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Copa Africana de Nações | Copa Africana de Nações ocorrerá no Camarões onde 3% da população é vacinada contra COVID

No próximo domingo, 09, irá iniciar a Copa Africana de Nações, torneio organizado pela FIFA com 24 seleções do continente africano e que será realizado em Camarões. A competição havia sido adiada em razão do avanço da pandemia no mundo e, em especial, no próprio território da África. Mesmo sem indicadores positivos para que o torneio ocorra de maneira segura para os jogadores e todos os trabalhadores envolvidos nas seleções, além das equipes de apoio ligadas à organização, o evento não foi cancelado.

Vinícius Pedro SilvaCoordenador do CACS Marielle Franco da UFRN (Ciências Sociais)

quinta-feira 6 de janeiro | Edição do dia

Quando houve a descoberta da variante Ômicron, o o mercado mundial se comportou de maneira pessimista com as quedas dos indicadores de várias bolsas de valores e do preço do barril de petróleo, além de sanções autoritárias contra os países da África como bloqueios aos viajantes, comportamentos amplamente denunciados pelo Esquerda Diário à época. O mesmo não se aplicou com a Holanda que, na ocasião, já tinha vários indícios de casos da cepa detectados em seu território.

Veja também: Novas variantes da pandemia e o velho racismo e espoliação da África

Contraditoriamente, essa percepção mercadológica não se aplica ao milionário evento organizado pela FIFA, que ignora o momento atual de pandemia no continente africano. A situação piora em Camarões, com números irrisórios de população que já se vacinou. Em um levantamento divulgado pela Our World in Data, o país que irá sediar o torneio aparece com somente 3% da população vacinada com a primeira dose. Esse número cai para pouco mais de 2% dos que estão completamente imunizados. O evento acontece em um momento em que a pandemia não demonstra estar controlada de forma alguma no país.

Vários jogadores que irão compor as suas seleções jogam no futebol europeu e fica o questionamento: por que os governos europeus, que impuseram diversas sanções racistas a países que, sequer, haviam reportado casos da Ômicron, agora se omitem diante desse evento que irá acontecer em uma nação com um índice tão baixo de vacinação? Se havia uma preocupação tão grande com o alastramento dos casos à época, seria “natural” admitir que não existem condições para se realizar o torneio agora. O “natural” do sistema capitalista não é encontrar sentido, mas a busca pelo lucro. Nesse momento o que importa é a realização de torneio para movimentar seus milhões, mesmo que às custas de um país que já é devastado financeiramente e com sua população desprotegida.

Os mesmos países que se omitem nessa questão são os mesmos que concentram vacinas que são descartadas, são os mesmos que protegem as grandes indústrias que insistem com a preservação das patentes das vacinas. Esses fatos já foram denunciados várias vezes pelo Esquerda Diário e isso demonstra a incoerência do sistema capitalista e suas enormes contradições, além da reprodução das formas de exploração coloniais, historicamente feitas pelos países europeus. Como resultado disso, os países africanos foram afundados em dívidas e vivem condições de exploração terríveis até hoje. Defendemos o cancelamento das dívidas desses países, não só as impostas pelo FMI, como também pela burocracia capitalista do PC chinês, assim como a quebra imediata das patentes das vacinas.




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