Contra a parede, Facebook derruba rede de fake news ligado a Bolsonaro e filhos

O chamado "gabinete do ódio", rede de fake news comandada diretamente pelo presidente e seus filhos, já era de conhecimento público há muito tempo. Por que então só agora o Facebook desmontou a rede?

quinta-feira 9 de julho| Edição do dia

O Facebook anunciou na quarta-feira, 8, que derrubou uma rede de fake news e perfis falsos ligados a integrantes do gabinete do presidente de Jair Bolsonaro, a seus filhos, ao PSL e aliados. Foram identificados e removidos 35 contas, 14 páginas e 1 grupo no Facebook e 38 contas no Instagram. O material investigado pela plataforma identificou pelo menos cinco funcionários e ex-auxiliares que disseminavam ataques a adversários políticos de Bolsonaro. Nessa lista está Tercio Arnaud Thomaz, que é assessor do presidente e integra o chamado "gabinete do ódio", núcleo instalado no terceiro andar do Palácio do Planalto.

Não causa nenhuma surpresa a revelação da odiosa rede de fake news articulada pelo clã Bolsonaro. O "gabinete do ódio" já é de conhecimento público há bastante tempo, sendo alvo da onipresente e onipotente investigação de Fake News conduzida pelo STF com a intenção de disciplinar Bolsonaro, que em sua investigação se vale também dos procedimentos mais arbitrários e autoritários na disputa que assumiu contra o bloco Bolsonaro-militares.

O anúncio faz parte de uma remoção de redes de desinformação que operavam em quatro territórios postando conteúdo relacionado a assuntos políticos domésticos. Além do Brasil, foram derrubadas redes nos EUA, na Ucrânia e na América Latina, incluindo países como El Salvador, Argentina, Uruguai, Venezuela, Equador e Chile. A ação do Facebook tem o objetivo de reestabelecer a credibilidade da rede social, que sofreu o boicote de diversas empresas gigantescas que demagogicamente acusam a rede social de não lutar contra o racismo, enquanto elas próprias também não tomam nenhuma ação contundente para responder a questões como por que negros e mulheres recebem menos do que brancos no mercado de trabalho.

O Facebook, que vazou informações sigilosas de diversos usuários, utilizadas estrategicamente pela campanha de Donald Trump em sua eleição, não tem nenhum interesse concreto em combater o racismo e o restante discurso de ódio da extrema-direita seja de Bolsonaro, ou Trump. Tampouco as multinacionais imperialistas que boicotam a rede tem esse interesse, a preocupação delas é unicamente fazer demagogia num momento em que a fúria da luta negra ameaça todos os símbolos do racismo e do reacionarismo no país. Esse clamor das ruas é o que realmente bota medo nos diversos reacionários, seja os do Vale do Silício, das gigantes monopolistas, ou da extrema-direita odiosa.




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