novas tiragens. “A obra do Cordel se tornou rara, pois não lançamos o trabalho nas plataformas de streaming e nem fizemos novas prensagens dos álbuns", comenta Lirinha. Inclusive, a procura pela discografia foi também uma das motivações para a volta: "a procura é bem grande, sempre recebemos mensagens de fãs nos perguntando sobre os discos, foi aí que começamos a entender a importância da história do grupo. Então, fomos convocados a nos mexer e organizar tudo", declara Lirinha.

"Sinto que o Recife, e até uma parte do Brasil, perdeu um pouco sem a música do Cordel, que é tão forte", diz. E completa: "Está sendo muito bom voltar a tocar, as músicas antigas e novas, enfim, é algo muito grande, viver esse novo momento é inexplicável. E estamos com a mesma energia.” - Rafa Almeida

Bom, enquanto abril não chega, corra para o Spotify, Deezer, Apple Music e Google Play para ouvir os antigos trabalhos da banda, e segura a ansiedade para essa turnê, que será com certeza um espetáculo.




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