Gênero e sexualidade

UNESP CRECHE

Contra o desmonte do CCI da UNESP: pelo direito à creche, à maternidade e à universidade!

sexta-feira 4 de setembro de 2015| Edição do dia

O Encontro organizado pelo Pão e Rosas no dia 29, trouxe a discussão de diversos aspectos da questão das opressões às mulheres e LGBTs enquanto um pilar estrutural da nossa sociedade. No contexto da crise do capital, e a partir de um programa revolucionário, o Encontro tratou fortemente da realidade desses setores dentro da universidade, o que se associa necessariamente a uma discussão de direito à maternidade e à situação das creches.

O CCI (Centro de Convivência Infantil) da UNESP vem sendo desmontado , acompanhando o cenário da UERJ e da USP, e deixando de ser oferecido a crianças de 4 a 6 anos. Essa situação se alinha com a ausência de políticas efetivas de permanência em geral e à precarização dos postos de trabalho (aprofundada com a terceirização), atingindo as estudantes mulheres, que se veem na inviabilidade de conciliar universidade e maternidade, e, sobretudo, as trabalhadoras, especialmente as terceirizadas, a quem o acesso aos espaços e serviços da universidade é negado.

Portanto, também na universidade, o contexto de crise e cortes acompanha o ataque aos direitos das mulheres, que são os primeiros a serem rifados. Ataque que, aliás, encontra perfeito respaldo na estrutura de poder da burocracia universitária, em que diretorias e reitorias lavam as mãos para os casos de agressão e para a realidade das mulheres, ao mesmo tempo em que perseguem com vigor aqueles que se põem em luta por permanência, contra o machismo e as opressões e pela democratização da universidade.

Nas palavras de Marília Lacerda, trabalhadora do Hospital Universitário da USP, “para podermos trabalhar, mas também pra podermos ter momentos de lazer e nos organizar politicamente, a luta por creches é fundamental. Seja nos locais de trabalho ou nos locais de estudo, o Pão e Rosas precisa estar na linha de frente desta luta”. É com isso em mente que nós estudantes da UNESP Araraquara levantamos, durante Encontro, a campanha contra o desmonte do CCI, defendendo que também as trabalhadoras terceirizadas possam usufruir desse direito.

As convidadas Andrea D’Atri (fundadora do Pão e Rosas na Argentina e candidata a deputada federal para o Parlasul pela Frente de Esquerda e dos Trabalhadores) e Myriam Bregman (deputada federal da Argentina e candidata a vice-presidente com Nicolas Del Caño), tendo apresentado uma visão revolucionária no que tange a luta das mulheres – canalizada, inclusive, em prática política de defesa de direitos – também aderiram à campanha. Afinal, a luta pelo CCI faz parte de uma ampla luta pelos direitos democráticos das mulheres e contra todo o conjunto de ataques e ajustes do governo. A exemplo do próprio Cantinho das Crianças organizado por militantes homens do MRT para que as trabalhadoras mães pudessem participar ativamente do Encontro, a luta deve partir da organização independente, garantindo que as mulheres possam ser sujeitas na luta por direitos e entendendo que a emancipação geral da sociedade é inerente a sua própria emancipação.




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