Mundo Operário

CONGRESSO DOS TRABALHADORES DA USP

Contra Bolsonaro, Moro, Maia e o centrão: unir os trabalhadores superando a burocracia sindical para enfrentar os ataques

O Congresso dos Trabalhadores da USP acontecerá nos dias 2, 3, 4 e 5 de setembro em meio à ataques do governo Bolsonaro, reforma da previdência e ataques à universidade. Divulgamos aqui as ideias que serão defendidas pelo Movimento Nossa Classe nesse congresso. É urgente a organização dos trabalhadores.

Pão e Rosas

@Pao_e_Rosas

terça-feira 27 de agosto| Edição do dia

O Movimento Nossa Classe, composto por militantes do MRT e independentes, atua no movimento operário de diferentes estados, em várias categorias e na USP compomos a Diretoria do Sindicato dos Trabalhadores da USP, como minoria, batalhando para desenvolver os elementos que fazem do Sintusp um dos sindicatos mais democráticos e combativos do país e, ao mesmo tempo, defendendo as posições que consideramos fundamentais para preservar e aprofundar sua independência de classe e ampliar sua força e capacidade de organização.

QUE OS CAPITALISTAS PAGUEM PELA CRISE

OS TRABALHADORES PRECISAM TER INDEPENDÊNCIA DE CLASSE!

Estamos diante de um governo de extrema-direita, apoiado pelo imperialismo e fruto do golpe institucional cujo objetivo é descarregar a crise sobre nossas costas. Prova disso é a aprovação na câmara da Reforma da Previdência e a 2ª Reforma Trabalhista com a MP 881. Foi fundamental que nosso sindicato se posicionasse contra o impeachment de Dilma em 2016 e contra a prisão arbitrária de Lula, sem dar nenhum tipo de apoio político ao PT. Uma posição correta de independência de classe que nos permitiu lutar contra esse governo sem ter apoiado o golpe institucional ou a reacionária operação Lava Jato, um dos pilares do golpe que fortaleceu o autoritarismo do judiciário contra os trabalhadores e a favor dos empresários estrangeiros.

Defendemos um sindicato com independência de classe diante do governo Bolsonaro e Dória e qualquer governo burguês (dos militares, do autoritarismo judiciário e da Lava-Jato) que seja anti-imperialista e internacionalista, pois a luta dos trabalhadores da USP é parte da luta dos trabalhadores em todo o mundo.

POR UM SINDICATO QUE SE PREPARE PARA FAZER A DIFERENÇA NA LUTA DE CLASSES E DERROTAR A REFORMA DA PREVIDÊNCIA E OS ATAQUES AO MEIO AMBIENTE E À EDUCAÇÃO!

A aprovação da reforma fortaleceu o governo que lançou nova ofensiva. A MP 881 (Medida Provisória da Liberdade econômica) é um ataque brutal a juventude e aos trabalhadores, pois amplia o trabalho aos domingos e fortalece os contratos precários. Esse ataque somado aos ataques à educação e a reforma da previdência significam um legado de trabalhar até morrer ou morrer trabalhando sob condições desumanas, como aconteceu com o entregador da Rappi de 33 anos.

O meio ambiente também tem pagado um alto custo com o governo Bolsonaro. O céu escurecido de São Paulo às três da tarde fruto de queimadas de latifundiários na região amazônica para mostrar serviço à Bolsonaro, demonstra que esse governo está disposto devastar o que estiver no caminho, sejam os trabalhadores, a juventude, as lideranças indígenas ou mesmo a própria natureza, para saciar a sede de lucro dos capitalistas.

Alertamos a importância de não desvincular os ataques de Bolsonaro aos trabalhadores como a luta contra a reforma da previdência, dos ataques à educação, exigindo das centrais a unificação das lutas para que a juventude aliada aos trabalhadores golpeassem de uma vez o governo Bolsonaro. No entanto, PT e PCdoB, que dirigem as maiores centrais sindicais, a CUT e a CTB e também a UNE, mantiveram as negociatas com Maia e o centrão e fizeram de tudo para separar as lutas conduzindo os trabalhadores a derrota e possibilitando o fortalecimento dos ataques à educação com o projeto Future-se, uma privatização em larga escala do ensino público superior. É preciso dizer que a convocação de atos espaçados e sem unificar com a juventude se mostrou inofensiva para derrotar a reforma da previdência e os ataques à educação.

É fundamental desmascarar o papel que as burocracias cumpriram e a divisão de tarefas de seus partidos que demagogicamente atuam no parlamento como uma oposição “responsável”, mas que no comando das centrais de massa atuam como o freio da luta dos trabalhadores. O PCdoB, inclusive, apoiou Rodrigo Maia, o articulador da reforma, para a presidência da câmara e os governadores do PT e PCdoB elaboraram uma carta pela aprovação da reforma, enquanto a CUT chamava os trabalhadores para ficarem em casa no dia 14 de junho, dia da Greve Geral, em que era preciso um dia ativo de lutas, além da traição da UGT e Força Sindical.

Ao se subordinar a essa estratégia e aceitar uma unidade sem programa, a esquerda como o PSOL, cumpriu um papel de encobrir a política traidora do PT e da CUT e renunciando à independência de classe ao buscar uma frente de oposição parlamentar partidos burgueses como a Rede, PDT, PSB. O PSTU, que dirige a CSP-Conlutas, ao não denunciar em seus materiais a traição que as centrais preparavam e depois assinar um balanço conjunto com estas centrais sobre o 14J, como se não tivessem negociado nossos direitos, pintou de vermelho a traição das centrais, como se CUT, CTB, Força ou UGT quisessem de fato derrotar a reforma.

Os parlamentares de esquerda comprometidos com a classe trabalhadora deveriam colocar seu peso a serviço de fortalecer a luta nos locais de trabalho e estudo. Por isso, fizemos um chamado pela formação de um pólo anti-burocrático de esquerda para fazer frente às centrais traidoras apontando a necessidade de retomar os sindicatos para as mãos dos trabalhadores. O Sintusp pode cumprir um papel em batalhar para preparar nossa categoria para enfrentar os ataques dos governos, denunciando essas centrais, exigindo um plano de luta para unir os trabalhadores e a juventude, para derrotar a reforma da previdência, os ataques à educação e ao meio ambiente e impor justiça para Marielle.

Mas para que os trabalhadores possam derrotar todos os ataques é preciso ir além da organização em sindicatos. Por isso reivindicamos o exemplo da FIT-Unidad (Frente de Esquerda e dos Trabalhadores - Unidade) na Argentina, que constituiu um pólo político de independência de classe, como alternativa pela esquerda ao kirchnerismo encabeçada pelo PTS, (organização irmã do MRT) e composta pelo Partido Obrero, Izquierda Socialista, MST e PSTU/LIT. Uma esquerda que não separa a luta parlamentar da luta de classes e da batalha contra as direções majoritárias e burocráticas do movimento de massas que sempre querem canalizar tudo para as eleições e para a conciliação de classes.

POR UM SINDICATO QUE LUTE PELAS DEMANDAS DA JUVENTUDE, DA POPULAÇÃO POBRE, DAS MULHERES E DE TODOS OS SETORES OPRIMIDOS

Seria um grande erro encarar as lutas sindicais e econômicas de nossa categoria – que se ligam ao combate ao desmonte da Universidade – separado da luta contra os ataques ideológicos à universidade e a educação. Não podemos ser um sindicato que lute somente por salários, precisamos lutar para arrebentar as grades que mantêm essa universidade fechada para os filhos da classe trabalhadora, que são em sua maioria negros.

Por isso, está colocado para nós também enfrentar Dória que instalou a CPI das universidades para, junto ao governo Bolsonaro, acabar com a autonomia universitária e impor um controle ideológico, financeiro e de gestão das universidades paulistas nas mãos dos políticos da extrema-direita, nos moldes da Ditadura Militar. Essa CPI dá passos largos para instaurar uma verdadeira inquisição e perseguidor os movimentos e organizações políticas de esquerda da universidade. É absurdo que Vahan Agopyan que, junto aos demais reitores das universidades, apoiou o Marco Legal da Ciência (que como o Future-se subordina as universidades aos interesses de grandes empresas e bancos) se submeta a essa CPI, ajudando a mapear e expor à repressão os estudantes, professores e funcionários que tenham pensamento divergente da direita e que não aceitem calados os ataques dos governos.

Para reverter o desmonte da USP, devemos lutar pela revogação dos Parâmetros de Sustentabilidade e a imediata abertura de concurso. Defendemos as cotas raciais, o fim do vestibular e a estatização de todas as universidades particulares para que toda a juventude possa estudar sem pagar. Para lutar pela autonomia universitária, é preciso democratizar a estrutura de poder, que os órgãos colegiados tenham um número proporcional de representantes de professores, estudantes e trabalhadores e sejam escolhidos democraticamente. Lutamos por mais verbas para as universidades e para a educação pública. Para isso defendemos o não pagamento da dívida pública e impostos progressivos sobre as grandes fortunas.

Por uma universidade a serviço dos trabalhadores e do povo pobre! Em defesa da saúde pública, gratuita e universal, contra a privatização do SUS e as OSS’s, e na USP contra o desmonte e por mais contratação para o HU e os Centros de Saúde. Pela efetivação de todos os trabalhadores terceirizados sem necessidade de concurso público com salários e direitos iguais, pela revogação da lei da terceirização irrestrita e da reforma trabalhista. Uma só classe uma só luta!

Precisamos atuar ao lado dos estudantes, por isso nossa corrente na USP inclui trabalhadores e estudantes que batalham pela mesma perspectiva.

Nosso sindicato precisa também batalhar pelas demandas das mulheres, dos negros, dos LGBT´s, indígenas, imigrantes para unir a nossa classe contra todos os ataques que estão em curso. Lutar contra a desigualdade salarial, que faz com que uma mulher negra ganhe 60% menos que um homem, lutar pelo direito ao aborto legal seguro e gratuito, contra a homofobia, o machismo e o racismo. É nessa perspectiva que buscamos contribuir construindo ativamente a Secretaria de Mulheres, Secretaria de Negras e Negros e Secretaria LGBT e de Diversidade Sexual.

LUTAR PELA MAIS AMPLA DEMOCRACIA DOS TRABALHADORES EM DEFESA DO SINDICATO

Os debates de concepção sindical não estão descolados da política. Lutamos para que os trabalhadores tenham sua própria democracia para fazer a sua política para enfrentar os ataques. Reafirmamos as assembleias como organismos fundamentais da organização dos trabalhadores, bem como os Congressos e o Conselho Diretor de Base.

Defendemos a rotatividade a cada dois mandatos e proporcionalidade na diretoria do sindicato para que todas as tendências possam se expressar, além da rotatividade na diretoria executiva. Consideramos que nosso sindicato não pode se contentar em organizar uma parcela cada vez mais reduzida da categoria, com uma política vanguardista, e que é urgente e decisivo que se ligue a setores mais amplos da categoria.

A atual crise financeira que se encontra o sindicato deve-se a ser um dos mais combativos no país e um dos mais perseguidos também. Em um momento de enormes ataques aos sindicatos, encabeçados pelo mesmo Moro da Lava Jato com seu “pacote anti-crime” que vai aumentar a repressão, devemos lutar em defesa do Sintusp. Por isso temos proposto fortalecer e ampliar a campanha de filiação ao sindicato como parte das medidas para defender nosso instrumento de luta. Também fortalecer a unidade com professores e estudantes, rompendo com qualquer corporativismo. É preciso encarar a crise financeira do sindicato nessa perspectiva, com transparência nas contas e chamando a categoria a defender seu sindicato e apoiá-lo financeiramente.

Contra toda a repressão do governo e das reitorias, defendemos a anulação de todos os processos e demissões, como de Givanildo e Alexandre Pariol. Pela reintegração de Brandão! E fim do convênio com a PM.

POR UMA ESTRATÉGIA PARA QUE OS CAPITALISTAS PAGUEM PELA CRISE!

Hoje existem diferentes estratégias para enfrentar o governo Bolsonaro e defendemos a mais ampla liberdade de tendências dentro do sindicato, pois essa é a melhor forma de enfrentar os ataques, debatendo abertamente nossas diferenças. Por isso, há anos combatemos as posições sindicalistas que buscam separar a luta dos trabalhadores da USP da política nacional e internacional, como faz o Coletivo Piqueteiros e Lutadores, que no final das contas defenderam, junto ao PSTU e a Transição Socialista, o golpe institucional. Mesmo setores do PSOL na categoria, como a corrente MES, naquele momento defenderam a política de "Lava Jato até o final". Como colocamos, é necessário batalhar por um pólo anti-burocrático da esquerda para impor verdadeiros planos de lutas contra todos os ataques.

É fundamental que os trabalhadores possam se organizar a partir dos seus locais de trabalho e que suas direções organizem um plano de lutas contra todos os ataques. Denunciamos o papel que cumpriam as centrais sindicais ao rifarem nossos direitos e viemos exigindo que colocassem de pé uma verdadeira frente única operária - unidade na ação dos trabalhadores – para enfrentar os ataques do governo Bolsonaro, por justiça para Marielle e avançar para medidas verdadeiramente anticapitalistas que possam enfrentar a ingerência imperialista. Porém, essas centrais mantiveram as negociatas e a trégua, traindo os trabalhadores. Por isso batalhamos por construir uma força política que apresente outra estratégia: a de organização dos trabalhadores a partir de seus locais de trabalho com um plano de luta para impor que sejam os capitalistas que paguem pela crise. Discutimos a necessidade de construir um partido revolucionário para lutar por um governo de trabalhadores de ruptura com o capitalismo rumo à uma sociedade comunista.




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