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Construir fortes assembleias: por Marielle e a greve dos professores e servidores municipais

Precisamos organizar espaços onde os estudantes possam debater como seguir a luta por Marielle, lado a lado com a greve de professores e servidores municipais.

Odete Cristina

São Paulo

domingo 18 de março| Edição do dia

Mais uma vez a população se colocou nas ruas expressando sua indignação. Na última quinta-feira, gritaram de ódio contra o brutal assassinato da vereadora Marielle Franco, militante de esquerda do Psol que denunciava e fazia parte da comissão que investigava a criminosa intervenção federal no Rio de Janeiro, que ao contrário de resolver, só vem promovendo mais violência e assassinato da população negra nas favelas. Seu assassinato escancarou a ferida aberta pelo golpe institucional e um grito de revolta tomou as ruas de várias cidades do Brasil e do mundo.

No mesmo dia, em São Paulo, cerca de 60 mil professores municipais e servidores públicos em greve fizeram um ato contra o SAMPAPREV do Dória, uma medida que ataca a previdência dos servidores a nível municipal e reduz o já baixo salário dos trabalhadores. Uma greve que vem questionando o governo Doria e que se vence pode ser um enorme ponto de apoio na luta de todos aqueles que são explorados e oprimidos em nosso país. Cujo o apoio ativo dos estudantes pode ser um elemento chave para conquistar essa vitória. Ali também ecoou a indignação frente ao assassinato brutal de Marielle e seu motorista Anderson, em uma emocionante demonstração de unidade nas lutas, os professores e servidores subiram com seu ato para a avenida Paulista, sendo parte ativa dos dezenas de milhares que tomaram as ruas de São Paulo naquela quinta à noite.

Na próxima terça, está marcada a votação do SAMPAPREV e os professores municipais chamaram um novo ato às 14h em frente à Câmara Municipal. No mesmo dia, às 17h no MASP terá outro ato por Marielle, contra a violência policial e a intervenção federal no Rio. E é mais do que importante que nós, estudantes da USP, estejamos nesses atos. Tanto em defesa da educação pública, quanto em repúdio a brutal execução de Marielle, contra a intervenção federal que mata negros e negras no Rio de Janeiro.

O sentimento que se demonstrou nas ruas, também ecoou na universidade, algumas aulas foram canceladas, atividades em homenagem foram marcadas, e pelos corredores a vontade de não se calar frente a esse absurdo é cada vez mais forte. Para construir uma mobilização efetiva e transformar esse sentimento em luta, precisamos que os estudantes se organizem em seus espaços de auto-organização, como as assembleias. Debatendo politicamente o que esses acontecimentos significam e quais serão os próximos passos para continuar nossa luta. Precisamos tomar às ruas por Marielle, lado a lado com os professores e servidores municipais em greve, exigindo uma investigação independente dessa polícia assassina, contra a intervenção federal no Rio de Janeiro, e os ataques de Temer e Dória.

A juventude é um setor importantíssimo para mudar os rumos do país, ao lado da classe trabalhadora. Por Marielle, é mais do que fundamental que os estudantes transformem esse ódio em luta contra a intervenção federal, contra o genocídio da população negra, contra a violência a mulher, contra os ataques do governo que quer acabar com o nosso futuro, e defendendo nosso direito à educação. Precisamos nos organizar nos nossos espaços, em aliança com os trabalhadores, a partir de nossos cursos e da universidade de conjunto poderemos mostrar nossa força. Nossos Centros Acadêmicos e o DCE livre da USP devem servir como instrumentos para organizar nossa luta, convocando imediatamente assembleias de curso, onde possamos debater como seguir o movimento e construir fortes blocos de estudantes para estar lado a lado com os professores e servidores municipais, tomando novamente às ruas de São Paulo por Marielle.




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