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Conto: O canto dos pássaros

sexta-feira 26 de abril| Edição do dia

Das gaiolas onde passei, encontrei um passarinho bem doente. Ele costumava sonhar a voar, metade das tardes, ele falava sobre voos livres sob o céu que costumava olhar pela janela de uma porta onde descartavam todo lixo do viveiro. Era um viveiro fechado, todo recoberto por alumínio, onde éramos obrigados a voar a tarde toda, para que no fim fôssemos soltos e voltássemos aos ninhos de onde viemos e no outro dia tudo se repetisse novamente. Mas todas as vezes que esse passarinho saía ele bicava algum tipo de planta (por isso costumam chamar de "bico") , que apesar de fazer ver o voo mais bonito o fazia travar no chão.

Eu, admiradora de espíritos rebeldes, reconheceria em qualquer lugar um espírito daquele que em sua plenitude não conseguia se rebelar. E era frustrante, sempre conversamos sobre fugir do viveiro, mas nunca era uma boa opção, pois nos prometiam comida e proteção, ao mesmo tempo que nos trancavam dentro daquela prisão. Conversamos como o céu era bonito e como fazia faltar cantar e saltar de lugares altos e sentir o vento bater no corpo. Mas sempre haviam urubus sobrevoando, para garantir que não houvesse fuga. Tenho muitas histórias das tardes que passei com esse passarinho bico ao qual deixou marcas muito boas em minha alma, mesmo estando em um lugar onde se formaram cicatrizes doloridas. Mas essa marca, é uma feriada aberta ao qual quero vingança de quem rouba vidas e maltratam uma alma tão bonita como a de bico e de tantos outros passarinhos que esquecem o que é voar!

Espero o dia em que todos os viveiros se rebelem e todos os pássaros cantem em um só coro o da beleza do voo!

- Pássaro: Trotzalledem




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