CAMPINAS

Contra servidores, Câmara de Campinas aprova Reforma da Previdência de Jonas na pandemia

Na manhã dessa segunda-feira (27), trabalhadores municipais acordaram com a notícia de que o prefeito Jonas Donizette (PSB), junto à Câmara reacionária, vão roubar seus salários durante a pandemia. O ataque já havia sido aprovado na primeira sessão da câmara.

segunda-feira 27 de abril| Edição do dia

A “reforma da previdência municipal”, que já estava sendo articulada como um ataque do prefeito Jonas Donizette e da câmara reacionária aos trabalhadores na pandemia, altera de 11% para 14% a contribuição previdenciária dos servidores. O governo federal de Bolsonaro e Paulo Guedes está impondo dos municípios que supostamente têm um déficit terem que apresentar essa mudança na alíquota até o dia 30. Querem ampliar os ataques aos trabalhadores não só a nível federal, mas também em cada município, e Jonas e a câmara de Campinas respondem prontamente essa determinação, sem nem justificar o déficit no Camprev para aumentar a alíquota dos servidores.

Esse ataque afeta diretamente os trabalhadores da saúde, que em meio a pandemia e numa situação de falta de EPI’s e condições básicas de trabalho, são os que estão na linha de frente, arriscando suas vidas para salvar outras. Segundo o último dado, em Campinas havia 599 trabalhadores da saúde afastados, seja por serem grupo de risco, seja pela contaminação, que cresce em um contexto em que não são testados. Mas ao contrário da câmara e do prefeito reconhecerem o papel que eles têm cumprido, seguem com ataques a esses setores. O projeto foi aprovado sem nenhuma discussão com os servidores afetados.

O aumento na contribuição previdenciária gera uma perda imediata de 3% do salário dos trabalhadores municipais, em meio a uma pandemia na qual além de gastos excessivos com remédios e insumos de proteção (como máscaras, álcool em gel), esses trabalhadores também podem ter mais gastos com os filhos em casa, sem a merenda da escola.

Mesmo com o déficit não comprovado, o que é um verdadeiro absurdo e uma afronta aos trabalhadores que estão tendo seus salários cortados sem nem ter acesso aos dados que o governo “apresenta” ser o motivo, o projeto de lei também prevê futuros aumentos da alíquota sempre que esse déficit for constatado. Ou seja, Jonas Donizette e a câmara reacionária querem carta branca para seguir atacando servidores municipais sempre que quiserem constatar déficits que sequer tornam públicos.

Agora Jonas e a câmara querem convencer os servidores que não tem o que fazer em relação aos ataques com a justificativa de que Campinas tem que se adequar nacionalmente. Mas Jonas Donizette é presidente da Frente Nacional de Prefeitos, foi um importante apoiador da reforma da previdência e já se reuniu com o ultra neoliberal Paulo Guedes para articular ataques contra os trabalhadores. Apesar de o prefeito e sua base usarem a imposição da reforma federal, ele não nos engana: sabemos que desde antes estava na linha de frente para articular esses ataques aos trabalhadores, sendo colaborador não só para atacar no município de Campinas, mas também de articular isso nacionalmente com o governo Bolsonaro e Paulo Guedes.

Agora, Jonas se coloca junto a setores que se dizem oposição ao negacionismo repudiável de Bolsonaro, como Rodrigo Maia, Doria, Witzel e agora até Moro, após sua saída do Ministério da Justiça na última sexta-feira. Mas sabemos que desde Moro, que foi articulador do golpe institucional que foi essencial para a eleição de Bolsonaro, até governadores (que apesar de se dizer oposição usou o slogam “BolsoDoria” para se eleger), todos eles são ferrenhos defensores dos ataques contra os trabalhadores.

O PT e o PCdoB, embora façam oposição na cidade, nos estados que governam também levaram a frente a aplicação da reforma da previdência estadual. Agora, desde suas centrais sindicais levam em frente uma política criminosa de chamar um 1º de maio junto com toda essa corja que são nossos inimigos de classe, como Rodrigo Maia, Davi Alcolumbre, Doria, Witzel, dentre outros.

Nesse cenário, é essencial vermos que a única saída para combater a crise sanitária e lutar pelos direitos dos trabalhadores só pode ser por um caminho independente. Por isso, ainda mais quando vemos os trabalhadores de Campinas tendo que pagar em meio à pandemia pelos ataques de Rodrigo Maia, Doria, e todos esses setores confirmados para o ato, é importante que a esquerda da cidade impulsione a necessidade de um ato independente. Chamamos o PSOL e PSTU a romperem com esse ato escandaloso e chamarem um 1º de maio que de fato represente os trabalhadores, gritando Fora Bolsonaro e Mourão, sem nenhuma confiança em Maia, no congresso, em Moro ou no STF. Assim os trabalhadores, os servidores municipais de Campinas, podem confiar na única força capaz de barrar esses ataques: a nossa força, da classe trabalhadora.




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