Política

CONSTRUIR SAÍDA PELA ESQUERDA

Contra o impeachment, manobras do Judiciário e novo governo de ajustes Dilma-Lula

Lutemos em todos os nossos locais de trabalho e de estudo para que nossos sindicatos e entidades estudantis rompam sua política de colaboração com o governo petista, a oposição de direita, as patronais ou a confiança na justiça burguesa, e se coloquem a serviço de um grande movimento nacional que apresente uma alternativa pela esquerda para a crise.

terça-feira 22 de março de 2016| Edição do dia

A mídia, os partidos da oposição de direita ao PT tentam aproveitar os escândalos de corrupção para apoiar um impeachment para formar um governo de ajustes mais fortes. Milhões veem as medidas de Moro, da justiça, da PF com expectativa que estariam combatendo a corrupção. Nós não acreditamos nisto. Moro tem ligações com os EUA (veja quadro no final da matéria) e interesses no petróleo nacional. Por outro lado, muitos veem que Moro e a justiça estão pisoteando a Constituição e até o momento atacaram muito mais o PT que outros citados na Lava Jato.

De outro lado, muitos jovens e trabalhadores têm visto os absurdos de Moro, do judiciário e da PF e pensado, “se podem fazer isto com um poderoso ex-presidente poderão fazer muito mais do que o Estado brasileiro já faz nos morros e favelas e contra os trabalhadores que lutarem contra os ajustes”. Por isto muitos jovens e trabalhadores tem tomado para si uma luta em defesa da democracia. Compartilhamos este sentimento de indignação frente à corrupção petista, que assimilou todos os métodos capitalistas de governo. Entretanto, alertamos que o PT tenta conduzir este sentimento legítimo para causas espúrias: conseguir apoio a Lula no governo para que ele use o que lhe resta de popularidade para salvar o governo Dilma, fazer algumas mudanças mas seguir os ajustes. Na segunda-feira o ministro da fazenda Nelson Barbosa deu as mostras do que seria isto: um mega-pacote de ajuste que inclui demissões de funcionários, congelamento de salários e até mesmo congelamento do salário mínimo.

Com tantas dificuldades da situação que parece em cada lado abrigar uma armadilha os trabalhadores e a juventude precisam ter clareza do que está em jogo, quais são as propostas dos capitalistas e seus políticos para entender como dar uma saída pela esquerda.

Três saídas capitalistas para a crise

1. Com o impeachment pelo Congresso trocaríamos a corrupção com a marca petista por novos esquemas de corrupção com a marca tucana, com uns e com outros compartilhada com o PMDB, o partido de Cunha, de Temer, do presidente da FIESP e de Pezão do Rio de Janeiro que tem atrasado os salários do funcionalismo. Trocaríamos os ataques de Dilma-PMDB pelos ataques de Temer-FIESP-PSDB, que não tem motivo para serem menos ajustadores que os petistas. Muito pelo contrário já escrevem nos jornais como teriam mais empresários no governo e como querem um programa mais agressivo de cortes nas nossas aposentadorias, salários e mais entrega do pré-sal e da Petrobras, e de todas as estatais como já anuncia o PLS 555 aprovado no Senado em meio à atual crise.

2. Uma eventual derrota do impeachment e um “novo” governo Dilma-Lula também mantém a impunidade do sistema político e revestirá os ataques dilmistas e a entrega do patrimônio nacional com um viés lulista, sacrificando salários e direitos (como os previdenciários) para estimular investimentos empresariais. Ou seja, mesmo que com algumas alterações e uma boa oratória de Lula seria um governo para realizar ainda mais ajustes contra o povo, as medidas anunciadas por Nelson Barbosa podem ser só o começo deste ajuste mais pesado.

3. Seja em um governo Temer-PSDB ou em um governo Lula-Dilma, o “Partido Judiciário” seguirá utilizando manobras e arbitrariedades jurídicas para remover o sistema de partidos atual em prol de um novo sistema mais diretamente servil aos interesses imperialistas, seja com alas direitas dos partidos atuais renovados ou com novos partidos.

O PT, o PSDB e o PMDB não têm legitimidade para resolver a crise de representatividade das instituições políticas e implementar os ataques necessários à recomposição da rentabilidade empresarial. A burocracia sindical da CUT, CTB, Força Sindical e outras centrais impede que os trabalhadores protagonizem ações independentes de massas que possam dar lugar a uma saída operária para a crise.

Nesse marco de impasse estratégico, ou seja, sem nenhuma resposta clara, há um certo “empate”, o “Partido Judiciário” – com Sérgio Moro à cabeça– atua como árbitro da crise.

A Lava Jato ganhou tamanha força porque se apoiou em monopólios imperialistas ligados à exploração do Pré-Sal que tinham interesse em remover as empreiteiras “amigas” do PT para instalar novos esquemas de corrupção como marca própria, “made in USA”.

A Lava Jato manobrou com o interesse do PSDB e da grande imprensa em “sangrar” o governo do PT. Agora, instalada uma correlação de forças que permite o impeachment, e com processos que ameaçam atingir eminentes tucanos como Aécio Neves e chefes do PMDB, a grande imprensa, juízes e caciques do PSDB começam a criticar as arbitrariedades de Sérgio Moro. Não o fazem por qualquer arroubo “democrático”, mas sim porque querem evitar que a Lava Jato desestabilize um eventual governo Temer-PSDB. Não se sabe ainda se o “partido judiciário” parará ou irá buscar mudanças mais profundas.

Saiba mais sobre as arbitrariedades do judiciário

O juízes não são eleitos por ninguém. Pelo contrário, são escolhidos pelos donos do poder. Como muito, são funcionários de carreiras cheias de filtros sociais, para que seus cargos sejam ocupados só pela elite. Gozam dos mais altos privilégios da “república”, alguns deles vitalícios. A Polícia Federal, braço armado da Lava Jato, é uma das agitadoras das manifestações de 13/03, apoiando-se nas classes médias acomodadas para clamar por sua autonomia como força policial.Ou seja, querem não ser controlados por nenhum civil, o que é algo elementar em toda democracia, mesmo capitalista. As delações premiadas, a prisão preventiva, os grampos ilegais, as conduções coercitivas desnecessárias, o vazamento seletivo de informações sigilosas e o espetáculo midiático apoiado sobre todos esses instrumentos, ora usados pelos poderosos para dirimir suas disputas, são apenas a face mais branda do “braço forte” que já é usado contra pobres e negros para reprimir e conter a violência social inerente à pobreza crônica nas favelas do país, e que pode escalar para patamares nunca vistos se a própria esquerda aceitar sua naturalização.

As arbitrariedades que constituem esta “democracia da bala” nas favelas agora se voltam também contra a “democracia dos subornos” da política. Uma democracia capitalista que para resolver suas crises recorre a instituições que não foram eleitas pelo povo e a métodos próprios de um Estado policial. Opor-se a essas arbitrariedades do poder judiciário é um problema de sobrevivência para a maioria explorada e oprimida do país, pois se hoje são usadas contra os pobres nas favelas e para resolver disputas entre os capitalistas, logo serão usadas para atacar os sindicatos que resistam às tentativas de qualquer um desses três setores a descarregar os custos da crise sobre nossas costas. Para isto ainda terão em mãos a lei antiterrorismo que Dilma acaba de sancionar.

Os sindicatos devem se mobilizar não só contra o impeachment, mas também contra os ajustes

Nós do MRT compartilhamos o sentimento de muitos trabalhadores e jovens que foram ou apoiaram as manifestações do dia 18 não porque concordam com o governo do PT, mas sim para rechaçar os avanços da direita. Entretanto, alertamos que as direções petistas querem utilizar esse sentimento progressista para servir de base de apoio para um novo governo que com Lula como superministro tenha legitimidade para implementar os ataques que Dilma não conseguiu implementar por outras vias, disfarçados e recheados de demagogia.

Exijamos que nossas organizações operárias e estudantis impulsionem um plano de mobilização independente que ao mesmo tempo em que combatam o impeachment e as arbitrariedades do poder judiciário,construa uma luta de massas contra os ajustes que serão aplicados por todas as três saídas capitalistas para a crise, e que se enfrente com a impunidade dos partidos dessa “democracia” do suborno. A esquerda que tem se dividido entre apoiar um governo ajustador e políticas que levam a estar, mesmo que com outra fraseologia, junto à FIESP e os tucanos deveria ter outra orientação e junto ao MRT exigir da CUT e CTB sua imediata ruptura com o governo para organizar este movimento contra os ajustes e impunidade. Uma mobilização de massas que freie os ataques e gere força para impor uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana para atacar a impunidade pela raiz, fazer os capitalistas pagarem pela crise e enfrentar os problemas estruturais do país, substituindo o conjunto das instituições apodrecidas desse sistema político.

Você sabia que Moro é ligado à Shell e estudou por anos no governo americano?

O juiz Sérgio Moro é apontado pela mídia como um “herói” isento. Bem, nossa mídia capitalista já ergueu outras vezes outros heróis que logo foram pegos com a mão na cumbuca da corrupção. Antes disso já é bom alertar aos jovens e trabalhadores alguns dos interesses por trás de suas ações. Sua esposa trabalhou no escritório de advogados que representa a Shell, interessada no pré-sal brasileiro, e ele fez um treinamento de anos no Departamento de Estado americano, o ministério daquele país que cuida de sua espionagem, diplomacia e guerras. Será que não tem fogo por trás desta fumaça?




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