Internacional

FRANÇA

Contra Le Pen, apoio incondicional a Martinez, à CGT e aos grevistas!

No programa de Bourdin, Marine Le Pen atacou Philippe Martinez, agora que a greve ultrapassou a marca de 40 dias. Uma maneira muito clara de admitir de que lado o Rassemblement National se situa: contra o mundo do trabalho e contra os grevistas.

quinta-feira 16 de janeiro| Edição do dia

“Temos todas as razões para odiar a CGT [1] e Martinez”, bradou a líder do Rassemblement National, em entrevista a Jean-Claude Bourdin no canal de TV RMC-BFMTV, nesta terça-feira, 14 de janeiro.

O que está acontecendo é extremamente brutal e merece ser exposto. No entanto, estranhamente, não houve nenhuma reação da esquerda, nem sindical, nem política. E isso é muito preocupante.

Demagogia e Farsa

O que é "bom" com a extrema direita, é que ela sempre tem dificuldade em manter disfarçadas suas verdadeiras convicções. Ouvimos Marine Le Pen, a líder do Rassemblement National [2], dizer, antes de 5 de dezembro, o quanto ela apoiava o movimento contra a reforma da previdência de Macron-Philippe. Em 18 de dezembro, em Carpentras, ela declarou não ser “especialmente uma amiga da CGT, é o mínimo que podemos dizer [mas] hoje, são eles que fazem a greve. Eles são acompanhados por centenas de milhares, talvez milhões, de funcionários do setor privado que se manifestam contra a reforma da previdência.” Diante disso, "jornalistas", sempre rápidos em insistir nas suposições de "aproximar os extremos", tinham chamado a declaração de "homenagem", Martinez antecipou, com razão, em rejeitar esse "apoio" como um todo.

Geralmente, quando um movimento social eclode, e arrasta atrás de si a grande maioria da opinião pública, a extrema-direita prefere manter um perfil baixo. O terreno da luta de classes não é o de racistas e xenófobos que preferem os patrões “daqui” e os trabalhadores da nação, "de casa". No entanto, ao contrário de Jean-Marie Le Pen, anti-semita e abertamente racista, apoiador do estilo ultra-liberal de Reagan, a filha tenta pintar o RN com uma camada de pintura "social". Frente à hostilidade da maioria ao projeto de contrarreforma da previdência, Marine Le Pen, portanto, tentou defender a "especificidade francesa do modelo social", expressando sua oposição ao projeto de Macron-Philippe. A solução? Em três etapas: a primeira trégua, para o Natal, sugerindo a criação de um "referendo" sobre a reforma e, em seguida, prometendo revogar o texto se fosse eleita em 2022. "Pare a greve", diz ela simplesmente, "nós cuidamos do resto."

Uma solução para a extrema-direita, o referendo

Esta terça-feira, no estúdio da RMC- BFMTV, Bourdin insistiu em saber se o RN apoiou ou não a continuação do movimento grevista, Le Pen preferiu ficar de escanteio, insistindo que sua posição não havia se modificado: ela continua a ser a favor de um referendo, de acordo com Jordan Bardella, seu jovem e arrojado porta-voz, pois "evitaria uma situação de impasse". Esta é a verdadeira posição da extrema-direita desde o 5 de dezembro. Estranha maneira de apoiar os grevistas. Em essência, consiste, desde o início, em dizer: "abandone os protestos, não entre em greve, deixe os piquetes, vá às urnas." Comprova, mais uma vez, a realidade das propostas da extrema-direita: sua hipocrisia política, além de suas tentativas de instrumentalização demagógica.

O plano cruel de Le Pen

Mas isso não é tudo. Visivelmente excedida com as perguntas de Bourdin, Le Pen deixou cair a máscara. E com certa franqueza. "Temos todas as razões para odiar a CGT e o Sr. Martinez", secretário-geral da CGT, segundo ela, ele é: "insuportável, (...) absolutamente sectário, detestável. Ele recusa o processo democrático." Em 14 de novembro, ela acusou a CGT de "defender sua panelinha". Só porque você quer ser "do povo" não significa que você está com ele. São os cegetistas e todos os grevistas, em parte sindicalizados da CGT, mas também de outras organizações, ou não sindicalizados, que estão nas ruas e em greve há mais de 40 dias. Não o RN.Os grevistas não estão na mobilização "por sua panelinha", mas, como dizem os manifestantes em todo o país, "para a honra dos trabalhadores e para um mundo melhor." Isso quer dizer, contra Macron e seu mundo e Le Pen escolheu este lado.

O ataque de Le Pen ao secretário-geral da CGT é, de fato, um ataque a todos os grevistas, aos manifestantes e aos seus apoiadores. Trata-se de um ataque contra o qual todas as organizações devem responder em uma só voz, na rua e nos piquetes, contra aquele que é o pior inimigo dos trabalhadores e que sempre está do mesmo lado dos patrões, Emmanuel Macron.

Duas Franças

Le Pen espera capitalizar sobre a raiva social nas urnas, já designando os bodes expiatórios habituais da extrema direita: estrangeiros, imigrantes, muçulmanos, qualquer em que não seja "bom e de casa". Desde o início do movimento, o que os grevistas mostram é que existem duas Franças: a de baixo, que luta e que foi linha de frente contra essa reforma injusta; e a de cima, que apóia Macron e defende que o movimento cesse. Le Pen escolheu a França dela com convicção, a da extrema-direita, com seu ódio aos "social-comunistas", à CGT, ao mundo do trabalho, justamente quando ele se ergue. Isto complementa "maravilhosamente" os artigos reacionários sobre os "grevistas salafistas" e seu "terrorismo verbal".

Estamos todos insuportáveis, e em greve!

O ataque de Le Pen fala muito sobre o nível de nervosismo que hoje essa França que está “acima” está passando, com todos os seus desentendimentos e atritos internos. Diante de tanto radicalismo, temos que mostrar o mesmo, mantendo as greves, em coordenação e extensão. É agora ou nunca que devemos dar apoio àqueles que levaram o movimento desde o início, ferroviárias e ferroviários, trabalhadoras e trabalhadores da RATP, mas também o pessoal da educação, refinadores e portuários, e todos os outros.

Macron e Phillipe querem nos fazer engolir seu projeto - determinados em reverter a idade mínima da aposentadoria de volta para os 64 anos, depois de recuarem da decisão -, então está posta a extensão do radicalismo que deve estar no centro das falas na reunião intersindical de quarta-feira à noite. É também uma forma absolutamente necessária e urgente em responder a Le Pen, que deixou claro, nesta terça-feira, que este projeto é também seu. Para mostrar, portanto, a Macron-Philippe e a Le Pen, que nós somos "insuportáveis" e que são as suas reformas e a sua visão de mundo que queremos destruir. E o movimento, hoje, tem essa capacidade.

[1] CGT - Confédération Générale du Travail - confederação sindical francesa.

[2] Rassemblement National - Partido político francês de extrema direita, liderado por Marine Le Pen




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