Opinião

OPINIÃO

Contra a reforma trabalhista, redução da jornada de trabalho para acabar com o desemprego

Enquanto um punhado de ricos detém as riquezas do país e quase metade do orçamento é destinado ao pagamento da dívida pública aos imperialistas, a população se mata de trabalhar para viver em condições bastante precárias de vida. Mas quais os anseios da população? Sobreviver ou viver plenamente? Na contramão das reformas e contra o lucro dos capitalistas em detrimento das condições de vida de milhares de pessoas defendemos a divisão de horas de trabalho com salário digno para todos, seis horas de trabalho por dia cinco dias da semana e o fim do desemprego pois nossas vidas valem mais do que os lucros deles.

Fernanda Peluci

Metroviária de São Paulo e demitida política

segunda-feira 24 de julho| Edição do dia

Aprovada a reforma trabalhista em base ao discurso demagógico e hipócrita do governo e empresários que afirmam "modernizar" as relações de trabalho, cabe à nós algumas questões: como pode pessoas que nunca trabalharam querer determinar como o mundo do trabalho deve se organizar? Seria essa reforma destituída de interesses de classe?

Não há nada de "moderno" na reforma trabalhista. Qualquer estudo de história mostra como na realidade voltamos ao século XIX no quesito de direitos frente à quantidade de retrocessos nos direitos trabalhistas. O fato é que com a crise os capitalistas querem impor um regime de maior exploração aos trabalhadores, enquanto mantém ou elevam seus próprios lucros.

Temer esta falando nas mídias e em suas declarações que vai diminuir o desemprego com a reforma. Além de um fato mentiroso, o que Temer quer é talvez conseguir garantir o aumento numérico de empregos escondendo o fato de que estes serão mais precários, com salários mais baixos e flexíveis e com menos direitos garantidos, aumentando os acidentes de trabalho, o assedio moral e piorando enormemente as condições de vida dos trabalhadores.

Não é, nem de longe, intenção do governo acabar com o desemprego. O sistema capitalista necessita de que haja constantemente um "exército reserva" de desempregados para que os patrões se usem disso para pressionar o rebaixamento dos salários e condições de trabalho de todos. "Se não aceitar esta condição de emprego tem outros que aceitarão", por quantas vezes os trabalhadores já tiveram contato com esta reflexão e foram obrigados a aceitar os empregos mais precários do mercado?

Frente aos quase 14 milhões de brasileiros desempregados, e aos milhares de trabalhadores que poderão ter suas condições de trabalho mais precarizadas, o futuro não parece tão brilhante como Temer busca transparecer quando fala de "modernização". Já é normal para a maioria das pessoas trabalhar de segunda a sábado, ter mais de uma jornada de trabalho e perder bastante tempo da vida no transporte. Na prática a maioria dos trabalhadores tem apenas 4 dias de folga no mês, 48 dias no ano, um escândalo! É muito pouco o tempo que acabam tendo para verem seus filhos, cuidarem de si mesmos e de suas famílias, terem lazer e tempo de descanso, e com a reforma trabalhista aprovada isso tende a piorar muito.

A diminuição das horas de trabalho para todos os trabalhadores sem redução do salário é uma política que possibilitaria a extinção do desemprego, salários dignos e, assim, a possibilidade de todos usufruírem da vida plenamente. Uma proposta que vem na contramão e em combate a reforma trabalhista, confrontando diretamente a política do governo de ataques contra os direitos dos trabalhadores e contra suas vidas. Atacando também os lucros daqueles que nos exploram. Eles querem seguir mantendo seus apartamentos luxuosos em NY enquanto os trabalhadores querem vida digna com saúde, educação de qualidade, esse choque de interesses só é possível se resolver na luta.

Seis horas por dia, cinco dia por semana, para que os jovens possam estudar e que todas as pessoas tenham tempo para usufruir da própria vida. Essa política ataca em cheio o lucro dos capitalistas e esse sistema onde a vida da grande maioria das pessoas serve apenas para ser explorada para manter o luxo de poucos empresários, políticos, juízes e banqueiros; estes sim são os únicos que hoje podem aproveitar o mundo.

Os trabalhadores estão vendo com seus próprios olhos, e não é novidade pra ninguém, a quem querem servir os políticos do Brasil. Os banqueiros e grandes empresários como Joesley da JBS, por exemplo, seguem mantendo seus lucros milionários enquanto só aumenta o numero de desempregados. Para eles tudo, para os trabalhadores alta inflação corroendo os salários, educação sucateada com salas superlotadas e desvalorização dos educadores, filas intermináveis nos hospitais públicos e poucos médicos para atendimento.

Por isso dizemos que nossas vidas valem mais que os lucros desses capitalistas, porque lutamos contra todas as medidas e reformas impostas pelos governos e acreditamos que é urgente combater a própria base do capitalismo, que é a exploração completa de uma classe sobre a outra, para que construamos uma sociedade superior onde não haja mais exploração e opressão. A contradição latente entre essas duas classe não pode mais seguir, assim como esse sistema que não só condena à uma vida miserável milhares de pessoas, como destrói o meio ambiente e as condições de existência da humanidade.

O governo Temer e os políticos corruptos querem seguir governando única e exclusivamente para enriquecer ainda mais os empresários do Brasil e do mundo e deixar os trabalhadores e o povo pobre pagando pela crise capitalista com um sistema engendrado no desemprego e em condições miseráveis de vida à população onde a oferta de empregos reduzida faz com que os trabalhadores tenham que aceitar se submeter a empregos degradantes com baixos salários para sustentar suas famílias.

Os trabalhadores querem viver mais, melhor, garantir uma boa educação para seus filhos, não morrer nas filas dos hospitais, ter o direito à cultura e ao lazer, poder estudar, não perder suas vidas todos os dias no transporte. Por isso é necessário que lutemos pelo fim do desemprego, por salário digno à todos, pela divisão de horas de trabalho para que todos possam viver plenamente para que os capitalistas paguem pela crise que eles mesmos construíram, pois nossas vidas valem mais que o lucro deles.




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