Sociedade

Construtora destrói 4 mil árvores em território M´Byá-Guarani, que responde com ritual fúnebre

Construtora avançou sorrateiramente sobre a Terra Indígena Jaraguá para construção de um condomínio, desrespeitando diversas leis ambientais e também tratados de proteção indígena. Os M´byá clamam por justiça, já que cada árvore morta é como um parente assassinado.

sexta-feira 31 de janeiro| Edição do dia

“Peme’e jevy, peme’e jevy
Ore yvy peraa va’ekue
Roiko’i aguã”

“Restituam, restituam
A nossa terra que vocês tomaram
Para que a gente continue vivendo”

- Memória Viva Guarani, canto 9.

Um dia, os moradores da Terra Indígena Jaraguá notaram algo estranho: uma parte da mata que cerca a aldeia estava isolada por tapumes e haviam estandes de vendas. Tratava-se do mais novo empreendimento da construtora Tenda, um conjunto de cinco prédios de alto padrão, para cerca de 800 moradores, exatamente em cima de uma área indígena e de Mata Atlântica. Após os M´byá questionarem esta insólita intervenção, a Tenda enviou emissários para “sondar” a opinião dos moradores da aldeia, que prontamente rejeitaram, haja visto que além da importância em termos de recursos, a floresta em si é sagrada e fundamental para a manutenção dos rituais e da cultura M´Byá-Guarani.

Não adiantou que os M´byá levassem a denuncia ao Ministério Público Federal, pois passando por cima da legislação ambiental e dos tratados de proteção aos povos indígenas, como a convenção 169 da Organização Mundial do Trabalho, a construtora avançou sobre uma área de 10 Km de vegetação e derrubou 6 mil árvores. O impacto dessa ação foi tão grande entre os guaranis, que a primeira reação foi organizar um ritual fúnebre para honrar yvyra ñe’ê, as almas das árvores.

Revoltados os guaranis cobram das autoridades uma resposta as esse devastador ataque aos seus costumes, a sua própria existência.

No entanto, sob o sistema capitalista, que sobrevive espoliando a natureza dos povos tradicionais que com ela se relacionam, material e espiritualmente, avançando ferozmente com o mercado imobiliário e o agronegócio, não há chance de conciliação real entre a sociedade jurua e os nhandeva. Bolsonaro e Moro são apenas dois representantes deste sistema, que farão de tudo para varrer do mapa todos povos originários e escravizar o povo trabalhador das cidades.

Yvy marae’y, a terra sem males, só poderá ser alcançada quando o sistema capitalista cair, sob a força da luta de todos aqueles que tem o trabalho explorado. Por isso é importante que todos os povos originários do continente americano, aqueles que estavam aqui antes da chegada dos jurua, juntem a sua luta com a luta dos trabalhadores explorados nas cidades, para construir uma força tamanha que seja capaz de questionar e derrubar este sistema cruel.




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